Três pessoas perderam a vida e dezenas ficaram feridas após dois ataques coordenados contra o Aeroporto Internacional King Khalid, em Riade, na quinta‑feira, 8 de outubro de 2024. Os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã, reivindicaram a autoria das explosões que atingiram instalações aeroportuárias e aeronaves estacionadas. O incidente marcou o ataque mais letal registrado na Arábia Saudita desde o início da nova ofensiva militar contra os hutis no Iêmen.
Detalhes dos ataques e das vítimas
Segundo a Autoridade Geral de Aviação Civil saudita, o primeiro ataque ocorreu no período da tarde e atingiu áreas de apoio ao solo, como depósitos de combustível e torres de controle. Poucos minutos depois, um segundo projétil colidiu com duas aeronaves de passageiros, provocando incêndio em uma delas enquanto ainda estava no pátio.
As autoridades confirmaram na sexta‑feira, 9 de outubro, que as três vítimas eram cidadãos sauditas, entre eles o capitão Hamoud Ali Alkalthami, piloto da companhia aérea nacional Saudia. A empresa informou que o avião atingido não transportava passageiros no momento da explosão, mas o fogo se alastrou rapidamente, exigindo a evacuação de todo o pessoal de solo presente.
Além dos mortos, dezenas de civis e funcionários do aeroporto sofreram ferimentos de diferentes gravidades, sendo encaminhados para hospitais da capital. Os relatos de testemunhas apontam para uma sensação de pânico generalizado, com gritos e correria para as áreas de segurança enquanto as chamas consumiam parte da estrutura.
Impacto nas companhias aéreas e no tráfego aeroportuário
Imediatamente após os ataques, as companhias Air India e Lufthansa anunciaram a suspensão de todos os voos programados para Riade, citando risco à segurança de passageiros e tripulação. Outras operadoras, como a Emirates e a Qatar Airways, emitiram alertas de atraso e reprogramaram rotas para aeroportos alternativos na região.
De acordo com a empresa de análise de tráfego aéreo Cirium, quase metade dos voos previstos para o dia foram cancelados, gerando um efeito dominó nas conexões internacionais. O número de partidas programadas caiu de 140 para cerca de 70, provocando atrasos significativos para viajantes de negócios e turistas.
O aeroporto conseguiu retomar parcialmente as operações às 18h (horário local) da mesma quinta‑feira, porém com restrições de pista e com a presença reforçada de equipes de segurança e bombeiros. A Saudia, ainda em luto, manteve a maioria de seus voos suspensos por 48 horas para avaliação de danos e inspeções de segurança.
- Voos cancelados: ~70
- Companhias suspensas: Air India, Lufthansa, Emirates (parcial)
- Operações normalizadas: 18h de 8/10
Contexto geopolítico e consequências regionais
Os ataques ocorrem em meio a uma escalada do conflito entre os hutis iemenitas e a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que lançou, no último fim de semana, uma grande ofensiva terrestre e aérea contra posições rebeldes no norte do Iêmen. Essa nova fase da guerra já provocou o deslocamento de mais de 200 mil pessoas, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Na quarta‑feira anterior, os hutis haviam disparado mísseis balísticos e drones contra o Aeroporto Internacional de Aden, no sul do Iêmen, quase atingindo um voo proveniente do Cairo. Esses incidentes evidenciam a capacidade crescente do grupo de projetar poder aéreo além das fronteiras iemenitas, ameaçando rotas comerciais críticas no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el‑Mandeb.
O Estreito de Bab el‑Mandeb, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, tem sido alvo de ataques frequentes desde que o grupo, apoiado por Teerã, intensificou sua presença na costa do Mar Vermelho. A região ganhou ainda mais importância estratégica após a interrupção parcial do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz, consequência direta das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Em resposta, a China emitiu um apelo ao Irã para conter os rebeldes hutis, destacando a preocupação de Pequim com a segurança das rotas marítimas que abastecem suas fábricas. Enquanto isso, forças ligadas ao governo iemenita avançam em uma contra‑ofensiva para retomar áreas estratégicas próximas a Bab el‑Mandeb e à cidade portuária de Mocha, capturada pelos hutis em setembro.
Analistas de segurança apontam que a capacidade dos hutis de lançar ataques de longo alcance contra alvos civis e militares pode mudar o cálculo estratégico da coalizão saudita, que agora precisa dividir recursos entre a defesa de infraestruturas críticas e a continuação da ofensiva terrestre no Iêmen. A ONU alerta que três em cada quatro famílias iemenitas já enfrentam fome, e a intensificação dos combates pode agravar ainda mais a crise humanitária.
O incidente também reacendeu o debate interno na Arábia Saudita sobre a vulnerabilidade de suas instalações estratégicas a ataques de grupos não‑estatais. Autoridades de defesa civil anunciaram a revisão dos protocolos de segurança aeroportuária, incluindo a instalação de sistemas de defesa antimíssil de última geração e o aumento da presença de forças de segurança nas áreas de embarque.
Com o mundo observando atentamente, o futuro da estabilidade no Oriente Médio permanece incerto. Enquanto as negociações diplomáticas entre Washington e Teerã continuam estagnadas, o risco de novos ataques a infraestruturas civis, como aeroportos e portos, permanece elevado, exigindo vigilância constante por parte das autoridades sauditas e de seus parceiros internacionais.








