O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta‑feira (8) que vai tratar como inimigo qualquer pessoa que não adote a designação “superinteligência” para se referir à inteligência artificial. A medida foi feita durante um discurso em Washington, logo após a Assembleia‑Geral da ONU, realizada em setembro passado. A proposta já foi formalizada por meio de um decreto que obriga os órgãos federais a utilizarem o novo termo.
A proposta de mudança terminológica
Trump argumenta que a expressão “inteligência artificial” tem gerado medo e confusão entre a população americana. Segundo ele, a palavra “superinteligência” transmite uma ideia de avanço tecnológico positivo e de controle estratégico. O presidente ainda citou que o termo soa “muito melhor” e que ajudará a melhorar a percepção pública sobre as inovações digitais.
Durante a Assembleia‑Geral da ONU, ele havia antecipado a mudança, dizendo que a nova nomenclatura refletiria melhor o potencial das tecnologias emergentes. Embora a iniciativa pareça simbólica, o decreto assinado logo depois impõe o uso obrigatório nos documentos oficiais, relatórios e comunicações internas do governo.
O presidente não detalhou como aplicará a ameaça de considerar alguém inimigo, mas afirmou que a falta de adesão ao novo vocabulário será vista como oposição à política nacional de tecnologia.
Reação do governo e do setor privado
Os departamentos federais começaram a atualizar seus sites, manuais e formulários para substituir “IA” por “superinteligência”. O Departamento de Comércio, por exemplo, já publicou um guia interno com orientações de estilo que inclui a nova terminologia.
Entretanto, a obrigatoriedade não se estende ao setor privado. Algumas empresas, no entanto, já adotaram a mudança de forma voluntária. A Meta, controlada por Mark Zuckerberg, passou a usar “superinteligência” em comunicações internas, enquanto Elon Musk, CEO da Tesla e aliado próximo de Trump, tem utilizado o termo em suas postagens no X.
Alguns analistas de mercado veem a iniciativa como parte de uma campanha maior para melhorar a imagem das tecnologias avançadas nos Estados Unidos, especialmente diante das crescentes preocupações com a segurança de dados e a resistência a novos centros de processamento.
- Decreto assinado pelo presidente em 8 de setembro de 2026;
- Atualização de guias de estilo em agências federais;
- Uso voluntário do termo por grandes empresas de tecnologia;
- Possível sanção simbólica para quem descumprir a orientação.
Implicações políticas e sociais
A medida pode gerar tensão entre o governo e grupos críticos que já protestam contra a expansão de centros de dados nos EUA. Organizações de defesa de privacidade alertam que a mudança de nome não resolve questões de vigilância ou de uso indevido de dados.
Ao mesmo tempo, defensores da tecnologia argumentam que a nova nomenclatura pode ajudar a reduzir o estigma associado à IA, incentivando investimentos e pesquisas em áreas como aprendizado de máquina avançado e robótica.
Especialistas em comunicação política apontam que rotular opositores como “inimigos” pode aprofundar a polarização, especialmente em um cenário em que as redes sociais já amplificam discursos extremos.
Além disso, a iniciativa levanta dúvidas sobre a efetividade de decretos que alteram apenas a linguagem, sem mudanças concretas nas políticas de regulação, segurança e ética das tecnologias emergentes.
Em entrevistas subsequentes, Trump reforçou que a mudança de vocabulário faz parte de um plano maior para posicionar os EUA como líder global em “superinteligência” e garantir que o país mantenha vantagem competitiva frente a China e à União Europeia.
Observadores internacionais acompanham de perto a situação, pois a imposição de um termo oficial pode influenciar normas internacionais sobre IA e criar precedentes para outras nações que busquem controlar narrativas tecnológicas.
Enquanto isso, o público americano permanece dividido: alguns celebram a tentativa de rebatizar a tecnologia como um sinal de progresso, enquanto outros temem que a retórica agressiva possa mascarar questões reais de privacidade e controle.
O futuro da terminologia ainda é incerto, mas o decreto já entrou em vigor e será monitorado por órgãos reguladores, acadêmicos e pela sociedade civil nos próximos meses.








