O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta‑feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta rompeu a deflação de 0,32% observada em agosto, marcando a primeira reversão de tendência nos últimos dois meses. O resultado foi registrado em todo o território nacional, com destaque para as regiões Sudeste e Sul.
Causas da alta em setembro
Vários fatores contribuíram para a elevação dos preços no último mês. Primeiro, o reajuste nas tarifas de energia elétrica, especialmente nas áreas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, aumentou a conta de luz dos consumidores em média 4,5%.
Segundo, o preço dos combustíveis registrou alta de 6,2% devido à elevação do preço internacional do petróleo e à desvalorização do real frente ao dólar. Essa variação impactou diretamente o custo de transporte de mercadorias, refletindo nos preços de alimentos e produtos industrializados.
Terceiro, a inflação de alimentos foi puxada para cima pelos aumentos nos preços de carnes, hortaliças e cereais, que sofreram pressões de safra curta e custos logísticos maiores. Por fim, o cenário de expectativa inflacionária dos agentes econômicos elevou a pressão sobre os preços de serviços, como telecomunicações e saúde.
- Tarifa de energia elétrica: +4,5%
- Combustíveis: +6,2%
- Alimentos: +3,8%
- Serviços: +2,9%
Comparativo com meses anteriores
De janeiro a setembro, a inflação acumulou alta de 3,95%, indicando um ritmo moderado nos primeiros trimestres do ano. Nos últimos 12 meses, porém, a variação chegou a 4,58%, ultrapassando a meta oficial de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Em agosto, o IPCA registrou deflação de 0,32%, a maior queda mensal desde agosto de 2022, impulsionada principalmente pela queda nos preços de bens duráveis e pela redução dos custos de transporte. Essa queda, entretanto, foi temporária e não conseguiu conter a tendência de alta observada nos demais setores.
Quando comparado ao mesmo período de 2025, a inflação de setembro de 2024 foi de 0,48%, evidenciando que o ritmo de aumento dos preços está se acelerando. Esse cenário pressiona o Banco Central a avaliar a necessidade de ajustes na taxa básica de juros (Selic) para manter a estabilidade de preços.
Impactos para consumidores e política monetária
Para o consumidor final, a alta de 0,82% significa aumento nas despesas mensais, sobretudo nas contas de energia, combustível e alimentação. Famílias de baixa renda, que destinam maior parte da renda a esses itens, sentem o efeito de forma mais aguda, o que pode gerar aumento da vulnerabilidade econômica.
Do ponto de vista da política monetária, o Banco Central monitora de perto o índice de 12 meses, que já ultrapassou o teto da meta de 4,5%. Caso a tendência de alta se mantenha, é provável que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve a taxa Selic em sua próxima reunião, buscando conter a inflação.
Além disso, o cenário inflacionário afeta as decisões de investimento das empresas, que podem postergar projetos de expansão ou ajustar preços de seus produtos para preservar margens de lucro. O ambiente de incerteza também pode influenciar o crédito ao consumo, com instituições financeiras revisando critérios de concessão.
Em resumo, a alta de setembro sinaliza um retorno da pressão inflacionária após um breve período de alívio. O acompanhamento próximo dos indicadores de preços, bem como das decisões do Banco Central, será crucial para entender os rumos da economia nos próximos trimestres.








