O dólar iniciou a sessão de negociação na terça‑feira, 6 de outubro, em queda de 0,5%, cotado a R$ 4,9761. O recuo ocorreu logo após o primeiro turno das eleições presidenciais, que movimentou os mercados em São Paulo.
Desempenho do Dólar e do Ibovespa
Nas primeiras horas de negociação, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, ainda não havia aberto, mas as expectativas eram de continuidade da alta registrada no dia anterior. Na véspera, o índice subiu 7,70%, atingindo 206.904 pontos, a maior alta desde março de 2020 e ultrapassando a marca histórica de 200 mil pontos.
Analistas apontam que a valorização do real, impulsionada pelos resultados eleitorais, contribuiu para a pressão descendente sobre a moeda norte‑americana. O cenário de menor risco cambial favoreceu ativos de renda fixa e ações de empresas exportadoras.
Além disso, o EWZ, fundo de índice de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, avançou mais de 10% após a divulgação dos resultados das urnas, refletindo a confiança dos investidores estrangeiros no mercado interno.
Impacto Político nas Expectativas de Mercado
O primeiro turno das eleições presidenciais trouxe surpresa ao colocar Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do candidato do PT. Essa inversão de cenário fez com que gestores de fundos revisassem suas projeções para o segundo turno, previsto para 25 de outubro.
Especialistas destacam que uma vitória do candidato do PL poderia levar a mudanças na política fiscal, incluindo possíveis revisões da carga tributária e ajustes nas metas de gasto público. Essas perspectivas alimentam a expectativa de fortalecimento do real e de maior atratividade para investimentos domésticos.
Os efeitos políticos também se estendem ao Congresso, onde o PL conquistou 19 dos 54 senadores eleitos, garantindo 28 cadeiras no Senado a partir de 2027, a maior bancada de um único partido desde a Constituição de 1988.
- Possível revisão da política fiscal;
- Reavaliação das metas de inflação;
- Impacto nas reformas estruturais, como a da previdência;
- Aumento da participação do PL no Legislativo.
Essas variáveis são monitoradas de perto pelos investidores, que buscam entender como as alianças partidárias pós‑eleição podem influenciar a agenda econômica do país.
Cenário Internacional e Perspectivas Futuras
Enquanto o Brasil ajusta suas expectativas internas, o mercado global acompanha atentamente a agenda do Federal Reserve (Fed) e os indicadores de emprego nos Estados Unidos. As declarações recentes de dirigentes do Fed sugerem cautela diante de sinais de inflação persistente, o que pode manter a taxa de juros em patamares elevados por mais tempo.
A balança comercial brasileira também está no radar dos analistas. Dados preliminares apontam para um superávit crescente, impulsionado pelas exportações de commodities e pela demanda externa por produtos manufaturados.
Na Ásia, a maioria dos mercados fechou em alta, destacando o otimismo em torno das ações ligadas à inteligência artificial. O índice Nikkei, do Japão, subiu 1,05%; o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1%; e o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,89%.
Com a próxima reunião do Fed prevista para o final do mês, os investidores continuam buscando sinais de possíveis alterações na política monetária americana, que podem reverberar nos fluxos de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil.








