Na segunda‑feira, 5 de setembro, o chefe de Clima da ONU alertou que o calor extremo está elevando significativamente o risco de partos prematuros e de óbitos fetais, enquanto líderes globais se reúnem em Fiji para o fórum pré‑COP que antecede a COP31.
Impactos do calor extremo na saúde materno‑infantil
Estudos recentes mostraram que mais de dois terços dos profissionais de saúde em cinco continentes registraram um aumento de complicações obstétricas relacionadas ao calor intenso nos últimos cinco anos, incluindo trabalho de parto precipitado e baixo peso ao nascer.
O aumento da temperatura corporal materna pode reduzir o fluxo sanguíneo uterino, comprometendo a oxigenação do feto e desencadeando respostas fisiológicas que culminam em partos prematuros ou até em perdas gestacionais.
Além do risco imediato, os recém‑nascidos expostos a ambientes excessivamente quentes tendem a apresentar maior vulnerabilidade a infecções, dificuldades respiratórias e problemas de desenvolvimento neurológico a longo prazo.
Fórum pré‑COP em Fiji: urgência climática em foco
O encontro, realizado em Nadi, Fiji, e em Tuvalu, reúne representantes de governos, organizações não‑governamentais e especialistas para discutir as consequências concretas das mudanças climáticas em populações vulneráveis, como as gestantes do Pacífico Sul.
Simon Stiell, chefe de Clima da ONU, enfatizou que a inação pode transformar projeções de risco em tragédias reais, especialmente em regiões onde o aumento do nível do mar já está submergindo comunidades costeiras.
Participantes destacaram que a falta de infraestrutura sanitária e a escassez de recursos médicos agravam ainda mais os efeitos do calor, criando um ciclo de vulnerabilidade que exige respostas coordenadas e financiamentos urgentes.
Desafios financeiros e a necessidade de uma transição justa
Os países em desenvolvimento precisam entre 310 e 365 bilhões de dólares para adaptar suas economias e sistemas de saúde ao clima, mas apenas 26 bilhões estavam disponíveis em 2023, segundo relatório da ONU.
Lynda Tabuya, ministra do Clima de Fiji, pediu compromissos claros dos países industrializados para financiar energia renovável, reforçar a resiliência das comunidades costeiras e garantir que a transição energética seja equitativa.
A Austrália, que preside as negociações da COP31, foi criticada por ativistas que apontam seu forte apoio ao carvão como um “discurso duplo”, exigindo que o país converta promessas em ações concretas de descarbonização.
Compromissos e ações recomendadas
Para enfrentar a crise climática que afeta gestantes e recém‑nascidos, especialistas sugerem um conjunto de medidas que podem ser adotadas imediatamente pelos governos e pela sociedade civil:
- Investir em centros de saúde climatizados e em protocolos de monitoramento térmico para gestantes.
- Expandir programas de energia solar e eólica em comunidades vulneráveis, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
- Estabelecer fundos de emergência para deslocamento de populações costeiras, como o plano de migração de Tuvalu.
- Promover campanhas de educação pública sobre os riscos do calor extremo durante a gravidez.
Essas ações, combinadas com metas ambiciosas de redução de emissões, podem diminuir a incidência de partos prematuros e salvar milhares de vidas infantis nos próximos anos.
O primeiro‑ministro de Tuvalu, Feleti Teo, reforçou que o aumento do nível do mar já é uma realidade presente, e que a comunidade internacional deve agir agora para proteger as gerações futuras, inclusive as que ainda estão no útero.








