Romeu Zema, candidato do Novo à presidência da República, foi um dos principais derrotados nas eleições de 2024, terminando em sexto lugar com apenas 0,27% dos votos válidos. A votação ocorreu em outubro de 2024, abrangendo todo o território nacional. O resultado evidencia uma redução drástica quando comparado à sua vitória nas urnas de Minas Gerais em 2022.
Contexto da candidatura de Romeu Zema
Antes de almejar o cargo mais alto do país, Zema consolidou sua trajetória política como governador de Minas Gerais, eleito pela primeira vez em 2018 e reeleito em 2022. Seu governo foi marcado por políticas de austeridade fiscal e investimentos em infraestrutura, o que lhe rendeu apoio significativo dentro do estado.
Em 2022, Zema recebeu 6.094.136 votos, equivalentes a 56,18% do total de eleitores, derrotando o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que obteve 35,08% dos votos. Essa vitória no primeiro turno consolidou sua imagem como líder regional forte e ampliou as expectativas de seu partido para as eleições presidenciais.
A decisão de concorrer à presidência foi anunciada em julho de 2023, durante um comício em Belo Horizonte, onde Zema prometeu levar a agenda de eficiência e redução de gastos ao governo federal. A campanha nacional, porém, enfrentou desafios logísticos e financeiros, já que o Novo possui estrutura de campanha mais modesta comparada aos grandes partidos tradicionais.
Desempenho nas urnas em 2024
Nas eleições de outubro de 2024, Zema recebeu apenas 326.488 votos em todo o país, representando 0,27% do total de votos válidos. Esse número corresponde a menos de um terço de um por cento do apoio que obteve em Minas Gerais quatro anos antes.
A diferença entre os resultados de 2022 e 2024 pode ser ilustrada pelos seguintes números:
- Votos em 2022 (governador): 6.094.136
- Percentual em 2022: 56,18%
- Votos em 2024 (presidente): 326.488
- Percentual em 2024: 0,27%
- Redução aproximada: 19 vezes menos votos
Além da queda percentual, a distribuição geográfica dos votos também mostrou concentração quase exclusiva em Minas Gerais, onde Zema ainda manteve algum apoio residual. Nos demais estados, o candidato recebeu menos de 0,1% dos votos, indicando dificuldade de penetração em mercados eleitorais fora de sua base regional.
O ranking final da eleição colocou Zema em sexto lugar, atrás de outros candidatos da chamada “terceira via”, que também não conseguiram romper o duplo bipartidarismo tradicional. Essa posição reflete tanto a limitação de recursos quanto a falta de alianças estratégicas no cenário nacional.
Análise da queda e fatores explicativos
Especialistas apontam que a transição de um cenário estadual para um nacional requer uma estrutura de campanha muito mais robusta, algo que o Novo não conseguiu alcançar plenamente. A falta de acordos de coalizão com partidos maiores limitou a exposição de Zema em debates e programas de grande audiência.
Outro ponto crítico foi a estratégia de comunicação. Enquanto nas eleições estaduais Zema utilizou intensamente a mídia local e redes sociais segmentadas, a campanha presidencial não conseguiu adaptar essa abordagem para o público diversificado do Brasil, resultando em mensagens pouco ressonantes em regiões fora de Minas Gerais.
O contexto econômico e a polarização política também desempenharam papéis importantes. Em 2024, o eleitorado mostrou preferência por candidatos com propostas mais claras de alianças internacionais e políticas de segurança, áreas nas quais Zema não ofereceu diferenciais marcantes.
Além disso, o desempenho do Novo nas eleições legislativas simultâneas foi modesto, o que reduziu ainda mais a visibilidade do partido e, por consequência, a capacidade de atrair eleitores indecisos para a candidatura presidencial.
Por fim, a comparação numérica evidencia a magnitude da diferença: 326.488 votos representam menos de 5% do total de eleitores que participaram da eleição em Minas Gerais em 2022. Essa discrepância demonstra que a base de apoio de Zema, embora forte no âmbito estadual, não se traduziu em apoio nacional.
Em síntese, a derrota de Zema ilustra os desafios que partidos menores enfrentam ao tentar escalar sua atuação de um cenário regional para o nacional. A lição extraída sugere que, para futuros pleitos, será imprescindível investir em alianças estratégicas, ampliar a presença midiática e adaptar a mensagem a um público mais heterogêneo.








