Nas eleições estaduais de 2026, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) registrou que 16 das 70 cadeiras serão ocupadas por mulheres a partir de 1º de fevereiro de 2027. O resultado demonstra que, embora as mulheres representem menos de um quarto dos candidatos eleitos, elas lideram o ranking dos mais votados.
Distribuição de cadeiras femininas na nova legislatura
Dos 70 lugares da Alerj, 16 ficarão com deputadas, o que corresponde a aproximadamente 23% do total. Esse número é idêntico ao da legislatura anterior, quando 15 mulheres foram eleitas.
Os partidos que mais contribuirão para essa presença feminina são o PT (4), o PL (3), o PSD (3) e o PSOL (3). Além desses, o PCdoB, o PDT e o Republicanos terão ao menos uma parlamentar cada.
- PT – 4 mulheres
- PL – 3 mulheres
- PSD – 3 mulheres
- PSOL – 3 mulheres
- PCdoB, PDT e Republicanos – 1 mulher cada
Quem são as mulheres entre os dez mais votados
Entre os dez candidatos que mais receberam votos, cinco são mulheres, representando 50% do topo da lista. Essa proporção se desfaz à medida que a lista avança, mas o destaque no ranking evidencia a força feminina nas urnas.
Índia Armelau (PL) liderou a disputa com 248.504 votos, quase 3% do eleitorado. Ex‑atleta de CrossFit e nadadora profissional, ela foi eleita pela primeira vez em 2022 e agora supera em quatro vezes o número de votos obtido na eleição anterior.
No seu blog, Armelau enfatiza a proteção das mulheres na segurança pública, programas de apoio psicológico e o acesso ao esporte para pessoas com deficiência. Nas redes, acumula quase um milhão de seguidores e apoia Flávio Bolsonaro (PL) e Douglas Ruas (PL).
Renata Souza (PT) conquistou 176.871 votos (pouco mais de 2% do eleitorado) e ficou em terceiro lugar. Jornalista e doutora em comunicação, trabalhou com Marcelo Freixo e foi chefe de gabinete de Marielle Franco.
Suas propostas focam nos direitos das mulheres, melhorias nas favelas e periferias, e preservação ambiental. Autor de lei sancionada em setembro de 2025, instituiu políticas estaduais de apoio à economia do cuidado.
Dani Balbi (PSOL) recebeu 169.474 votos, ocupando a quarta posição. Professora e doutora em literatura, foi a primeira mulher transgênero a integrar a Alerj em 2022.
Balbi defende cotas para pessoas trans em universidades estaduais, tarifa zero no transporte público e piso salarial para profissionais da educação. Nas redes sociais, manifesta apoio ao presidente Lula (PT).
Elika Takimoto (PSOL) ficou em sétimo lugar com 135.271 votos. Professora, escritora, física e mestre em história das ciências, ela lidera a Comissão de Ciência e Tecnologia da Alerj.
Suas bandeiras incluem acessibilidade educacional, proteção das mulheres e direitos das pessoas com deficiência.
Gabriela (PSOL) obteve 96.267 votos, tornando‑se a décima mais votada. Médica cardiologista, foi eleita pela primeira vez para a Alerj, trazendo a perspectiva da saúde ao legislativo.
Perfil das parlamentares eleitas e suas principais bandeiras
As cinco mulheres no topo da lista compartilham alguns pontos de convergência, apesar das diferenças partidárias.
- Defesa dos direitos das mulheres e combate à violência de gênero.
- Ampliação de políticas de saúde mental e apoio psicológico.
- Promoção da inclusão de pessoas com deficiência em todas as esferas públicas.
- Incentivo ao esporte como ferramenta de inclusão social.
- Compromisso com a educação pública de qualidade e valorização dos profissionais.
Entretanto, cada parlamentar traz também demandas específicas ligadas à sua trajetória.
Armelau destaca a segurança pública e o esporte adaptado; Souza foca na economia do cuidado e no meio ambiente; Balbi prioriza cotas trans e transporte gratuito; Takimoto investe em ciência e tecnologia; Gabriela traz a perspectiva da saúde cardiovascular.
Desafios e perspectivas para a representatividade feminina
Embora a presença de mulheres entre os mais votados seja um avanço, elas ainda ocupam menos de um quarto das cadeiras totais. Isso evidencia a necessidade de políticas que incentivem a candidatura feminina e reduzam barreiras estruturais.
Programas de financiamento de campanha, treinamento de lideranças femininas e cotas internas nos partidos são estratégias apontadas por especialistas para ampliar a representatividade.
Além disso, a mídia tem papel crucial ao dar visibilidade às candidatas e ao evitar estereótipos de gênero que possam prejudicar a percepção do eleitorado.
Com a nova legislatura, espera‑se que as deputadas eleitas fortaleçam pautas de igualdade de gênero, ampliem a participação das mulheres em comissões estratégicas e influenciem a agenda legislativa em áreas como saúde, educação e segurança.
O desempenho das cinco mulheres no topo da lista pode servir de exemplo para futuras eleições, mostrando que a população está disposta a eleger lideranças femininas quando suas propostas são claras e alinhadas com as demandas sociais.
Em síntese, a Alerj de 2027 inicia com um número histórico de mulheres entre os mais votados, mas ainda enfrenta o desafio de transformar essa presença em maior representatividade dentro do plenário.








