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Neurocientista brasileiro destaca o impacto da optogenética premiada com Nobel

Em 2 de outubro de 2024, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de Medicina em Estocolmo, três cientistas foram laureados por descobertas que transformaram a forma como estudamos o cérebro. O neurocientista brasileiro Victor Santos, da UFMG, explicou como a optogenética, nascida de uma curiosa pergunta sobre algas, está revolucionando a neurociência.

A descoberta que rendeu o Nobel

A premiação reconheceu Karl Deisseroth, dos Estados Unidos, e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel por desenvolverem canais iônicos controlados por luz. Esses canais permitem ativar ou inibir neurônios com precisão de milissegundos, algo impensável nas técnicas tradicionais.

Segundo Santos, antes dos anos 2000 a neurociência dependia de correlações observacionais. Ver uma região cerebral acender durante um comportamento não era suficiente para provar causalidade. A introdução de proteínas de algas sensíveis à luz nos neurônios mudou esse panorama.

Como a optogenética revolucionou a neurociência

Com a nova ferramenta, os pesquisadores podem “ligar” e “desligar” circuitos específicos e observar, em tempo real, o efeito sobre memória, emoção ou movimento. Essa capacidade converte hipóteses antigas em experimentos controlados.

A técnica tem sido aplicada para mapear os circuitos que sustentam:

  • Medo e ansiedade
  • Vício e dependência
  • Depressão
  • Doença de Parkinson
  • Epilepsia

Em modelos animais, a optogenética já permitiu interromper crises epilépticas ao silenciar, exatamente no momento e local críticos, os neurônios responsáveis pelo gatilho.

Esses resultados não apenas aprofundam o entendimento básico, mas também orientam o desenvolvimento de novos fármacos e o aprimoramento de terapias já existentes, como a estimulação cerebral profunda.

Desafios e perspectivas clínicas

Embora os avanços laboratoriais sejam impressionantes, a transição para a clínica ainda está em fase inicial, alerta Santos. Levar o gene que codifica o canal sensível à luz e a própria luz até as células humanas de forma segura requer extensos testes.

Os primeiros ensaios clínicos focam em restaurar parte da visão em pacientes com degeneração retiniana. Paralelamente, equipes investigam implantes auditivos que utilizam luz para estimular o nervo auditivo.

Além da retina, pesquisadores estão estudando a possibilidade de usar a optogenética para modular circuitos envolvidos em transtornos psiquiátricos, mas reconhecem que ainda há barreiras éticas e técnicas a superar.

Victor Santos enfatiza que, independentemente do prazo para a aplicação clínica, o legado da optogenética já é imenso. Ela abriu um novo caminho para a biologia de sistemas, permitindo perguntas que antes eram impossíveis de responder.

O futuro da neurociência, portanto, parece cada vez mais iluminado por feixes de luz controlados geneticamente, transformando o modo como entendemos e tratamos o cérebro humano.

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