O governo federal determinou que os apostadores deverão retirar os valores depositados nas plataformas de apostas online até as 23h59 do dia 5 de outubro de 2026, em todo o território nacional. O prazo se encerra nesta segunda‑feira, antes que os sites sejam bloqueados oficialmente. Quem não cumprir a data perderá o acesso direto ao saldo, mas ainda terá direito à devolução pelos bancos.
Prazo final para saque e procedimentos de devolução
Os usuários têm até a meia‑noite de 5 de outubro para solicitar o resgate dos recursos mantidos nas chamadas “bets”. Após esse horário, as plataformas serão inacessíveis e os saldos ficarão indisponíveis para movimentação direta.
Se o apostador não realizar o saque dentro do prazo, a restituição será feita pelos bancos que mantêm contas vinculadas às casas de apostas. O governo informou que os repasses ocorrerão entre 9 e 14 de outubro, garantindo que todos os valores sejam devolvidos.
Para quem ainda não efetuou o resgate, o procedimento é simples:
- Entre na conta da plataforma de apostas;
- Localize a opção de saque ou transferência;
- Informe a conta bancária cadastrada;
- Confirme a operação e aguarde a confirmação por e‑mail ou SMS.
É importante observar que a devolução será limitada às apostas autorizadas até a data da medida. Qualquer valor proveniente de atividades não reconhecidas pelo governo não será contemplado.
Bloqueio das plataformas e orientações ao usuário
A partir da 0h do dia 6 de outubro, as lojas de aplicativos, provedores de internet e o CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil) deverão impedir o acesso aos sites e aplicativos de apostas.
Qualquer tentativa de acesso será redirecionada automaticamente para uma página institucional que explicará como proceder com o resgate dos valores e quais são as garantias de devolução.
Essa página conterá um passo a passo detalhado, além de um número de telefone exclusivo para esclarecimento de dúvidas. O objetivo é evitar que usuários fiquem desinformados ou percam recursos por desconhecimento.
Os principais canais de comunicação que receberão o redirecionamento são:
- Browser de computadores e celulares;
- Aplicativos de apostas instalados;
- Links compartilhados em redes sociais.
Em todos esses casos, a mensagem será padronizada, reforçando a necessidade de retirar o saldo antes da data limite.
Impactos econômicos e políticos da proibição
A medida faz parte de um pacote de ações econômicas voltado ao combate ao endividamento das famílias brasileiras. O governo estima que as apostas online retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento familiar em 2025, o que representa cerca de 0,68% da renda disponível.
Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal apontou que, entre outubro de 2024 e março de 2026, a saída líquida média foi de R$ 4,7 bilhões por mês.
No setor esportivo, as casas de apostas investiram R$ 1,1 bilhão em patrocínios de clubes de futebol em 2025, correspondendo a 36% das receitas de marketing desses times. Esse fluxo de recursos será interrompido, gerando impacto nas finanças de clubes que dependiam desses patrocínios.
Politicamente, a proibição surge na reta final do primeiro turno das eleições, acompanhando críticas frequentes do presidente Lula ao modelo de apostas, que ele descreve como “vício em lucro” e “destruidor de lares”.
Nos últimos dias, o presidente reforçou o discurso em atos de campanha, especialmente em Recife (PE), onde alertou que “não é correto gastar o que não tem para tentar ganhar o que não existe”.
Reações do setor e perspectivas futuras
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou o estudo que embasa a medida, alegando que ele contém “erros graves” e ignora fatores macroeconômicos, como o aumento do uso do PIX para pagamentos.
Apesar da contestação, a arrecadação de impostos sobre as casas de apostas já ultrapassou R$ 15,3 bilhões desde o início de 2025, com R$ 8,94 bilhões provenientes do último ano fiscal. Esses recursos têm sido fundamentais para o cumprimento das metas fiscais do governo.
Com a proibição, espera‑se que o setor busque alternativas, como a migração para plataformas offshore ou a criação de novos modelos de jogos que escapem à regulamentação atual.
Para os consumidores, a principal preocupação permanece a proteção dos recursos já investidos. As autoridades garantem que a devolução será feita de forma transparente, mas recomendam que os usuários mantenham documentos comprobatórios de suas transações.
Em resumo, o prazo final para saque das bets encerra nesta segunda‑feira, e o bloqueio das plataformas está programado para o dia seguinte. O governo reforça que a medida visa proteger a população e equilibrar as contas públicas, enquanto o setor tenta se adaptar a um novo cenário regulatório.







