Nas eleições de 2026, a candidata do Partido Progressista (PP) conquistou 49,93% dos votos no primeiro turno, garantindo vaga no segundo turno contra o petista Leandro Grass, que obteve 34,47%. A votação ocorreu no domingo, 4 de outubro, em todo o Distrito Federal.
Contexto político recente do DF
Desde 2018, o eleitorado da capital tem se inclinado para a direita, iniciando com a vitória de Ibaneis Rocha (MDB), que superou o então governador Rodrigo Rollemberg (PSB) por mais do que o dobro dos votos. Antes desse ciclo, Agnelo Queiroz (PT) comandou o governo entre 2011 e 2015.
O panorama atual reflete uma continuidade desse viés, com a governadora atual e seu principal adversário preparando-se para o debate que ocorrerá em três semanas. Analistas apontam uma forte probabilidade de reeleição da mandatária, que assumiu o cargo após romper com Ibaneis, de quem foi vice até março deste ano.
Crise e escândalos envolvendo o ex-governador
Ibaneis Rocha foi afastado do cargo por 65 dias por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, enquanto era investigado por suposta omissão nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Após o retorno, ele planejava deixar o Palácio do Buriti para concorrer ao Senado.
No entanto, seu plano desmoronou quando o escândalo do Banco Master veio à tona. O ex-governador foi acusado de usar sua influência para que o Banco de Brasília (BRB) adquirisse 58% do capital da instituição de Daniel Vorcaro, mesmo ciente de fraudes e títulos de alto risco.
Com o escândalo, Ibaneis desistiu de disputar as eleições de 2026, deixando o cenário aberto para novos protagonistas.
Estratégia de Celina Leão frente ao problema do BRB
Durante a campanha, Celina buscou se distanciar do rombo de mais de 8 bilhões de reais deixado no BRB pelo seu antecessor. Ela se posicionou como a gestora capaz de encontrar solução para salvar a instituição, que tem o DF como acionista majoritário.
A principal proposta da candidata é obter um empréstimo de 6,6 bilhões de reais junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mediado pelo Supremo Tribunal Federal. O FGC, porém, exige a publicação dos balanços do BRB para 2025 e dos primeiros trimestres de 2026, documentos ainda não disponíveis.
Além da questão financeira, a campanha de Celina contou com alianças estratégicas que reforçaram sua imagem conservadora:
- Michelle Bolsonaro (PL), eleita ao Senado com 29,05% dos votos;
- Damares Alves (Republicanos), senadora e figura de destaque no cenário nacional;
- Outros lideres regionais alinhados ao discurso de direita.
Essas três políticas costumam aparecer juntas em eventos públicos, demonstrando amizade e apoio mútuo. Um exemplo marcante foi a visita de Michelle e Damares ao hospital quando Celina foi internada com pneumotórax em maio.
Perspectivas para o segundo turno
O debate que ocorrerá em três semanas será decisivo para definir a narrativa da campanha. Celina deverá enfatizar sua proposta de estabilizar o BRB e sua aliança com figuras conservadoras, enquanto Grass buscará retomar a agenda progressista e criticar a gestão atual.
Analistas de mercado político apontam que a votação de 2026 reforça a consolidação de uma onda direitista no Distrito Federal, mas alertam que o segundo turno ainda pode apresentar reviravoltas, sobretudo se surgirem novas denúncias ou se a oposição conseguir mobilizar eleitores indecisos.
Independentemente do resultado, o cenário eleitoral do DF demonstra que questões econômicas, escândalos de corrupção e alianças ideológicas são fatores determinantes para o voto dos cidadãos.








