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Conflito interno no Banco Central sobre a investigação das fraudes no Master envolve diretor e ex‑chefe de supervisão

Em depoimentos à Polícia Federal, o ex‑chefe‑adjunto de supervisão bancária do Banco Central, Paulo Sérgio de Souza, e o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, apresentaram versões distintas sobre a comunicação de indícios de fraude nas operações do fundo Master. Os relatos foram colhidos ao longo de 2024, em São Paulo, e revelam divergências quanto ao momento e à forma como o órgão centralizou as informações.

Contexto da investigação

A Polícia Federal iniciou a apuração após identificar irregularidades nas transações do fundo Master, controlado por Daniel Vorcaro, ex‑dono da gestora Reag. As suspeitas ganharam força quando, em setembro de 2024, a equipe de supervisão do Banco Central detectou inconsistências nos relatórios de ativos e de liquidez do fundo.

Segundo documentos internos, a descoberta teria sido feita por analistas subordinados a Paulo Sérgio, que então elaboraram um relatório preliminar. Esse relatório foi encaminhado à cúpula da autarquia, que incluiu o presidente Gabriel Galípolo e o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino.

A partir desse ponto, o Banco Central teria preparado uma apresentação para a Polícia Federal e o Ministério Público, contendo os principais achados sobre o Master. No entanto, a própria apresentação não citou o fundo Bravo, que foi apontado como o primeiro ponto de alerta da fraude.

Depoimentos divergentes

Durante a oitiva, Paulo Sérgio descreveu a postura de seu superior como “estranha” e acusou Ailton de Aquino de minimizar a gravidade da situação. Ele afirmou que a equipe sob sua coordenação foi a responsável por descobrir a fraude em setembro de 2024 e que a comunicação interna foi considerada satisfatória, originando a fase 1 do programa interno de compliance, denominado “Compliance Zero”.

Em contrapartida, o diretor Ailton de Aquino questionou a suposta omissão de Paulo Sérgio, alegando que o ex‑chefe‑adjunto não teria percebido a ausência de lastro nas operações do Master já em fevereiro de 2025, apesar de alertas internos sobre a manipulação de números.

Paulo Sérgio rebateu, afirmando que a percepção de fraude já existia desde o primeiro alerta em setembro de 2024 e que a equipe dele havia comunicado prontamente à hierarquia. Ele ainda acusou o presidente Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino de “fazerem de tudo para não falar” sobre a operação do fundo Bravo, gerando um clima de silêncio institucional.

  • Versão de Paulo Sérgio: equipe detectou fraude em setembro de 2024, comunicação adequada, silêncio da alta direção.
  • Versão de Ailton de Aquino: falta de percepção de fraude até fevereiro de 2025, suposta omissão de Paulo Sérgio.

Ambas as versões foram registradas em depoimentos formais à Polícia Federal, que agora avalia a consistência dos relatos para definir eventuais responsabilidades disciplinares dentro do Banco Central.

Possíveis implicações para o Banco Central

Se ficar comprovado que a alta direção deliberadamente ocultou informações sobre a fraude, o Banco Central pode enfrentar sanções administrativas e perda de credibilidade perante o mercado financeiro. A transparência na comunicação de riscos é um dos pilares da política regulatória, e qualquer desvio pode gerar repercussões negativas.

Além disso, a investigação pode levar à revisão de procedimentos internos de compliance, especialmente no que tange à comunicação entre áreas de supervisão e diretoria. O programa “Compliance Zero” pode ser reavaliado para garantir que alertas críticos sejam escalados sem interferências políticas.

Especialistas apontam que a situação pode também abrir espaço para mudanças na estrutura de governança do Banco Central, incluindo a criação de comitês independentes de auditoria que fiscalizem a atuação de diretores e chefes de departamentos.

Repercussões no mercado

A notícia de um possível encobrimento de fraude no fundo Master já provocou oscilações nos preços de ativos vinculados a instituições financeiras que mantêm relacionamento com o Banco Central. Investidores têm monitorado atentamente as declarações dos reguladores, temendo que a confiança nas práticas de supervisão seja abalada.

Analistas de mercado destacam que, caso as acusações se confirmem, pode haver um aumento na demanda por instrumentos de proteção, como seguros de crédito e fundos de hedge, que buscam mitigar riscos regulatórios.

Por outro lado, a própria investigação pode servir como um alerta para outras instituições financeiras, que deverão reforçar seus mecanismos de controle interno e de reporte de irregularidades, a fim de evitar situações semelhantes.

Em resumo, o embate entre Paulo Sérgio de Souza e Ailton de Aquino transcende um simples desentendimento interno e pode ter consequências amplas para a credibilidade do Banco Central, a estabilidade do sistema financeiro brasileiro e a percepção de risco dos investidores.

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