Lula e Fernando Haddad conduziram, na manhã de sábado (3), o último ato de campanha antes do primeiro turno das eleições, na Rua Augusta, em São Paulo. O evento, que começou por volta das 11h25, reuniu também o vice‑presidente Geraldo Alckmin, a senadora Marina Silva e a candidata Simone Tebet. A mudança de local, de Avenida Paulista para a Augusta, ocorreu após um impasse entre a campanha e a Prefeitura.
Contexto e preparação do ato
Os organizadores da caminhada haviam planejado inicialmente ocupar a Avenida Paulista, símbolo histórico de protestos e manifestações na capital paulista. A escolha da via visava atrair um grande público e reforçar a mensagem de vitória no primeiro turno. Entretanto, a logística exigia aprovação municipal e alinhamento com as determinações do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE‑SP).
Na véspera, a equipe de campanha ajustou detalhes de segurança, rotas de trânsito e pontos de apoio para eleitores. O trio elétrico, que seria o ponto central da marcha, foi posicionado na parte mais avançada da Rua Augusta, pronto para percorrer o trajeto definido pelos organizadores.
Impasses com a Prefeitura e o TRE
Na quinta‑feira (1º), a Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes, divulgou que não havia autorizado a ocupação da Paulista para o dia 3 de outubro. O comunicado citou uma requisição do TRE‑SP, que supostamente exigia que a avenida permanecesse livre nos dias 3, 4, 24 e 25 de outubro.
Entretanto, o próprio TRE‑SP esclareceu ao g1 que não havia proibido atos políticos na Paulista no sábado. A orientação municipal referia‑se apenas à necessidade de manter a avenida aberta à circulação de veículos no domingo, dia da votação.
Na sexta‑feira (2), o tribunal autorizou, por 5 votos a 1, a realização da “Caminhada Lula e Haddad”. A decisão anulou o ofício da Subprefeitura da Sé que considerava inviável o uso da Paulista e desaconselhava a utilização da Augusta.
Tensão entre organizadores e policiais
Antes da chegada dos candidatos, um conflito surgiu entre membros da organização do ato e policiais militares que acompanhavam o evento. Os PMs solicitaram que o trio elétrico avançasse pela avenida antes da chegada oficial dos líderes, alegando necessidade de controle de fluxo.
Os organizadores recusaram o pedido, argumentando que a ordem de passagem já estava definida e que mudar o percurso poderia gerar confusão entre os manifestantes. O impasse gerou vaias e gritos de “fascistas” por parte do público presente.
A Polícia Militar, em nota oficial, afirmou que não havia impedimento ao trajeto desejado pelos manifestantes até aquele momento, reforçando que a segurança seria mantida dentro dos parâmetros legais.
Reações de lideranças e impacto na campanha
A primeira‑dama Janja Lula da Silva aproveitou o microfone para enfatizar a importância do voto feminino e criticar o prefeito Ricardo Nunes. Ela declarou que a Avenida Paulista seria ocupada pelos apoiadores no domingo, dia da votação, e que a prefeitura não impediria a manifestação popular.
Janja afirmou: “Amanhã não tem não, senhor prefeito Ricardo Nunes. Amanhã a Paulista é nossa. Você vai plantar batata porque amanhã vamos comemorar no primeiro turno a vitória do presidente Lula”.
Marina Silva e Simone Tebet, também presentes, reforçaram a necessidade de união entre os partidos de centro‑esquerda para garantir a vitória nas urnas. Elas destacaram que a caminhada simbolizava a resistência contra ameaças autoritárias e a defesa da democracia.
O vice‑presidente Geraldo Alckmin, embora menos vocal, manteve postura conciliadora, ressaltando que a campanha buscava diálogo com a população paulista e que eventuais desentendimentos seriam resolvidos em benefício do eleitor.
Analistas políticos apontam que o episódio pode ter dois efeitos: por um lado, demonstra a força de mobilização da base petista; por outro, evidencia fragilidades na coordenação entre campanha e poder público, que podem ser exploradas pelos adversários.
Especialistas em comunicação eleitoral ressaltam que o uso de hashtags como #Lula2026 e #Haddad2026 nas redes sociais amplificou a mensagem do ato, apesar das controvérsias. A repercussão online incluiu tanto apoio massivo quanto críticas à condução logística.
Em termos de segurança, a presença de dezenas de policiais militares ao longo da rota garantiu que nenhum incidente maior ocorresse. A polícia monitorou pontos críticos, como cruzamentos movimentados e áreas de grande concentração de público.
O evento também contou com a participação de voluntários da campanha, que distribuíram materiais informativos, adesivos e panfletos sobre as propostas de governo. Essas ações visavam transformar a caminhada em um momento de educação política para os eleitores.
Ao final da marcha, Lula agradeceu ao público e destacou a importância da participação cidadã. Ele reiterou seu compromisso de continuar governando para todos os brasileiros, independentemente das divergências encontradas ao longo do caminho.
O ato encerrou-se sem maiores incidentes, mas deixou como legado uma lição sobre a complexidade de organizar grandes eventos em cidades com alta densidade populacional e múltiplos interesses institucionais.
Com a votação marcada para o domingo (4), a campanha de Lula e Haddad segue focada em consolidar alianças, mobilizar eleitores e garantir que a mensagem de mudança chegue a todos os cantos do país.







