O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (29) em queda de 0,43%, cotado a R$ 5,2028 por volta das 9h, sinalizando um início de dia mais tranquilo para o mercado cambial brasileiro. A movimentação ocorreu no contexto de divulgação de novos indicadores de emprego e de uma agenda econômica repleta de dados que podem influenciar a taxa de juros. O Ibovespa, principal índice da bolsa, só começou a ser negociado às 10h, mas já mostrava atenção ao panorama interno e externo.
Cenário econômico nacional e indicadores de emprego
Os números de emprego no Brasil foram o ponto focal da manhã, pois investidores buscam entender a força da recuperação econômica após a pandemia. O último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou uma taxa de desemprego de 8,9%, ligeiramente abaixo da expectativa do mercado.
Além da taxa de desemprego, outros indicadores como a criação de vagas formais e a taxa de participação na força de trabalho foram analisados. A criação de 210 mil empregos formais no último mês reforçou a ideia de que o mercado de trabalho ainda tem espaço para melhorar, mas que a tendência é de avanço gradual.
O governo também divulgou dados de inflação ao consumidor (IPCA) que mostraram uma alta de 0,38% no acumulado de 12 meses, reforçando a pressão sobre o Banco Central para manter a taxa Selic em patamares elevados. A combinação de desemprego em queda e inflação ainda alta cria um dilema para a política monetária.
- Taxa de desemprego: 8,9%
- Vagas formais criadas: 210 mil
- Inflação (IPCA) acumulada: 0,38% ao mês
Esses números foram acompanhados de perto pelos analistas, que destacaram a importância de monitorar a evolução dos salários reais, já que aumentos salariais acima da inflação podem acelerar a pressão inflacionária.
Impactos externos: petróleo, juros e tensões geopolíticas
No cenário internacional, o preço do petróleo continua sendo um termômetro para a inflação global e, consequentemente, para as políticas de juros dos principais bancos centrais. O Brent fechou a última sessão em US$ 84,30, enquanto o WTI ficou em US$ 80,10, níveis que ainda são considerados elevados pelos analistas.
Os investidores também observaram as decisões do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. Embora o Fed tenha sinalizado cautela diante das incertezas no Oriente Médio, a possibilidade de novos aumentos de juros ainda paira no ar, o que pode reverberar nos mercados emergentes, inclusive no Brasil.
Além disso, as tensões entre Israel e grupos militantes na região têm alimentado o medo de interrupções no fornecimento de energia, o que pressiona ainda mais os preços do petróleo. Essa combinação de fatores cria um ambiente de volatilidade que pode impactar tanto o câmbio quanto a bolsa de valores.
- Preço do Brent: US$ 84,30
- Preço do WTI: US$ 80,10
- Perspectiva de juros do Fed: possibilidade de alta
Para o investidor brasileiro, a relação entre o preço do petróleo e a taxa de câmbio é crucial, pois a desvalorização do real pode tornar as importações de energia mais caras, alimentando a inflação interna.
Perspectivas políticas e mercado internacional
O cenário político brasileiro também tem influenciado o humor dos investidores. Uma pesquisa recente da Quaest, divulgada na segunda-feira, mostrou Lula (PT) com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 34%. A margem de erro de 2 pontos indica uma corrida apertada que pode gerar volatilidade nos mercados até as eleições.
Outros candidatos mantiveram seus percentuais estáveis: Ronaldo Caiado (PSD) continua com 4% e Romeu Zema (Novo) com 1%. O levantamento entrevistou 2.004 pessoas entre 24 e 27 de setembro, com nível de confiança de 95%.
- Lula (PT): 39%
- Flávio Bolsonaro (PL): 34%
- Ronaldo Caiado (PSD): 4%
- Romeu Zema (Novo): 1%
Na Ásia, as bolsas chinesas registraram alta após o governo anunciar novas medidas de estímulo à economia. O índice SSEC de Xangai subiu 0,2% e o CSI 300 avançou 0,1%. Em contraste, o Hang Seng de Hong Kong recuou 0,5%, o Nikkei do Japão caiu 0,60% e o Kospi da Coreia do Sul desvalorizou 0,27%.
Essas movimentações refletem a busca por suporte fiscal e monetário em meio a desafios econômicos regionais. Para o investidor brasileiro, a performance das bolsas asiáticas pode servir de termômetro para o apetite global por risco, influenciando fluxos de capitais para mercados emergentes.
Em resumo, a sessão de terça-feira foi marcada por uma combinação de fatores internos – como a queda do dólar e os indicadores de emprego – e externos, como os preços do petróleo e a política monetária dos EUA. A proximidade das eleições presidenciais adiciona uma camada de incerteza que pode manter os mercados em alerta nos próximos dias.








