Na última quinta-feira (24), a equipe pedagógica de Guarulhos marcou presença no 25º Congresso Internacional e 31º Nacional do Instituto Nacional de Educação de Surdos, realizado no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. O evento reuniu especialistas de todo o país para discutir políticas linguísticas, cultura surda e metodologias de ensino. A participação municipal reforçou o compromisso da cidade com a inclusão educacional de estudantes surdos.
Contexto do encontro internacional
Organizado pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), o congresso adotou o tema “Escolas Bilíngues no Brasil”. A proposta foi ampliar o debate além das questões linguísticas, abordando formação docente, desenvolvimento integral dos alunos e estratégias de avaliação. Mais de mil participantes, incluindo pesquisadores, gestores e educadores, participaram de painéis, mesas-redondas e oficinas.
O programa de três dias contemplou sessões sobre Libras, Libras tátil para surdocegos e línguas de sinais internacionais. Também foram discutidas desigualdades regionais e o papel das políticas públicas na consolidação de escolas bilíngues. Essa abordagem multidisciplinar buscou criar um panorama abrangente das necessidades da comunidade surda.
Participação de Guarulhós
Representando a rede municipal, o professor Rafael Miguel foi escolhido para integrar a mesa temática “Diálogos entre Escolas Bilíngues no Brasil”. Sua trajetória inclui projetos de inclusão, capacitação de professores e desenvolvimento de materiais didáticos em Libras. Durante sua fala, Rafael compartilhou experiências práticas vivenciadas nas escolas de Guarulhos, destacando avanços e desafios.
Na mesa, ele contou com a presença de duas especialistas reconhecidas nacionalmente: Leilane Monteiro, do Instituto Felipe Smaldone (Belém-PA), e Cleide Lovatto Pires, da Escola Estadual de Educação Especial Dr. Reinaldo Fernando Coser (Santa Maria-RS). A mediação ficou a cargo de Alessandra Gomes da Silva, diretora do Departamento de Educação Básica (Debasi‑INES).
- Leilane Monteiro – especialista em alfabetização bilíngue e inclusão de alunos surdos.
- Cleide Lovatto Pires – gestora de políticas educacionais para estudantes com necessidades especiais.
- Alessandra Gomes da Silva – coordenadora de projetos de educação básica para surdos.
Rafael destacou que Guarulhos tem investido em formação continuada de professores, implantação de laboratórios de Libras e produção de recursos audiovisuais adaptados. Ele também apontou a necessidade de ampliar o acesso a tecnologias assistivas, sobretudo em escolas situadas em áreas periféricas.
Desafios e perspectivas da educação bilíngue
Um dos principais desafios apontados pelos participantes foi a escassez de profissionais fluentes em Libras e em Libras tátil. A formação inicial ainda não contempla de forma aprofundada a didática bilíngue, o que gera lacunas no atendimento às demandas dos estudantes.
Além disso, a desigualdade regional foi ressaltada como obstáculo ao desenvolvimento de políticas uniformes. Enquanto estados do Sul e Sudeste apresentam maior número de escolas bilíngues, regiões Norte e Nordeste ainda carecem de infraestrutura adequada.
Para superar essas barreiras, os especialistas sugeriram a criação de programas de residência docente em escolas bilíngues, intercâmbios entre instituições e a ampliação de bolsas de estudo para formação em Libras. A proposta inclui ainda a produção de materiais didáticos digitais que possam ser acessados remotamente.
Impactos para a política pública
O congresso gerou recomendações que podem influenciar a agenda do Ministério da Educação e dos órgãos estaduais. Entre as sugestões, destaca‑se a necessidade de monitoramento sistemático dos resultados das escolas bilíngues, com indicadores claros de desempenho acadêmico e social.
Outra recomendação importante foi a integração das políticas de educação especial com as de educação básica, garantindo que a inclusão seja tratada como parte integral do currículo escolar. Essa abordagem visa evitar a segmentação de serviços e promover a coesão entre diferentes áreas de atuação.
Guarulhos, ao participar ativamente do debate, demonstra alinhamento com essas diretrizes e sinaliza a intenção de implementar as boas‑práticas discutidas. A expectativa é que, nos próximos anos, a cidade amplie a rede de escolas bilíngues, fortaleça a formação docente e melhore a acessibilidade tecnológica.
Em síntese, o encontro reforçou a importância de um modelo educacional que respeite a identidade surda, valorize a Libras como língua oficial e promova o desenvolvimento integral dos estudantes. A troca de experiências entre cidades como Guarulhos, Belém e Santa Maria evidencia a construção coletiva de soluções para a inclusão.
Os resultados desse congresso deverão ser acompanhados de perto pelos gestores municipais, que pretendem adaptar as recomendações ao contexto local. A meta é criar um ambiente escolar onde a comunicação seja plena, a aprendizagem seja efetiva e a cultura surda seja celebrada.








