Nos últimos dias antes do primeiro turno, os candidatos à governadoria do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), intensificaram suas ações em áreas estratégicas da capital e da Região Metropolitana. A atenção está voltada para a Zona Oeste da cidade e para municípios da Baixada Fluminense, onde o eleitorado tem perfil conservador e histórico de apoio a Bolsonaro.
Zona Oeste: foco estratégico de Paes
Eduardo Paes dedicou a última sexta‑feira a percorrer bairros densamente povoados da Zona Oeste, como Campo Grande, Santa Cruz e Bangu. Esses bairros somam cerca de 1,8 milhão de habitantes, o que representa um contingente decisivo para qualquer candidatura. O ex‑prefeito capitalizou sua popularidade construída durante a gestão municipal, reforçando a presença ao lado de lideranças locais.
Em um ato que misturou mobilização popular e discurso de continuidade, Paes participou de uma carreata que atravessou diferentes regiões da Zona Oeste e do Sudeste da capital. O evento contou com a presença de apoiadores, voluntários e representantes de partidos aliados, que entoaram slogans de apoio ao seu projeto de governo.
Além da carreata, Paes realizou encontros com prefeitos e vereadores da região, buscando consolidar alianças que já se mostraram eficazes nas eleições anteriores. Entre as famílias políticas que manifestaram apoio, destaca‑se a Cozzolino, tradicional em Magé, que tem forte influência nas comunidades locais.
Baixada Fluminense: a batalha de Ruas
Douglas Ruas, deputado estadual do PL, concentrou sua campanha nas cidades da Baixada Fluminense, onde residem cerca de 3,5 milhões de eleitores distribuídos em 13 municípios. O candidato adotou uma estratégia de aproximação direta, participando de eventos de rua e de uma motocarreata ao lado de Flávio Bolsonaro, líder do PL.
No sábado, Ruas esteve em São João de Meriti, onde conduziu a motocarreata que atraiu apoiadores de Flávio e reforçou a mensagem de continuidade da agenda bolsonarista. No domingo, ele retornou a Duque de Caxias, Guapimirim e Nova Iguaçu, reforçando a presença nas cidades que compõem a Baixada.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu em Duque de Caxias, durante a “Caminhada das Mulheres”, evento organizado pela vice‑prefeita Jane Reis, ao lado do prefeito Netinho Reis (MDB) e do ex‑prefeito Washington Reis. Embora o clã Reis tenha manifestado apoio a Paes, parte de seus liderados ainda direcionou votos a Flávio Bolsonaro, evidenciando a complexidade das alianças locais.
- Guapimirim – visita de campanha para reforçar apoio nas áreas rurais.
- Duque de Caxias – participação na Caminhada das Mulheres e encontros com lideranças comunitárias.
- Nova Iguaçu – discurso focado em segurança pública e geração de empregos.
- São João de Meriti – motocarreata ao lado de Flávio Bolsonaro.
Alianças e estratégias eleitorais
Ambos os candidatos utilizam alianças regionais como alicerce de suas estratégias. Paes aposta em parcerias consolidadas com prefeitos e vereadores da Baixada, buscando captar o voto conservador que ainda se identifica com a figura de Flávio Bolsonaro. A presença de figuras como a família Cozzolino reforça a credibilidade do candidato junto a eleitores que valorizam tradição política.
Ruas, por sua vez, tem como principal objetivo captar o eleitorado que votou em Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Ao se posicionar ao lado de Flávio Bolsonaro, ele tenta transformar o apoio a Bolsonaro em apoio direto ao seu próprio nome, criando uma ponte entre o voto nacionalista e a disputa estadual.
Além das visitas presenciais, ambas as campanhas investem pesado em comunicação digital, produzindo conteúdo segmentado para redes sociais, mensagens de WhatsApp e anúncios direcionados. Essa abordagem multicanal visa alcançar eleitores que, embora estejam fisicamente nas ruas, consomem informação principalmente online.
Perspectivas para o segundo turno
Analistas políticos apontam que a corrida pode se encaminhar para um segundo turno, caso nenhum dos candidatos ultrapasse a marca dos 50% dos votos válidos. Nesse cenário, a capacidade de mobilizar os eleitores da Zona Oeste e da Baixada Fluminense será decisiva.
Se Paes conseguir consolidar o apoio nas áreas onde já tem histórico de vitória, especialmente entre os eleitores que valorizam sua gestão como prefeito, ele pode garantir uma base sólida para avançar. Por outro lado, Ruas tem a oportunidade de transformar o voto bolsonarista em voto próprio, especialmente se conseguir ampliar sua presença em bairros onde a votação para Bolsonaro foi expressiva.
O desempenho nas próximas semanas será medido não apenas pelo número de eventos realizados, mas também pela capacidade de converter apoio de líderes locais em votos efetivos nas urnas. A disputa está longe de ser definida, e a batalha por cada ponto percentual continuará intensa até o dia da votação.
Em síntese, a reta final da campanha no Rio de Janeiro demonstra uma clara divisão de estratégias: Paes aposta na consolidação de alianças tradicionais e na manutenção de sua popularidade na capital, enquanto Ruas busca atrair o eleitorado conservador da Baixada e da Zona Oeste, utilizando a figura de Flávio Bolsonaro como alavanca. O resultado dependerá da eficácia de cada abordagem e da capacidade de mobilizar eleitores nos bairros mais populosos da cidade e da região metropolitana.








