Uma pesquisa divulgada nesta segunda‑feira (28) revelou que 51% dos brasileiros acreditam que não há risco de países estrangeiros interferirem nas eleições de 2026, enquanto 41% enxergam a possibilidade de influência externa. O estudo, realizado pela Quaest, entrevistou mais de dois mil cidadãos em todo o território nacional entre 24 e 27 de setembro. Os resultados trazem um panorama atualizado sobre a percepção da população diante de potenciais intervenções de potências como China e Estados Unidos.
Contexto da pesquisa
A Quaest conduziu a pesquisa com 2.004 pessoas com idade mínima de 16 anos, utilizando amostragem probabilística que garante margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O número de registro da pesquisa é BR‑06520/2026, o que assegura a rastreabilidade dos dados. Comparada à edição anterior, realizada em 14 de agosto, a percepção de risco diminuiu de 45% para 41%, indicando um leve aumento da confiança dos eleitores na integridade do processo eleitoral.
Os entrevistados foram selecionados de forma a refletir a diversidade regional, socioeconômica e de gênero do país, permitindo que o levantamento capture nuances importantes entre diferentes grupos. A coleta de respostas ocorreu de forma presencial e por telefone, seguindo protocolos de segurança sanitária ainda vigentes. Essa metodologia reforça a credibilidade dos números apresentados, que agora servem de referência para partidos, candidatos e analistas políticos.
Detalhes dos medos em relação à China e aos EUA
Além da avaliação geral sobre interferência, a pesquisa abordou o medo específico que os brasileiros sentem em relação à China e aos Estados Unidos após as eleições. A pergunta foi direta: “Você tem medo de que EUA ou China passem a mandar no Brasil depois da eleição?” As respostas foram distribuídas em três categorias: muito medo, algum medo e nenhum medo.
- Em relação à China, 42% dos entrevistados declararam ter muito medo, 17% relataram algum medo e 39% afirmaram nenhum medo;
- Quanto aos Estados Unidos, 39% disseram ter muito medo, 16% algum medo e 42% nenhum medo.
Esses números revelam que, embora a maioria não veja possibilidade de interferência direta, ainda há uma parcela significativa da população que sente insegurança em relação a influências externas. O medo mais intenso se concentra na China, superando ligeiramente o temor em relação aos EUA. Essa diferença pode estar ligada à percepção de crescimento econômico e tecnológico da China nos últimos anos.
Os especialistas apontam que a mídia tem papel crucial na formação desses medos, ao destacar casos de desinformação e ciberataques atribuídos a atores estrangeiros. Ao mesmo tempo, campanhas de conscientização sobre a robustez do sistema eleitoral brasileiro podem ajudar a reduzir a ansiedade da população.
Implicações para o cenário político
Os resultados da Quaest têm repercussão imediata nos bastidores das campanhas eleitorais. Candidatos que desejam se posicionar como defensores da soberania nacional podem usar esses dados para reforçar mensagens de resistência a influências externas. Por outro lado, partidos que buscam alianças internacionais precisam estar atentos ao nível de desconfiança ainda presente entre os eleitores.
Analistas políticos sugerem que a queda de 4 pontos percentuais na percepção de risco pode indicar um efeito de fadiga informacional, onde o público se sente menos alarmado após meses de cobertura constante sobre supostas intervenções estrangeiras. Essa tendência pode influenciar a forma como as autoridades eleitorais planejam campanhas de educação cívica nos próximos meses.
Além disso, a diferença entre o medo em relação à China e aos EUA pode gerar estratégias diferenciadas de comunicação. Enquanto a China pode ser associada a questões de tecnologia e comércio, os EUA costumam ser vinculados a questões de política externa e direitos humanos. Cada narrativa pode ser explorada de acordo com o perfil do eleitorado alvo.
É importante notar que a percepção de risco não se traduz automaticamente em comportamento de voto. Estudos anteriores mostram que medo de interferência pode levar tanto à polarização quanto ao engajamento maior nas urnas, como forma de reafirmar a própria soberania.
Portanto, partidos e candidatos precisam equilibrar mensagens que reconheçam as preocupações legítimas da população sem alimentar teorias conspiratórias que possam desestabilizar o processo democrático. A transparência nas fontes de financiamento de campanhas e a divulgação de auditorias de segurança nos sistemas de votação são medidas que podem contribuir para essa confiança.
Outro ponto relevante é o papel das plataformas digitais, que têm sido alvo de críticas por supostos vazamentos de dados e algoritmos de segmentação. Regulamentações recentes no Brasil buscam aumentar a responsabilidade das empresas de tecnologia, mas ainda há lacunas que podem ser exploradas por agentes externos.
Em síntese, a pesquisa da Quaest oferece um retrato detalhado do clima de opinião pública brasileiro antes das eleições de 2026, destacando tanto a maioria que descarta interferência quanto a minoria que vive com medo de influências externas. Esse cenário complexo exige respostas coordenadas entre governo, sociedade civil e setor privado.
Para os eleitores, a mensagem central permanece: a participação informada e a vigilância cidadã são as melhores ferramentas para garantir a integridade do pleito. Ao compreender as nuances dos medos e das percepções, a sociedade pode construir um ambiente eleitoral mais resiliente e menos suscetível a manipulações externas.








