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Rogério Marinho delineia estratégias no Senado caso Flávio Bolsonaro vença a presidência

Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, revelou nesta quinta‑feira, em entrevista à VEJA, quais são seus planos caso o candidato do PL seja eleito presidente da República. O parlamentar do Rio Grande do Norte, que também almeja a presidência do Senado, descreveu um cenário de consolidação do poder legislativo e de confrontos institucionais com o Supremo Tribunal Federal.

Visão estratégica para o Senado

Marinho estima que o PL possa alcançar entre 24 e 25 cadeiras no Senado, o que representaria cerca de 30% da Casa. Essa projeção, segundo ele, seria suficiente para montar uma coalizão que sustentasse o governo de Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, abriria caminho para a disputa pela presidência da bancada.

“Com esse número, poderíamos reunir os partidos que convergem conosco e propor uma candidatura ao presidente do Senado, que pode ser a minha ou de outro nome que a bancada escolher”, afirmou. O senador destacou que, embora se sinta honrado com a possibilidade de liderar o Congresso, essa meta não é um fim em si mesma, mas um meio para garantir a governabilidade do Executivo.

Prioridades legislativas sob um governo Bolsonaro

Ao ser questionado sobre as linhas de ação que um eventual governo Flávio Bolsonaro deveria seguir, Marinho enfatizou a necessidade de uma profunda reforma do Poder Judiciário. Ele propôs a delimitação das competências do STF, a fixação de mandatos para os ministros, o fim das decisões monocráticas e a revisão dos salários dos magistrados.

Essas propostas, segundo o coordenador, visam reduzir o que ele descreve como “interferência excessiva” do Judiciário nas decisões políticas. “Precisamos de um Judiciário mais focado em sua função constitucional, sem se tornar um ator político”, disse.

Projeto de mudança no regimento interno do Senado

Marinho também apresentou, ainda durante a entrevista, um projeto de alteração no regimento interno da Casa que facilitaria a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF. O texto prevê que, ao receber a assinatura de 49 senadores, o procedimento de crime de responsabilidade seria iniciado automaticamente.

Além disso, a proposta permitiria que o presidente do Senado iniciasse o processo de impeachment mesmo sem a coleta de assinaturas, bastando a decisão do mandatário da Casa. “É uma medida preventiva para garantir que o Senado possa agir rapidamente diante de eventuais abusos”, explicou.

O senador ressaltou que, embora tenha defendido a ideia de tornar o processo mais ágil, não pretende usar esse mecanismo de forma indiscriminada. “Não quero ser como Alexandre de Moraes, que acusa e julga ao mesmo tempo. Quero agir como um magistrado, avaliando provas concretas antes de decidir”, afirmou.

  • Ampliação da bancada do PL para 24‑25 senadores;
  • Reforma constitucional do STF, com limites claros de competência;
  • Estabelecimento de mandatos fixos para ministros;
  • Fim das decisões monocráticas;
  • Revisão dos salários dos magistrados;
  • Alteração do regimento interno para facilitar processos de impeachment.

Marinho reconheceu que, no momento, não há maioria no Senado favorável ao impeachment de um ministro, mesmo diante de provas que apontam para crime de responsabilidade. Contudo, ele deixou claro que, caso as evidências sejam convincentes, votará a favor do afastamento definitivo do magistrado acusado.

O coordenador da campanha também destacou que, além das questões judiciais, seu plano inclui a aprovação de reformas estruturais nos setores de saúde, educação e segurança pública, alinhadas ao programa de governo do PL. “Essas áreas são fundamentais para entregar resultados concretos à população e consolidar a confiança no nosso projeto”, completou.

Desafios internos e a concorrência na liderança do Senado

Marinho admitiu que a disputa pelo comando da Casa não será simples. O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), ainda busca a reeleição e tem apoio de diversos senadores que consideram sua gestão estável. “Existem outros nomes capazes de liderar a Câmara Alta, e a competição será intensa”, reconheceu.

Ele, porém, acredita que a união dos partidos que compartilham a agenda do PL pode superar a incumbência de Alcolumbre. “A força do bloco PL, somada ao apoio de outras legendas, nos dará a maioria necessária para assumir a presidência do Senado”, afirmou com confiança.

Por fim, o senador ressaltou que sua atuação será pautada pelo princípio da responsabilidade institucional. “Meu objetivo é garantir que o Congresso funcione como um verdadeiro contrapeso ao Executivo e ao Judiciário, sempre em defesa da Constituição e dos cidadãos”, concluiu Rogério Marinho.

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