Na manhã deste domingo (27), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de conspirar com o PT na criação de uma fake news sobre a padroeira do país. O discurso ocorreu durante uma agenda em Aracaju, capital de Sergipe, e gerou reações imediatas da Igreja e de órgãos de imprensa.
Acusações de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro afirmou que a suposta notícia falsa, que alegava um projeto para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, teria sido elaborada por membros do PT com apoio interno da CNBB. Segundo o senador, “a maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca existiu”.
Ele destacou que o Partido dos Trabalhadores teria tentado levantar a história nos últimos dias, contando com “gente de dentro da CNBB”. O parlamentar reforçou que não há nenhum projeto legislativo em trâmite que vise mudar o status da padroeira.
Resposta da CNBB e esclarecimentos da mídia
A CNBB divulgou, ainda na mesma noite, nota oficial repudiando as acusações e afirmando que não participou, nem autorizou, qualquer divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A entidade ressaltou que “mentira não se combate com outra mentira”.
A GloboNews, por sua vez, publicou uma correção ao programa Em Pauta, esclarecendo que o projeto de lei mencionado foi apresentado em 2007, arquivado em 2008, e que não há mobilização organizada de evangélicos para retirar o título da padroeira.
- Projeto de lei 2.623/07 foi apresentado por Victório Galli.
- Arquivado em agosto de 2008.
- Não há proposta vigente no Congresso.
Contexto histórico e decisões judiciais
Boatos semelhantes já surgiram em 2018, quando o filho do então presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, foi alvo de acusações de ter assinado o mesmo projeto de lei. Na ocasião, o G1 desmentiu a informação, confirmando o arquivamento da proposta.
Em resposta à circulação de conteúdos falsos, o vice‑presidente do TSE, André Mendonça, determinou a remoção de publicações que relacionavam a família Bolsonaro à suposta iniciativa. Contudo, o ministro Flávio Dino revogou a decisão, argumentando que a medida violava a liberdade de expressão.
Dino enfatizou que “qualquer intervenção estatal na divulgação de notícias e opiniões é excepcional”, reforçando a importância do debate livre para a democracia.
Impacto nas redes sociais e liberdade de expressão
Nas redes sociais, perfis alinhados à esquerda amplificaram a teoria de que a direita pretende retirar o título de padroeira. Flávio Bolsonaro respondeu em vídeo na sexta‑feira (25), negando qualquer intenção de promover tal mudança.
A repercussão gerou um debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais e a necessidade de equilibrar combate à desinformação com a proteção da liberdade de expressão. Observadores apontam que decisões judiciais precipitadas podem criar precedentes perigosos para o discurso público.
Enquanto isso, a CNBB mantém sua postura de não ter envolvimento na suposta fake news e convida a sociedade a buscar informações em fontes confiáveis. A polêmica continua a alimentar discussões sobre a relação entre política, religião e mídia no Brasil contemporâneo.








