Pesquisas realizadas desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, mostram que a avaliação do governo Lula não registrou melhora significativa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, manteve índices quase estáveis até a véspera do primeiro turno, marcado para 30 de outubro. A análise inclui comparações com outras gestões que buscaram a reeleição nas últimas décadas.
Contexto das pesquisas e decisões recentes
A pesquisa Datafolha divulgada em 24 de outubro apontou 34% de avaliação positiva (ótimo ou bom) e 40% de avaliação negativa (ruim ou péssimo) para o governo. A parcela que considerou a gestão regular ficou em 24%.
Quando a campanha começou, a aprovação ótima/bom era de 33%. Nas primeiras semanas de setembro, o número oscilou entre 31% e 32%, retornando a 34% apenas na última medição. Essa variação mínima indica que as ações tomadas por Lula nos últimos dias não foram suficientes para mudar a percepção dos eleitores.
Entre as medidas anunciadas, destaca‑se a assinatura de uma medida provisória que proíbe apostas esportivas online, como o “Tigrinho”, na sexta‑feira (25). No dia 18, o presidente também anunciou um reajuste no Bolsa Família, tentando fortalecer a rede de proteção social antes da votação.
Flávio Bolsonaro, do PL, criticou a proibição das apostas, rotulando‑a de “estelionato eleitoral”. A controvérsia gerou debates na mídia, mas não pareceu influenciar de forma decisiva a avaliação geral do governo.
Comparativo histórico com outras reeleições
O levantamento histórico do Datafolha, iniciado em 1987, permite comparar a trajetória de aprovação de Lula com a de Fernando Henrique Cardoso (1998), o próprio Lula (2006), Dilma Rousseff (2014) e Jair Bolsonaro (2022). Em todas as campanhas anteriores, exceto a de Bolsonaro, a parcela de eleitores que consideravam o governo ótimo ou bom aumentou ao longo do período eleitoral.
- FHC (1998): a campanha destacou a queda da inflação, reformas estruturais e investimentos em infraestrutura.
- Lula (2006): o foco foi o Bolsa Família, a redução da pobreza e o crescimento econômico.
- Dilma (2014): a ênfase recaiu sobre a expansão de programas sociais e a estabilidade macroeconômica.
- Bolsonaro (2022): a avaliação permaneceu quase inalterada no primeiro turno, mas subiu no segundo após ajustes nos benefícios sociais e redução de preços de combustíveis.
O período de campanha mudou ao longo dos anos. Até 2014, a disputa começava em julho, oferecendo mais de três meses de exposição. A partir de 2016, a Lei das Eleições encurtou a campanha para 45 dias, limitando o tempo disponível para que os candidatos influenciem a opinião pública.
Desafios específicos da campanha de Lula
Segundo o cientista político Felipe Nunes, da Quaest, a dificuldade de melhorar a avaliação é o “principal calcanhar de Aquiles” da campanha de Lula. Ele argumenta que, historicamente, os governos tendem a registrar alta de aprovação quando conseguem comunicar uma mensagem que ressoa com as necessidades imediatas dos eleitores.
Lula enfrenta o dilema de convencer eleitores que já conhecem seu histórico, mas que ainda não percebem melhorias concretas em suas vidas. O discurso deve equilibrar a celebração dos avanços sociais com propostas que atendam às expectativas de renda, emprego e segurança.
Além disso, a proximidade do primeiro turno reduz o espaço para ações de governo que possam gerar repercussão positiva. Medidas como o reajuste do Bolsa Família e a proibição de apostas, embora relevantes, não foram acompanhadas de uma estratégia de comunicação robusta que amplificasse seus benefícios.
Perspectivas para o segundo turno e conclusão
O cientista político Antônio Lavareda observa que, à medida que a eleição se aproxima, a avaliação do governo e a intenção de voto tendem a convergir. Ele cita o caso de Bolsonaro, cujo apoio aumentou entre os dois turnos após políticas de alívio econômico.
Para Lula, a tarefa será transformar a avaliação estável em um impulso que eleve a intenção de voto. Isso pode depender de novos anúncios de políticas, da capacidade de mobilizar a base partidária e da eficácia da campanha nas redes sociais.
Em síntese, as pesquisas indicam que a avaliação de Lula não evoluiu de forma significativa durante a campanha, contrastando com o padrão observado em outras reeleições. O presidente precisará encontrar mecanismos de comunicação mais persuasivos e, possivelmente, anunciar medidas adicionais que atinjam diretamente as demandas dos eleitores antes do segundo turno.








