Com menos de dez dias para o primeiro turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro, candidato do PL, tem percorrido o país em comícios, entrevistas e redes sociais para convencer eleitores de centro‑direita a aderirem ao chamado voto útil. O apelo tem sido feito em todo o Brasil, especialmente nas regiões onde o apoio a candidatos como Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema ainda é significativo. A estratégia visa consolidar os sufrágios da direita em um único turno, evitando uma disputa prolongada.
Estratégia do voto útil
A campanha de Flávio Bolsonaro tem destacado que a concentração dos votos de eleitores antipetistas pode garantir a vitória em 4 de outubro, evitando a necessidade de um segundo turno. Os discursos enfatizam que, ao escolher um candidato de centro‑direita, o eleitor contribui para “livrar o Brasil do PT e de Lula” de forma mais rápida. Essa mensagem tem sido repetida em eventos públicos e em vídeos curtos nas plataformas digitais.
Além dos discursos, a campanha tem distribuído materiais explicativos que enumeram os benefícios de um governo de um só turno. Entre os argumentos, estão a estabilidade política, a redução de custos de campanha e a possibilidade de iniciar reformas estruturais sem a interrupção de uma segunda votação.
- Unificar o voto de direita;
- Evitar desgaste de campanha prolongada;
- Impulsionar agenda de reformas;
- Reduzir influência do PT nas instituições.
Os apoiadores têm sido instruídos a analisar as intenções de voto dos candidatos de centro‑direita, como Cury (Avante), Caiado (PSD), Santos (Missão) e Zema (Novo), e direcionar seu sufrágio para o candidato que tem maior chance de avançar ao segundo turno.
Riscos judiciais e políticos
Apesar da confiança exibida pela campanha, analistas políticos alertam que a sucessão no Palácio do Planalto provavelmente exigirá dois turnos. A própria equipe de Flávio Bolsonaro reconheceu que o intervalo de três semanas entre 4 e 25 de outubro traz incertezas. O principal risco apontado é o andamento do inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que pode resultar em novas acusações contra o senador.
O caso envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a um contrato de patrocínio de 134 milhões de reais com o Banco Master. O contrato teria sido negociado diretamente por Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, atualmente preso preventivamente por liderar a maior fraude financeira da história do país.
Mesmo que a defesa argumente que o contrato foi firmado antes das investigações sobre Vorcaro, o fantasma do caso paira sobre a campanha, alimentando rumores de possíveis operações policiais contra a produtora do filme, Karina Gama, ou até mesmo contra o próprio senador.
Cenário das investigações do filme “Dark Horse”
O Supremo Tribunal Federal abriga duas frentes de investigação sobre o filme. A primeira, sob relatoria do ministro André Mendonça, ganhou destaque ao revelar mensagens comprometedoras entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, intensificando o envolvimento da Corte no caso Master.
A segunda investigação está sob a condução do ministro Flávio Dino, indicado por Lula, e foca em possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Sob sua responsabilidade, a Polícia Federal apura se recursos de autoria do deputado Mario Frias (PL‑SP) foram canalizados para a produção da cinebiografia.
Essas duas linhas de investigação aumentam a complexidade do cenário jurídico que Flávio Bolsonaro enfrenta, podendo influenciar a percepção dos eleitores nos dias que antecedem a votação.
Reações e perspectivas para o segundo turno
Em entrevista às Páginas Amarelas, o coordenador da campanha do PL, senador Rogério Marinho, destacou a preocupação do QG de Flávio Bolsonaro com a extensão da corrida presidencial. Segundo ele, o eleitor que ainda está indeciso pode ser orientado a exercer o voto útil para evitar um “esgarçamento” do processo eleitoral.
Quando questionado sobre a possibilidade de uma operação policial que comprometa a candidatura do PL, Marinho afirmou que prefere não acreditar em arbitrariedades por parte de Flávio Dino. Ele enfatizou que o recurso questionado foi destinado a um fundo nos Estados Unidos, e não a investimentos diretos na campanha.
Especialistas em direito eleitoral apontam que, caso o caso “Dark Horse” resulte em medidas restritivas, a imagem de Flávio Bolsonaro pode sofrer danos significativos, influenciando eleitores que ainda não definiram seu voto. Por outro lado, a estratégia de voto útil continua a ganhar adeptos, sobretudo entre eleitores que temem a volta do PT ao poder.
Com a contagem dos votos programada para o dia 4 de outubro, a corrida presidencial brasileira se apresenta como um dos embates mais polarizados da história recente. A decisão dos eleitores de centro‑direita, guiada pelos apelos de voto útil e pelos desdobramentos judiciais, será decisiva para determinar se haverá um segundo turno ou se a vitória será consolidada em um único turno.








