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Anvisa determina fim da propaganda da caneta Semavy e alerta sobre divulgação irregular de medicamentos controlados

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta sexta‑feira (25) a divulgação da caneta Semavy, um dispositivo à base de semaglutida indicado para o tratamento do diabetes tipo 2. A medida foi publicada no Diário Oficial da União e tem alcance nacional, atingindo aeroportos, sites e redes sociais.

Motivos da proibição e fundamentos legais

A Anvisa identificou que a Semavy estava sendo anunciada ao público em geral, prática que contraria a Lei nº 6.360/1976, responsável por regular a propaganda de medicamentos no Brasil. A lei permite a divulgação apenas para profissionais habilitados, como médicos, dentistas e farmacêuticos, quando se trata de produtos de tarja vermelha.

Além disso, a resolução RE nº 3.750, de 23 de setembro de 2026, estabelece que a publicidade de medicamentos sujeitos a prescrição deve ser restrita a ambientes profissionais. A divulgação em painéis eletrônicos no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e em plataformas digitais foi considerada uma violação direta dessas normas.

O órgão sanitário ressaltou que a prática pode gerar expectativas equivocadas no consumidor, além de colocar em risco a saúde pública ao incentivar a automedicação de um fármaco que exige acompanhamento médico.

Como a Semavy foi divulgada de forma irregular

Os anúncios da caneta foram veiculados em diferentes meios. No Aeroporto de Congonhas, painéis eletrônicos exibiam imagens da Semavy acompanhadas de mensagens que destacavam benefícios de perda de peso e controle glicêmico.

Nas redes sociais, perfis patrocinados publicaram vídeos demonstrando o uso da caneta, sem mencionar a necessidade de receita médica. O site oficial do produto também apresentava informações que incentivavam a compra direta pelo consumidor.

Essas estratégias de marketing foram apontadas como exemplos de propaganda enganosa, pois omitiram a obrigatoriedade de prescrição e a classificação de tarja vermelha do medicamento.

  • Exibição em painéis eletrônicos no Aeroporto de Congonhas (São Paulo).
  • Publicação de vídeos promocionais nas redes sociais.
  • Divulgação de conteúdo no site oficial da Semavy.
  • Ausência de informação sobre a necessidade de receita médica.

A Anvisa destacou que a combinação desses fatores caracteriza uma campanha publicitária que fere a legislação sanitária vigente.

Repercussões para a Cosmed/Hypera Pharma e próximos passos

A Semavy é produzida pela Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos, empresa integrante do grupo Hypera Pharma. O registro do medicamento foi aprovado pela Anvisa em julho de 2026, juntamente com outras canetas de semaglutida.

Com a proibição, a empresa deverá suspender imediatamente todas as peças publicitárias voltadas ao consumidor. A Anvisa informou que o descumprimento pode acarretar multas e outras sanções administrativas, caso a empresa não adeque suas práticas.

O g1 entrou em contato com a Cosmed/Hypera Pharma para obter um posicionamento oficial, mas ainda aguarda resposta. Enquanto isso, a agência continua monitorando o mercado para garantir que outras empresas não adotem estratégias semelhantes.

Especialistas em direito sanitário ressaltam que a decisão da Anvisa reforça a importância de respeitar as normas de divulgação de medicamentos. Eles alertam que a violação recorrente pode gerar processos judiciais e danos à reputação das marcas envolvidas.

Para os consumidores, a mensagem é clara: medicamentos de tarja vermelha exigem prescrição médica e acompanhamento profissional. A propaganda direcionada ao público geral pode gerar expectativas falsas e colocar a saúde em risco.

O caso da Semavy também traz à tona o debate sobre a regulação de novos fármacos de classe GLP‑1, que têm ganhado destaque por seus efeitos na perda de peso e no controle do diabetes. Autoridades sanitárias reforçam que, apesar dos benefícios, o uso desses medicamentos deve ser sempre supervisionado por profissionais de saúde.

Em resumo, a proibição da propaganda da Semavy demonstra a postura firme da Anvisa em manter a integridade das normas de publicidade farmacêutica. A medida serve de alerta para o setor, que deve adequar suas estratégias de comunicação ao marco regulatório brasileiro.

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