Uma pesquisa recente do Datafolha revelou que 46% dos fluminenses aprovam a administração interina do desembargador Ricardo Couto. O levantamento foi divulgado na quinta‑feira, 24 de setembro, e reflete a opinião de eleitores entre 22 e 24 de setembro. A pesquisa cobre todo o estado do Rio de Janeiro, onde Couto assume o governo desde a renúncia de Cláudio Castro.
Contexto da gestão interina
Ricardo Couto chegou ao poder em março, após a saída inesperada do ex‑governador Cláudio Castro, que renunciou para tentar evitar a cassação do mandato. A transição foi marcada por intensas discussões no Congresso Estadual e na imprensa, que questionavam a legitimidade de um magistrado assumir a chefia do Executivo.
Desde então, o desembargador tem enfrentado desafios como a crise fiscal, a segurança pública e a retomada de obras atrasadas. A sua equipe adotou medidas emergenciais, como a renegociação de dívidas estaduais e o reforço do policiamento nas áreas mais vulneráveis.
Além das questões econômicas, a gestão interina tem priorizado a comunicação direta com a população, realizando audiências públicas e divulgando relatórios de desempenho semanalmente. Essa estratégia visa aumentar a transparência e melhorar a confiança dos eleitores.
Resultados da pesquisa
O Datafolda entrevistou 1.204 pessoas, com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Os números mostram que 46% dos entrevistados aprovam a atuação de Coutou, enquanto 32% manifestam desaprovação. Os demais 22% preferiram não se posicionar.
Os dados revelam um cenário de polarização moderada, mas ainda favorável ao atual gestor. Entre os que aprovaram, destacam‑se as áreas de saúde e segurança como principais motivos de satisfação.
Por outro lado, os críticos apontam a falta de um plano de longo prazo e a necessidade de reformas estruturais mais profundas. A pesquisa também indica que a aprovação varia significativamente entre as diferentes regiões do estado.
- Região Metropolitana: 48% de aprovação.
- Interior: 42% de aprovação.
- Zona Litorânea: 44% de aprovação.
Esses números sugerem que a capital e seus municípios vizinhos tendem a apoiar mais a gestão, possivelmente devido à maior visibilidade das ações governamentais.
Implicações políticas
Os resultados da pesquisa podem influenciar a estratégia dos partidos que ainda disputam o poder no Rio. O PL, partido de Cláudio Castro, pode precisar repensar sua postura diante da popularidade de Couto.
Já a oposição, representada principalmente pelo PT e pelo PSDB, pode usar a parcela de 32% que desaprova como base para críticas e propostas alternativas.
Além disso, a taxa de 22% de indecisos indica um eleitorado ainda aberto a novas propostas, o que abre espaço para alianças e negociações nos próximos meses.
Especialistas em ciência política alertam que a aprovação acima da metade do eleitorado pode fortalecer a posição de Couto caso ele decida concorrer a um mandato definitivo. No entanto, ressaltam que a estabilidade política depende de fatores externos, como a situação econômica nacional e as decisões da Justiça Eleitoral.
Em síntese, a pesquisa demonstra que a gestão interina tem conseguido conquistar uma parcela significativa da população, mas ainda enfrenta desafios para consolidar apoio amplo e duradouro.








