Em setembro de 2026, pelo menos seis pessoas perderam a vida em ataques de ursos-pardos na região de Krasnoyarsk, na Sibéria russa, e a cidade de Abaza, em Khakassia, ficou cercada pelos felinos gigantes. As ocorrências aconteceram ao longo de poucas semanas, gerando alarme entre moradores e autoridades locais.
Causas e crescimento da população de ursos
Desde 1990, a população de ursos-pardos na Rússia mais que dobrou, atingindo quase 308 mil indivíduos em 2026, segundo dados do Ministério de Recursos Naturais. Esse aumento está ligado a políticas de conservação que reduziram a caça e a maior disponibilidade de alimento nas florestas boreais.
Entretanto, a expansão da fauna não foi acompanhada por medidas eficazes de manejo em áreas próximas a assentamentos humanos. A falta de barreiras físicas e de programas de afastamento permitiu que os animais se aproximassem cada vez mais das vilas e cidades.
Especialistas apontam que a combinação de clima mais ameno, que prolonga o período de busca por alimentos, e a degradação de habitats naturais forçam os ursos a adentrar zonas agrícolas e residenciais.
Os ataques recentes: cronologia e vítimas
No início de setembro, os corpos de dois aposentados foram encontrados em uma mata próxima à cidade de Podtyosovo, ambos com sinais claros de ataque de urso. As autoridades locais confirmaram que os homens estavam coletando lenha quando foram surpreendidos pelos animais.
Em 6 de setembro, um trabalhador de 40 anos morreu ao atravessar uma trilha na floresta, enquanto carregava equipamentos de construção. Três semanas depois, outras duas vítimas foram identificadas, elevando o número total para seis mortes.
A vítima mais recente, um trabalhador florestal de 39 anos, foi atacado na manhã de 23 de setembro enquanto realizava manutenção em máquinas de corte de madeira. Testemunhas relataram que o urso surgiu de repente, lançando-se sobre o homem antes que ele pudesse reagir.
Além das fatalidades, foram registrados vários incidentes de ferimentos leves e avistamentos de ursos nas proximidades de estradas e rios, aumentando o clima de medo entre os habitantes.
Reação das autoridades e medidas de controle
O governo russo abriu uma investigação para apurar possíveis negligências na gestão da vida selvagem. O Comitê de Investigação destacou que funcionários públicos podem não ter tomado medidas preventivas adequadas para controlar a população de ursos ou impedir sua incursão em áreas habitadas.
Em Khakassia, o vice‑chefe do governo local, Dmitry Buchenik, descreveu a situação como um cerco de ursos “por todos os lados” à cidade de Abaza, que tem cerca de 10 mil habitantes. Segundo ele, alguns animais foram afastados, mas três foram abatidos, incluindo um de tamanho “muito grande”.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram ursos nadando em rios próximos à cidade e atravessando estradas, o que comprova a proximidade dos animais com o cotidiano dos moradores.
O Ministério de Emergências da Rússia afirma que, na maioria dos encontros entre humanos e ursos, os animais tendem a fugir. Contudo, o aumento de incidentes recentes indica que a estratégia de fuga não está sendo suficiente.
Para enfrentar a crise, as autoridades propuseram as seguintes ações:
- Instalação de cercas elétricas em áreas críticas ao redor de Abaza e de vilarejos próximos a florestas.
- Criação de unidades móveis de resposta rápida, compostas por especialistas em fauna silvestre.
- Campanhas de conscientização para moradores sobre como agir ao avistar um urso.
- Monitoramento por drones e câmeras de vigilância para mapear os movimentos dos ursos.
- Programas de realocação de ursos adultos que se aproximam excessivamente de áreas habitadas.
Embora o Ministério de Recursos Naturais afirme que o número total de ataques de ursos no país varia entre 20 e 30 por ano, a concentração de eventos na região de Krasnoyarsk e Khakassia representa um pico incomum que exige ação imediata.
Os residentes de Abaza agora vivem com restrições de horário para atividades ao ar livre e recebem alertas diários sobre a presença de ursos. Muitos relataram mudanças no padrão de uso da terra, evitando áreas de risco e reforçando a segurança de suas casas.
Especialistas internacionais recomendam que, além das medidas de contenção, seja implementado um plano de longo prazo que inclua a restauração de habitats naturais, garantindo que os ursos encontrem alimento suficiente longe das zonas urbanas.
Enquanto isso, a população local aguarda respostas concretas e a efetiva aplicação das políticas anunciadas, na esperança de reduzir novos episódios trágicos.








