Na última terça‑feira (22), a Secretaria do Verde, Clima e Sustentabilidade de Guarulhos divulgou a atualização da Lista de Espécies da Fauna Silvestre com ocorrência no município, reunindo 1.460 espécies registradas. O lançamento ocorreu no Auditório do Centro de Educação Ambiental – CEA Bosque Maia, reunindo especialistas, servidores e a comunidade interessada.
Ampliação da lista e importância para a conservação
A nova edição da lista representa um crescimento de 38% em relação ao levantamento de 2022, que continha 1.058 espécies. Esse salto demonstra a riqueza biológica de Guarulhos e fornece uma base técnico‑científica robusta para o planejamento de políticas públicas voltadas à fauna. Cada espécie adicionada contribui para decisões mais embasadas em áreas como proteção da fauna silvestre, educação ambiental e monitoramento de habitats.
Com 402 espécies a mais, o documento reforça a necessidade de integrar conhecimento científico e participação cidadã. A ampliação também permite identificar lacunas de pesquisa, orientar ações de recuperação de áreas degradadas e apoiar projetos de restauração ecológica. Assim, gestores municipais podem alinhar investimentos com as demandas reais da biodiversidade local.
Detalhes taxonômicos: insetos, aves e espécies endêmicas
Entre os 1.460 registros, 812 correspondem a invertebrados, dos quais 613 são insetos. Destacam‑se 301 espécies de Lepidoptera, grupo que inclui borboletas e mariposas, e 150 espécies de Coleoptera, os besouros. Esses números revelam a importância dos insetos como polinizadores, decompositores e fonte de alimento para outras faunas.
Os vertebrados somam 418 espécies de aves, representando cerca de 29% do total listado. As aves desempenham papéis essenciais na dispersão de sementes e controle de pragas, além de serem indicadores sensíveis de alterações ambientais.
- 812 invertebrados (613 insetos)
- 301 Lepidoptera
- 150 Coleoptera
- 418 aves
Além disso, a lista inclui 137 espécies endêmicas da Mata Atlântica, das quais 37 apresentam algum grau de ameaça de extinção e 16 são classificadas como quase ameaçadas. Essa informação é crucial para priorizar ações de conservação e evitar a perda de biodiversidade única.
O papel da ciência cidadã e a plataforma iNaturalist
Um diferencial marcante da edição de 2026 foi a integração da plataforma de ciência cidadã iNaturalist. Cidadãos, estudantes, fotógrafos da natureza e pesquisadores registraram observações em todo o município, enviando fotos e dados que foram validados por especialistas.
Essas contribuições ampliaram o alcance do levantamento, permitindo a inclusão de registros provenientes de áreas pouco exploradas por equipes institucionais. O envolvimento da comunidade fortalece a cultura de conservação e gera um banco de dados dinâmico, continuamente atualizado.
Com iNaturalist, foi possível identificar espécies que antes passavam despercebidas, como pequenos mamíferos noturnos e insetos de nichos específicos. Essa colaboração demonstra como a tecnologia pode transformar o monitoramento da biodiversidade urbana.
Próximos passos e impactos nas políticas públicas
Com a lista completa publicada no Diário Oficial em 18 de setembro e disponível online, a secretaria pretende utilizá‑la como referência para a revisão dos planos de manejo de áreas verdes. As informações servirão de base para a criação de corredores ecológicos, a definição de zonas de proteção e a implementação de programas de educação ambiental nas escolas.
Além disso, a secretaria planeja promover workshops de capacitação para servidores municipais e líderes comunitários, a fim de disseminar boas práticas de monitoramento e conservação. Esses esforços buscam integrar a gestão pública com a ciência cidadã, criando um ciclo virtuoso de coleta de dados e tomada de decisão.
O aumento significativo no número de espécies registradas também abre oportunidades para pesquisas acadêmicas, atraindo universidades e centros de estudo para desenvolver projetos de longo prazo sobre a fauna de Guarulhos. O apoio institucional e o engajamento da população são vistos como pilares para garantir a sustentabilidade dos ecossistemas locais.








