Um jato executivo Legacy 650, registrado sob o prefixo PP-NLR, foi utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo ministro Alexandre de Moraes em viagens distintas durante 2025. As movimentações foram confirmadas por fontes jornalísticas e documentos alfandegários, mostrando a ligação da aeronave com a empresa de Daniel Vorcaro.
Sobre o Legacy 650 e sua capacidade
Fabricado pela Embraer, o Legacy 650 comporta três tripulantes e até treze passageiros, oferecendo autonomia de voo de aproximadamente 6.780 km. A velocidade de cruzeiro pode alcançar cerca de 850 km/h, tornando‑o adequado para trajetos transcontinentais.
Além do conforto interno, o jato dispõe de áreas exclusivas, como um banheiro completo e uma cabine de reunião equipada com conectividade avançada. Essas características o tornam popular entre executivos e políticos que precisam otimizar tempo entre compromissos.
Viagens de Flávio Bolsonaro
Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro partiu de Fort Lauderdale, na Flórida, às 12h15 do dia 19, retornando a Brasília às 20h01. A viagem incluiu sua esposa, filhos e o advogado Willer Tomaz, que acompanhava o senador durante a estadia nos Estados Unidos.
O registro de entrada e saída da alfândega americana comprova que o senador chegou ao país em 27 de dezembro de 2024, permanecendo até a data do retorno. O voo de volta utilizou o Legacy 650, que na época era gerido pela Prime Aviation, empresa vinculada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a revista Piauí, a utilização do jato por Flávio Bolsonaro foi parte de um contrato de cessão de dez anos entre a Prime Aviation e a Fraction 024, controlada por Marcus Vinícius da Mata, sócio próximo de Vorcaro.
Uso do jato por Alexandre de Moraes
Meses após a viagem de Flávio Bolsonaro, em agosto de 2025, o mesmo Legacy 650 foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes e por sua esposa, a advogada Viviane Barci. O casal realizou deslocamentos entre Brasília e outras capitais, aproveitando a rapidez do avião.
Documentos da Polícia Federal apontam que o contrato de prestação de serviços advocatícios entre a barbearia de Moraes e a Viking Participações, empresa do conglomerado Vorcaro, teria incluído a disponibilização da aeronave por cerca de R$ 50 milhões.
Embora a Viking não fosse proprietária direta do jato, ela fazia parte de uma estrutura de empresas criada para diluir ativos financeiros, segundo investigações da PF.
Controvérsias envolvendo Daniel Vorcaro e a Prime Aviation
O advogado Willer Tomaz, que acompanhou Flávio Bolsonaro na viagem de janeiro, emitiu nota negando qualquer relação com Daniel Vorcaro. Ele afirmou que nunca celebrou negócios com o banqueiro e desconhece a propriedade da aeronave.
Em abril de 2026, Tomaz denunciou um contrato de cessão de cotas da Prime You, alegando que a venda ocorreu sem seu conhecimento e que está litigando contra a empresa.
As investigações da Polícia Federal continuam a analisar as transações entre a Prime Aviation, a Viking Participações e os contratos firmados com figuras públicas, buscando esclarecer possíveis irregularidades financeiras.
- Capacidade: 13 passageiros + 3 tripulantes;
- Alcance máximo: 6.780 km;
- Velocidade de cruzeiro: 850 km/h;
- Ano de fabricação: 2012;
- Gestão: Prime Aviation (empresa vinculada a Daniel Vorcaro).
O caso ilustra como aeronaves de alto padrão podem ser utilizadas por políticos em contextos que levantam dúvidas sobre a origem dos recursos e a transparência nas relações empresariais. A cobertura da imprensa e as investigações judiciais deverão trazer mais clareza nos próximos meses.








