Na tarde de sexta‑feira, 25 de setembro de 2026, a Biblioteca Brito Broca, em Pirituba (São Paulo), recebeu a apresentação gratuita do espetáculo “Os Donos do Campo”, criado por alunos da Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos. O evento marcou a primeira vez que a produção da escola foi levada a um espaço cultural fora do município guarulhense, ampliando o alcance da iniciativa pedagógica.
Contexto e importância do evento
A iniciativa surge em um momento de intensificação das políticas culturais de Guarulhos, que buscam levar a arte às comunidades vizinhas e criar pontes entre diferentes territórios. A escolha da Biblioteca Brito Broca, localizada na Avenida Mutinga, reforça o compromisso de democratizar o acesso ao teatro, utilizando um espaço já conhecido por seu público leitor e estudioso.
Além de oferecer entretenimento, a apresentação tem objetivo educativo: apresentar ao público a produção de jovens artistas que passaram por um processo de formação intensiva, integrando técnicas de atuação, criação de máscaras e estudo de narrativas coletivas.
O evento também funciona como vitrine para a Escola Viva de Artes Cênicas, que tem se destacado no cenário cultural de Guarulhos ao combinar formação acadêmica com projetos de intervenção social.
A montagem e sua proposta artística
“Os Donos do Campo” é uma montagem baseada em máscaras, inspirada na tradição da Comédia Humana, e desenvolve uma narrativa que entrelaça memória, futebol e identidade comunitária. A peça traz à tona personagens históricas do Clube Recreativo Jardim Tranquilidade, um símbolo local que ainda desperta emoções entre os moradores.
Os estudantes foram desafiados a criar, a partir de pesquisas de campo e entrevistas, personagens que representassem diferentes gerações do clube, permitindo que o passado fosse revivido em cena. Essa abordagem favoreceu a construção de uma memória coletiva, ao mesmo tempo em que gerou momentos de humor e confusão, típicos da dramaturgia popular.
Todo o processo de criação foi orientado pela arte‑educadora Camila Rodrigues, que conduziu oficinas de máscara, improvisação e escrita colaborativa, garantindo que a voz dos jovens permanecesse central na narrativa.
Elenco e participação dos estudantes
O espetáculo contou com um elenco diversificado, formado exclusivamente por alunos da Escola Viva de Artes Cênicas. Cada participante assumiu um papel que exigia domínio de técnicas corporais, vocalização e manipulação de máscaras, demonstrando o nível avançado de treinamento oferecido pela instituição.
- Carla Maio
- Gustavo Mascari
- Geff Del Busso
- Jackson Jamal
- Karina Pamella
- Kev Silva
- Letícia D’Alma
- Marco Liazi
- Miguel Fleming Melo
- Núbia Silva
- Tânia Mara Fleming
- Vivy Corral
- Wendell Sousa
Além de atuar, os estudantes foram responsáveis por aspectos de produção, como a confecção das máscaras, a criação de figurinos e a montagem do cenário, reforçando a proposta de aprendizado integral da escola.
A participação ativa em todas as etapas do processo fortaleceu o sentimento de pertencimento e responsabilidade dos jovens, que relataram ter sentido “um orgulho imenso ao ver o público reconhecendo seu trabalho”.
Impacto na comunidade e perspectivas futuras
A recepção do público foi extremamente positiva, com espectadores elogiando a criatividade das máscaras e a capacidade dos estudantes de transmitir emoções complexas em um curto espaço de tempo. Comentários nas redes sociais destacaram a importância de levar a arte para bairros como Pirituba, que historicamente têm menos acesso a eventos culturais de grande porte.
Para a Escola Viva de Artes Cênicas, a experiência abre caminho para novas parcerias com bibliotecas, centros culturais e escolas de outras cidades, ampliando o alcance de seus projetos pedagógicos. Camila Rodrigues já sinalizou a intenção de levar outras produções para locais como a Casa das Culturas de São Paulo e o Sesc Pompéia.
O sucesso do espetáculo também reforça a necessidade de políticas públicas que incentivem a circulação de produção cultural entre municípios, facilitando intercâmbios artísticos e fortalecendo redes de colaboração.
Em síntese, “Os Donos do Campo” não foi apenas uma apresentação teatral; foi um ponto de convergência entre educação, memória e comunidade, demonstrando como a arte pode servir como ferramenta de transformação social quando bem integrada ao cotidiano das pessoas.








