Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada nesta quarta‑feira, 23 de setembro de 2026, apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem desvantagem em quase todos os cenários da disputa eleitoral no Rio Grande do Sul. O levantamento, realizado entre 15 e 20 de setembro com 1.819 eleitores gaúchos, mostrou que Lula só ficaria à frente de dois concorrentes: o ex‑governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o empresário Renan Santos (Missão).
Metodologia e margem de erro da pesquisa
O estudo da AtlasIntel utilizou amostragem probabilística, garantindo um nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. Foram entrevistados eleitores de diferentes faixas etárias, classes sociais e regiões do estado, o que confere representatividade ao resultado.
Os entrevistados foram questionados sobre sua intenção de voto para o primeiro turno e, em seguida, foram apresentadas simulações de segundo turno entre Lula e cada um dos principais adversários. Essa abordagem permite analisar não apenas a preferência atual, mas também as possíveis alianças e mudanças de comportamento do eleitorado.
Resultados para o primeiro turno
No primeiro turno, Lula registrou 36,2% das intenções de voto, ficando atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), que lidera com 41,6%. Os demais candidatos dividiram o restante do eleitorado, com destaque para Romeu Zema (Novo) em 8,5% e Renan Santos (Missão) em 7,9%.
Os candidatos de menor expressão – Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU) e Clariana Barão (DC) – somaram apenas 0,9% e foram classificados como “outros”. Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Edmilson Costa (PCB) não obtiveram pontuação relevante.
Simulações de segundo turno
Quando as simulações de segundo turno foram analisadas, Lula manteve a desvantagem frente à maioria dos adversários. Apenas duas hipóteses mostraram o petista como vencedor:
- Romeu Zema (Novo)
- Renan Santos (Missão)
Em todas as outras combinações – incluindo o confronto com Flávio Bolsonaro, com o candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB) ou com o ex‑governador Tarso Genro – Lula ficou em segundo ou terceiro lugar, indicando uma vulnerabilidade significativa no estado.
Rejeição e contexto político
A pesquisa também revelou que Lula é o político mais rejeitado pelos gaúchos, com 49% de desaprovação. Esse índice de rejeição supera o de muitos concorrentes e reflete um clima de insatisfação que pode influenciar o comportamento nas urnas.
Analistas apontam que a combinação de fatores econômicos regionais, questões de segurança pública e a percepção de que o governo federal não tem atendido suficientemente as demandas locais contribuíram para esse cenário desfavorável ao presidente.
Além disso, a presença de candidatos com forte apelo local – como Zema, que tem histórico de gestão em Minas Gerais, e Santos, empresário conhecido no interior do estado – atrai eleitores que buscam alternativas ao tradicional bipartidarismo.
Implicações para a campanha presidencial
Os dados da AtlasIntel sugerem que a campanha de Lula precisará de uma reestruturação estratégica no Rio Grande do Sul. Investimentos em visitas ao interior, alianças com lideranças regionais e a apresentação de propostas específicas para os setores mais afetados pela crise econômica podem ser essenciais para reverter a tendência de queda.
Por outro lado, os adversários de Lula podem intensificar suas campanhas, aproveitando o alto índice de rejeição do presidente para consolidar apoio e atrair eleitores indecisos. A disputa promete ser acirrada, especialmente nos municípios onde o petista ainda detém alguma base de apoio.
Vale lembrar que a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR‑01816/2026, o que garante sua validade e transparência perante o público e os órgãos de fiscalização.
O que esperar nas próximas semanas
Com a campanha oficial ainda em fase de consolidação, os próximos dias serão decisivos para definir os rumos da disputa. A expectativa é que os candidatos intensifiquem a presença nas mídias digitais, promovam debates regionais e busquem alianças com partidos menores para ampliar suas bases.
Observadores políticos recomendam atenção ao comportamento dos eleitores nas áreas rurais e nas cidades médias, onde a margem de decisão ainda é estreita e pode mudar rapidamente com a divulgação de propostas concretas.
Em resumo, a pesquisa da AtlasIntel coloca Lula em uma posição delicada no Rio Grande do Sul, destacando a necessidade de ajustes de campanha e a importância de compreender as particularidades do eleitorado gaúcho para reverter a tendência de derrota nos possíveis segundos turnos.








