Em outubro de 2024, a Petrobras confirmou a importação de 650 milhões de litros de diesel para suprir a demanda nacional, anunciando que a operação será concluída ainda neste mês. A decisão foi tomada pela diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano, durante reunião com representantes do setor energético. O volume importado será distribuído pelos principais terminais do país, garantindo abastecimento contínuo nos estados mais afetados pela alta demanda agrícola.
Importação garantida para outubro
A estatal explicou que a compra externa foi planejada com antecedência, levando em conta os contratos de longo prazo com fornecedores da América Latina e da Europa. Cada carregamento foi programado para chegar nos principais portos do Sudeste e do Sul, permitindo que as distribuidoras locais reabasteçam seus estoques antes do início da safra de verão. Essa estratégia evita rupturas no fornecimento e contribui para a estabilidade do preço interno do combustível.
Além da quantidade, a Petrobras destacou que a qualidade do diesel importado segue os padrões de certificação internacional, o que garante menor emissão de poluentes nos veículos pesados. A empresa também reforçou que a operação contou com o apoio logístico de parceiros portuários, que otimizaram o desembarque e a armazenagem dos tanques. O resultado é uma cadeia de suprimentos mais resiliente, capaz de responder rapidamente a variações de demanda.
Manutenção programada da Refinaria Presidente Getúlio Vargas
A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), localizada em São José dos Pinhais, Paraná, iniciou uma parada programada para a realização de manutenção preventiva em seus principais equipamentos. O processo, previsto para durar cerca de quatro semanas, inclui inspeções detalhadas em unidades de craqueamento, hidrotratamento e unidades de produção de diesel. A interrupção temporária é essencial para garantir a segurança operacional e prolongar a vida útil dos ativos.
Angélica Laureano assegurou que, apesar da parada, as demais refinarias da Petrobras permanecem em operação com níveis de utilização de capacidade “bastante alto”, o que minimiza o impacto na oferta nacional. A Repar deve retomar as atividades em novembro, com a expectativa de operar acima da capacidade nominal, compensando a redução temporária de produção. Essa recuperação rápida é fundamental para atender ao consumo crescente nos estados do Sul e Sudeste.
Demanda de diesel no pico da safra de verão
Outubro representa um dos períodos mais críticos para o consumo de diesel no Brasil, pois coincide com o início do plantio da safra de verão e o transporte do milho recém-colhido nas regiões Centro-Oeste e Sul. Agricultores dependem do combustível para operar tratores, colhedoras e caminhões que levam a produção até os armazéns e portos de exportação. Essa combinação eleva a pressão sobre os estoques e exige um planejamento cuidadoso por parte dos distribuidores.
Além do setor agropecuário, outros segmentos intensivos em diesel, como mineração, transporte rodoviário de carga e geração de energia em termelétricas, também experimentam aumento de consumo. A seguir, alguns dos principais usuários que impulsionam a demanda neste período:
- Tratores e máquinas agrícolas nas áreas de plantio e colheita;
- Caminhões de carga que transportam grãos para terminais portuários;
- Usinas de mineração que utilizam diesel em equipamentos de escavação;
- Usinas termelétricas que complementam a geração hidrelétrica;
- Frotas de ônibus e veículos de transporte urbano em grandes cidades.
Com esses fatores combinados, a necessidade de garantir um estoque adequado de diesel torna‑se estratégica para evitar gargalos que possam comprometer a produtividade agrícola e a cadeia de suprimentos nacional.
Perspectivas para o mercado em novembro
Para o mês seguinte, a Petrobras não prevê a necessidade de grandes volumes de importação, uma vez que a safra de verão já terá avançado e a demanda tende a recuar. A empresa indica que o estoque interno, reforçado pelos volumes importados em outubro, será suficiente para atender ao consumo residual dos setores acima citados. Essa redução nas compras externas também deve aliviar a pressão sobre a taxa de câmbio, já que menos dólares serão empregados na aquisição de combustível.
Analistas do mercado de energia apontam que a expectativa de menor importação pode refletir em uma estabilização dos preços ao consumidor, especialmente nos estados onde a demanda costuma ser mais volátil. Contudo, fatores como a variação do preço do petróleo no mercado internacional e as políticas de tributos sobre combustíveis ainda podem influenciar o valor final nas bombas.
Em termos de estratégia corporativa, a Petrobras reforça seu compromisso de manter a segurança energética do país, equilibrando a produção interna com aquisições pontuais quando necessário. A empresa também destaca que investimentos em modernização das unidades de refino e em projetos de energia renovável estão em andamento, visando reduzir a dependência de importações a longo prazo.
Estratégia de longo prazo e impacto nos preços
A estatal tem trabalhado para diversificar suas fontes de abastecimento, incluindo acordos de swap de petróleo e contratos de longo prazo com produtores de diesel de alta qualidade. Essa abordagem permite que a Petrobras administre melhor os riscos de volatilidade dos preços internacionais e ofereça previsibilidade ao mercado interno. Além disso, a empresa está avaliando a expansão de sua capacidade de produção de biodiesel, alinhando-se às metas de sustentabilidade estabelecidas pelo governo.
Para o consumidor final, a combinação de um estoque robusto, manutenção programada das refinarias e uma política de importação seletiva pode resultar em preços mais estáveis nas bombas ao longo dos próximos meses. A expectativa é que, com a retomada das operações da Repar em novembro, a oferta doméstica se consolide, reduzindo a necessidade de recorrer ao mercado externo e mitigando possíveis aumentos de tarifa.








