Uma pesquisa realizada pela Quaest e divulgada nesta terça‑feira (22 de setembro) revelou que 59 % dos eleitores brasileiros consideram as posições políticas das pessoas que moram com eles muito semelhantes às suas. O levantamento, encomendado pela Globo e O Globo, entrevistou 2.004 eleitores com idade a partir de 16 anos, entre os dias 17 e 20 de setembro, e traz ainda dados segmentados por faixa etária, renda, região e orientação ideológica.
Metodologia e margem de erro
A amostra foi construída para representar a população votante nacional, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95 %. O número de registro da pesquisa é BR‑06004/2026. Não foram feitas perguntas sobre voto em candidato específico, apenas sobre a percepção de afinidade política entre os moradores do mesmo domicílio.
Para facilitar a visualização, os resultados principais foram organizados em listas:
- 59 % dizem que as posições são “muito parecidas”;
- 16 % consideram-nas “pouco parecidas”;
- 18 % afirmam que “não são nada parecidas”;
- 3 % não costumam conversar sobre política;
- 4 % não souberam ou não responderam.
Esses números já apontam uma tendência clara de alinhamento interno nos lares, mas a pesquisa vai além e desdobra os dados por grupos ideológicos, idade, renda e região.
Diferenças entre grupos ideológicos
Quando a amostra é segmentada por identificação política, surgem contrastes relevantes. Entre os eleitores que se autodeclaram bolsonaristas, 75 % percebem que as pessoas com quem moram compartilham posições muito parecidas. Entre os que se consideram lulistas, esse percentual cai para 66 %.
Os eleitores de direita que não se alinham ao bolsonarismo ainda apresentam 67 % de respostas afirmativas, enquanto a esquerda não lulista registra 62 %. Já os independentes mostram o menor grau de alinhamento, com 43 % indicando forte semelhança nas posições políticas.
As margens de erro variam entre os grupos: cinco pontos percentuais entre lulistas e direita não bolsonarista, seis pontos entre bolsonaristas e esquerda não lulista, e quatro pontos entre independentes. Mesmo considerando essas variações, a diferença entre os extremos ideológicos permanece significativa.
Influência da idade e da renda familiar
O recorte etário revela que a percepção de afinidade política aumenta com a idade, embora de forma não linear. Eleitores de 16 a 34 anos apontam 53 % de respostas “muito parecidas”, enquanto a faixa de 35 a 59 anos chega a 61 %. Entre os 60 anos ou mais, o número volta a 58 %.
Quanto à renda, a tendência é inversa: quanto maior a renda familiar, menor a proporção que considera as posições políticas como nada parecidas. Apenas 14 % dos entrevistados com renda acima de cinco salários mínimos classificam as opiniões como “nada parecidas”, contra 24 % dos que recebem até dois salários mínimos.
Essas diferenças são acompanhadas por margens de erro de quatro pontos percentuais nas faixas de renda mais baixa e alta, e três pontos na faixa intermediária.
Distribuição regional da percepção
Em termos geográficos, a maioria dos eleitores de todas as regiões aponta para uma forte semelhança política dentro do lar. No Sul, 64 % dos respondentes afirmam que as posições são muito parecidas; no Sudeste, esse número é de 59 %; no Centro‑Oeste e Norte, combinados, chega a 58 %; e no Nordeste, 55 %.
As margens de erro regionais variam entre três e seis pontos percentuais, mas a constatação de que mais da metade dos eleitores percebe alinhamento político em seus ambientes domésticos permanece robusta.
Esses resultados sugerem que o convívio diário pode reforçar ou até mesmo criar ecos de opinião política, impactando a formação de preferências eleitorais e a dinâmica de debates familiares.
Implicações para a campanha de 2026
Embora a pesquisa não tenha perguntado sobre intenção de voto em candidatos específicos, a percepção de afinidade dentro dos lares pode ser um indicativo de como as campanhas precisarão abordar o discurso familiar. Estratégias que visam mobilizar eleitores podem considerar o papel dos “influenciadores domésticos” – pais, parceiros ou companheiros de quarto – como canais de persuasão.
Para os partidos, entender que a maioria dos eleitores acredita que suas posições políticas são compartilhadas pelos co‑habitantes pode abrir espaço para mensagens que reforcem valores comuns e reduzam a percepção de polarização interna.
Ao mesmo tempo, a presença de um percentual significativo que vê pouca ou nenhuma semelhança (18 % e 16 % respectivamente) indica que ainda há espaço para abordagens que quebrem o consenso familiar e apresentem propostas diferenciadas.
Em suma, a pesquisa Quaest oferece um panorama detalhado da percepção de alinhamento político nos lares brasileiros, apontando para nuances que vão além das simples afiliações partidárias e que podem influenciar o cenário eleitoral de 2026.








