Em entrevista ao quadro Bem Sertanejo, exibido no Fantástico, o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, contou que a decisão de seguir a carreira musical foi inspirada nas canções que ouvia ao lado do pai durante a infância. A gravação foi ao ar na última terça‑feira, 22 de setembro, e trouxe ao público detalhes sobre a vida no interior do Tocantins que ainda influenciam o artista.
Raízes na roça tocantinense
Rick nasceu e cresceu em Monte do Carmo, uma pequena comunidade rural situada no sul do Tocantins. Até os dez anos de idade, ele dividia seu tempo entre as tarefas da fazenda e as festas familiares que aconteciam no terreiro da casa. Nessas celebrações, a música era a protagonista, reunindo parentes para tocar, cantar e dançar ritmos típicos da região.
A presença constante de instrumentos como violão, sanfona e pandeiro criava um ambiente propício ao aprendizado informal. Rick lembra que, ainda criança, acompanhava o pai nas apresentações improvisadas, absorvendo melodias que ainda hoje ecoam em suas composições.
O pai como guardião da cultura
O pai de Rick desempenhou um papel fundamental na transmissão das tradições culturais tocantinenses. Ele era responsável por organizar as Folias de Reis, as Folias do Divino e a sussa, ritmo característico do estado. Embora não escrevesse partituras, o pai compunha canções que permaneciam vivas apenas na memória familiar.
- Folias de Reis – celebração religiosa com cantos e danças.
- Folias do Divino – manifestação popular que mistura fé e folclore.
- Sussa – ritmo acelerado, marcado por percussão e palmas.
Essas manifestações não eram apenas entretenimento; eram veículos de identidade que ensinavam valores, histórias e a própria língua do interior. Rick destaca que a sussa, em especial, influenciou a batida de algumas das suas gravações mais conhecidas.
Da infância ao sucesso nacional
O interesse pela música, segundo o artista, surgiu muito antes de sua primeira gravação profissional. Enquanto ajudava nas tarefas do campo, ele já improvisava letras e melodias, inspirado nas histórias que o pai contava nas noites de fogueira.
Ao ingressar na dupla Rick & Renner, ele trouxe ao repertório elementos da sussa, como na canção “Fica Amor, Tá Cedo”, que mescla o ritmo tradicional com a produção pop sertaneja. Essa fusão foi apontada como um dos diferenciais que conquistou o público nas rádios brasileiras.
Além das composições, Rick acredita que a influência paterna se reflete na forma como interpreta cada verso. Ele descreve sua performance como um “diálogo entre passado e presente”, onde cada nota carrega a memória das festas de família.
O legado que permanece
Mesmo após décadas de carreira, Rick mantém viva a conexão com o Tocantins. Em entrevistas recentes, ele afirma que ainda visita a região para participar de eventos culturais e para relembrar as raízes que o fizeram artista.
Ele também tem incentivado novos músicos da zona rural a valorizarem suas tradições, destacando que a autenticidade é um dos maiores patrimônios que um artista pode oferecer ao público.
O relato de Rick no Fantástico reforça a importância de reconhecer as influências familiares na construção de uma carreira musical sólida. Ao compartilhar suas memórias, ele não apenas homenageia seu pai, mas também preserva a cultura tocantinense para as próximas gerações.
Para quem deseja conhecer mais sobre a história completa, o episódio está disponível no podcast “Isso É Fantástico”, distribuído nas principais plataformas de áudio. O programa oferece reportagens aprofundadas, investigações e narrativas que complementam a entrevista televisiva.








