Em discurso na 81ª Assembleia‑Geral das Nações Unidas, realizado em Nova Iorque nesta terça‑feira (22 de setembro de 2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o multilateralismo e denunciou as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos como armas de pressão e chantagem.
Multilateralismo como caminho para a paz comercial
Lula ressaltou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) está enfraquecida quando países recorrem a medidas unilaterais que prejudicam a cooperação global. Segundo o presidente, a OMC “respira por aparelhos” diante de barreiras tarifárias que não têm fundamento técnico.
Ele enfatizou que o mundo precisa de regras claras e de um sistema que proteja os países em desenvolvimento contra práticas protecionistas. Para o líder brasileiro, o multilateralismo é a única alternativa para garantir que o comércio internacional seja justo e equilibrado.
Tarifas americanas: detalhes e impactos setoriais
O governo dos Estados Unidos impôs um “tarifaço” que chegou a 37,5% sobre diversas exportações brasileiras. A medida se apoia em duas frentes principais:
- 25% de tarifa baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, motivada por disputas envolvendo o PIX, a regulação de plataformas digitais e o etanol.
- 12,5% adicionais alegando falhas na fiscalização contra trabalho forçado em cadeias produtivas brasileiras.
Embora produtos como carne bovina, café e celulose tenham sido isentos, setores estratégicos – como o etanol e o maquinário agrícola – foram diretamente atingidos, gerando preocupação entre produtores e exportadores.
Essas tarifas afetam diretamente a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados norte‑americanos, elevando custos para importadores e reduzindo a margem de lucro dos exportadores.
Resposta do Brasil: ação diplomática e legal
Em reação à medida unilateral, o Brasil acionou a Lei de Reciprocidade Econômica e iniciou consultas diplomáticas para contestar as barreiras tanto bilateralmente quanto na OMC. O objetivo é buscar a reversão das tarifas e garantir que o comércio seja regido por normas internacionais.
Até o momento, o país não aplicou retaliações práticas nem impôs novas tarifas sobre produtos americanos, optando por uma estratégia de pressão jurídica e diplomática.
O presidente Lula destacou que, apesar do “tarifaço”, as exportações brasileiras continuam a crescer, demonstrando a resiliência da economia e a capacidade de adaptação dos setores exportadores.
Ele apontou que o Brasil tem diversificado seus mercados, ampliando a presença em países da Ásia, Europa e América Latina, o que reduz a dependência de um único parceiro comercial.
Além disso, Lula reforçou a importância de fortalecer acordos regionais, como o Mercosul, e de buscar novas parcerias que garantam condições mais favoráveis para o comércio exterior.
Perspectivas futuras e desafios
O cenário comercial internacional permanece incerto, com tensões entre grandes potências que podem gerar novos obstáculos para as cadeias de suprimentos globais. Lula alertou que a continuidade de políticas protecionistas pode levar a uma “espiral de retaliações” que prejudicaria todos os países envolvidos.
Ele conclamou os membros da ONU a trabalharem juntos na reforma da OMC, tornando-a mais eficaz na resolução de disputas comerciais e na prevenção de medidas unilaterais.
Para o Brasil, a estratégia passa por combinar pressão diplomática, ações judiciais na OMC e a ampliação de acordos bilaterais que ofereçam garantias de acesso a mercados.
O presidente também destacou a necessidade de investir em tecnologia e inovação nos setores mais afetados, como o etanol, para aumentar a competitividade e reduzir a vulnerabilidade a barreiras tarifárias.
Em síntese, Lula utilizou a plataforma da ONU para chamar a atenção da comunidade internacional sobre os riscos das tarifas americanas, ao mesmo tempo em que reforçou a confiança no multilateralismo como caminho para um comércio mais justo e equilibrado.








