Na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em 22 de setembro de 2026 na sede da ONU em Nova York, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, abordou a importância da soberania dos Estados e o risco do unilateralismo nas relações internacionais.
Desafios ao multilateralismo e a defesa da soberania
Lula iniciou seu discurso ressaltando que o Conselho de Segurança deve focar em questões que definem o futuro da humanidade, como a escolha entre multilateralismo e unilateralismo. Ele enfatizou que a soberania não pode ser tratada como subordinação a interesses externos.
O presidente afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e que o país busca parceiros que compartilhem uma agenda positiva para o desenvolvimento. Segundo ele, diferenças ideológicas não podem ser barreira para a integração regional.
Ele alertou ainda que a democracia global está novamente em risco, citando episódios recentes de ingerência externa em processos eleitorais de diversas nações.
- Defesa da soberania nacional;
- Apelo ao multilateralismo como caminho para a paz;
- Rejeição à interferência em eleições;
- Busca por parcerias estratégicas.
Relações Brasil‑Estados Unidos à sombra das eleições
O discurso de Lula ocorreu em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, justamente na reta final da campanha presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro de 2026.
O candidato à presidência do Brasil, senador Flávio Bolsonaro, foi recebido por Donald Trump na Casa Branca em maio, o que aumentou as suspeitas de influência externa nas eleições brasileiras.
Lula e seu governo manifestaram preocupação com possíveis tentativas de interferência dos EUA no pleito, reforçando que a escolha do próximo presidente deve ser exclusiva dos eleitores brasileiros.
Além da questão eleitoral, o governo americano sob Trump impôs tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, medida que o Brasil contestou como protecionismo injustificado.
Compromisso ambiental e exploração responsável dos recursos
No âmbito ambiental, Lula destacou que o Brasil tem capacidade de conciliar crescimento econômico, redução de emissões e preservação da biodiversidade.
Ele ressaltou a queda significativa do desmatamento nos últimos anos, posicionando o país como referência em energia limpa e reforçando a frase “a floresta vale mais em pé”.
Ao mesmo tempo, o presidente afirmou que o Brasil continuará explorando recursos estratégicos, como os da Margem Equatorial e minerais raros essenciais à transição energética, sem abandonar a agenda de descarbonização.
Para o governo, as riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro e devem ser aproveitadas em benefício da população, garantindo desenvolvimento sustentável e inclusão social.
Durante o debate geral da Assembleia, Lula também abordou outros temas relevantes, como a necessidade de reforçar o sistema multilateral, a importância da cooperação Sul‑Sul e o papel da ONU na promoção da paz mundial.
A tradição de abertura dos discursos do debate geral pelo Brasil, mantida desde 1955, foi seguida por Lula, que foi imediatamente sucedido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ao final da fala, o presidente brasileiro convidou a comunidade internacional a apoiar uma agenda de desenvolvimento que respeite a soberania, a democracia e o meio ambiente, apontando para um futuro onde a cooperação supere a competição desenfreada.
Os principais pontos do discurso podem ser resumidos da seguinte forma:
- Reforço da soberania nacional e oposição à interferência externa;
- Apelo ao multilateralismo como solução para desafios globais;
- Preocupação com a influência dos EUA nas eleições brasileiras;
- Compromisso com a preservação ambiental e exploração sustentável de recursos;
- Convite à comunidade internacional para apoiar uma agenda de desenvolvimento inclusivo.
Com esse discurso, Lula buscou posicionar o Brasil como um ator independente, capaz de liderar iniciativas que conciliem crescimento econômico, justiça social e proteção ambiental, ao mesmo tempo em que alerta para os perigos do unilateralismo e da interferência externa.








