Uma nova pesquisa da Quaist, divulgada entre os dias 17 e 20 de setembro, mostrou Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% das intenções de voto no primeiro turno. O levantamento, que entrevistou 2.004 eleitores em todo o país, trouxe à tona a discussão sobre a viabilidade de uma decisão eleitoral já na primeira votação. O diretor de Inteligência da Quaist, Guilherme Russo, comentou que, apesar do estreito intervalo entre os dois candidatos, ainda é muito improvável que a eleição seja resolvida sem segundo turno.
Contexto da pesquisa e principais números
A pesquisa revelou um cenário de proximidade entre os dois líderes de intenção de voto. Com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, os resultados permitem que ambos alcancem até 35%, configurando um empate técnico. No segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece levemente à frente, com 42% contra 41% de Lula.
Além dos dois principais, outros candidatos registraram percentuais menores, indicando uma concentração de apoio nos dois primeiros colocados. Essa dinâmica pode influenciar o comportamento do eleitor nas últimas semanas de campanha, sobretudo em relação à migração de votos.
- Augusto Cury – 6%
- Ronaldo Caiado – 4%
- Renan Santos – 3%
- Romeu Zema – 1%
- Samara Martins – 1%
Fatores que dificultam a vitória no primeiro turno
Guilherme Russo apontou dois elementos principais que, em sua avaliação, reduzem as chances de uma definição imediata. O primeiro refere‑se à situação de Lula, que embora tenha recuperado parte do apoio, ainda está longe de alcançar o patamar necessário para uma vitória absoluta. O diretor destacou que o presidente precisaria superar significativamente o desempenho de 2022, algo que a pesquisa atual não indica.
O segundo fator está ligado a Flávio Bolsonaro. Mesmo com uma trajetória ascendente, o senador precisaria captar votos de eleitores que tradicionalmente apoiam candidatos com perfis diferentes, como Renan Santos, considerado mais ideológico, e Ronaldo Caiado, cuja base é regional em Goiás. Augusto Cury, por sua vez, representa um candidato centrista que poderia atrair eleitores indecisos.
Esses dois obstáculos – a necessidade de Lula ampliar seu apoio e a dificuldade de Flávio consolidar eleitores de nichos distintos – criam um cenário de incerteza que, segundo Russo, impede a projeção de um primeiro turno decisivo.
O fenômeno da antecipação de voto
Russo também explicou que a antecipação de voto costuma se intensificar nos últimos dias de campanha. Eleitores que percebem um candidato como incapaz de chegar ao segundo turno tendem a transferir seu voto para quem consideram com maiores chances de avançar. Esse comportamento pode gerar um efeito de bola de neve, favorecendo os dois líderes de intenção.
Entretanto, a própria presença de dois candidatos claramente à frente pode estimular essa migração, pois os eleitores buscam garantir que seu voto tenha peso no resultado final. O diretor da Quaist ressaltou que, apesar desse movimento, ainda não há indícios claros de que ele será suficiente para evitar o segundo turno.
Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, e ao lado do editor de política José Benedito da Silva, Russo detalhou que a proximidade dos números não se traduz automaticamente em uma decisão imediata. Ele enfatizou que a margem de erro ainda permite variações que podem mudar o panorama nas próximas semanas.
Assim, a pesquisa da Quaist oferece um retrato de alta competitividade, mas também evidencia que a definição da eleição ainda depende de fatores ainda não consolidados, como a mobilização de eleitores indecisos, a estratégia de campanha nos últimos dias e possíveis alianças políticas que possam surgir.








