Em entrevista ao programa VEJA em Foco, divulgada nesta semana, Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, explicou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno pode mudar drasticamente o cenário do segundo turno. A conversa aconteceu no estúdio da TV, com a presença da jornalista Marcela Rahal e do editor José Benedito da Silva.
Cenário atual da pesquisa Quaest
A pesquisa mais recente da Quaest, realizada entre 17 e 20 de setembro, aponta Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. A diferença de quatro pontos está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, indicando uma disputa praticamente equilibrada.
No segundo turno, os números se aproximam ainda mais: Flávio aparece com 42% e Lula com 41%, também dentro da margem de erro. A amostra contou com 2.004 eleitores e o nível de confiança da pesquisa é de 95%.
Distribuição dos eleitores dos candidatos menores
Além dos dois principais, a pesquisa lista outros candidatos que ainda podem influenciar o resultado final. Os percentuais são os seguintes:
- Augusto Cury – 6%
- Ronaldo Caiado – 4%
- Renan Santos – 3%
- Romeu Zema – 1%
- Samara Martins – 1%
Russo destacou que, historicamente, eleitores desses candidatos tendem a migrar para Flávio Bolsonaro quando seus favoritos são eliminados. Isso ocorre porque a maior parte desse eleitorado compartilha posições mais conservadoras ou centristas, alinhando‑se ao discurso do senador.
Por outro lado, o eleitorado de Lula tem maior propensão a absorver votos de candidatos com perfil mais à esquerda ou de base popular, como Renan Santos, que possui um voto mais ideológico.
Implicações para o segundo turno
Segundo o diretor da Quaest, a estratégia de Lula deve ser garantir a liderança já no primeiro turno. “Se Lula terminar à frente, ele tem mais margem para negociar a transferência de votos dos demais candidatos”, afirmou Russo.
Ele explicou que, caso Flávio vença a primeira rodada, o presidente enfrentará um cenário muito mais complicado, pois precisará reconquistar eleitores que já se posicionaram contra sua candidatura. A polarização crescente dificulta ainda mais esse tipo de reversão.
Além disso, a tendência observada nas últimas semanas indica que a preferência de eleitores indecisos está se deslocando levemente para Flávio. Caso essa tendência continue, a disputa do segundo turno poderia se tornar ainda menos equilibrada, favorecendo o senador.
Entretanto, Russo alertou que nada está matematicamente definido. A margem de erro ainda permite variações significativas, e fatores como debates, alianças de partidos e acontecimentos externos podem mudar rapidamente o panorama.
Considerações finais
Em síntese, a análise da Quaest aponta que a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno criaria um caminho mais difícil para Lula, exigindo que o presidente abra uma vantagem considerável para absorver os votos dos candidatos menores. Por outro lado, se Lula mantiver a liderança, ele terá maior flexibilidade para negociar alianças e ampliar sua base de apoio.
A pesquisa ainda destaca a importância de observar a evolução do eleitorado de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos, já que a migração desses votos pode ser decisiva. Enquanto isso, a campanha de ambos os candidatos deverá focar não apenas na primeira rodada, mas também em estratégias de longo prazo para o possível segundo turno.
Com a corrida presidencial se aproximando, a população brasileira acompanha atentamente cada movimento, ciente de que a definição do vencedor pode depender de nuances que ainda estão por se revelar nas próximas semanas.








