Um grupo de cientistas liderado pelo pesquisador Fábio Calabrio Evangelista da Silva, do Observatório Nacional, revelou nesta semana os oito exoplanetas que apresentam as maiores semelhanças com a Terra, indicando condições favoráveis à presença de água líquida e, possivelmente, à vida. A descoberta foi apresentada na 6ª edição do Astrobion, realizada no Rio de Janeiro, e se baseia na análise de mais de 6 mil mundos fora do nosso sistema solar.
Como a pesquisa identificou exoplanetas habitáveis
Silva utilizou o banco de dados da NASA, que reúne informações detalhadas sobre raio, densidade e distância orbital de cada exoplaneta catalogado. Primeiro, ele filtrou os corpos celestes que apresentam raio e densidade semelhantes aos da Terra, critérios fundamentais para estimar a composição rochosa e a gravidade superficial.
Em seguida, a equipe avaliou a posição dos planetas em relação às suas estrelas hospedeiras, buscando aqueles que se situam na chamada zona habitável – também conhecida como Goldilocks Zone. Essa região permite a existência de água em estado líquido, pois não é nem muito quente nem muito fria.
Para completar a triagem, foram estimadas as propriedades atmosféricas, como pressão e temperatura da superfície, a partir de modelos que consideram a radiação estelar e a composição provável dos gases. Essa abordagem integrada possibilitou a seleção dos oito mundos com maior probabilidade de suportar vida como a conhecemos.
Os oito candidatos mais promissores
A lista final inclui os seguintes exoplanetas, cada um com características que se aproximam das da Terra:
- GJ 1002b – 98% de similaridade com o nosso planeta, localizado a 16 anos‑luz, orbita uma anã vermelha em apenas 10 dias.
- Kepler-442b – raio 1,34 vezes o da Terra, recebe cerca de 70% da energia solar.
- TRAPPIST-1e – parte do famoso sistema TRAPPIST‑1, possui temperatura moderada e atmosfera densa.
- LHS 1140b – massa 1,4 vezes a da Terra, orbitando dentro da zona habitável de sua estrela fria.
- Proxima Centauri b – o planeta mais próximo, a 4,2 anos‑luz, com possibilidade de água líquida em determinadas regiões.
- Kepler-186f – primeiro planeta do tamanho da Terra encontrado na zona habitável de uma estrela anã.
- Ross 128b – órbita estável ao redor de uma anã vermelha silenciosa, reduzindo a exposição a radiação estelar intensa.
- TOI-700d – descoberta recente, apresenta temperatura que permite a existência de água em estado líquido.
O destaque vai para GJ 1002b, que combina tamanho, densidade e temperatura quase idênticos aos da Terra, tornando‑o o principal alvo para futuras observações espectrais.
Desafios e perspectivas na busca por vida extraterrestre
Apesar do entusiasmo gerado pelos resultados, a investigação de mundos tão distantes enfrenta limitações técnicas significativas. A maioria dos exoplanetas está a dezenas ou centenas de anos‑luz da Terra, o que impede missões tripuladas ou mesmo sondas não‑tripuladas com a tecnologia atual.
Para contornar essa barreira, os cientistas dependem de telescópios poderosos, como o James Webb, que analisam a luz estelar durante o trânsito do planeta. As variações espectrais revelam a presença de gases como oxigênio, metano ou vapor d’água, indicadores potenciais de processos biológicos.
Entretanto, a interpretação desses sinais exige cautela. Compostos químicos podem ser produzidos por processos geológicos ou fotográficos, sem necessidade de vida. Por isso, a comunidade científica enfatiza a importância de múltiplas linhas de evidência antes de confirmar a existência de organismos extraterrestres.
O futuro da astrobiologia aponta para missões que combinam observações de alta resolução com modelagem avançada de atmosferas. Projetos como o Extremely Large Telescope (ELT) e a missão LUVOIR prometem ampliar ainda mais a capacidade de detectar bioassinaturas em exoplanetas semelhantes à Terra.
Enquanto isso, a pesquisa liderada por Silva e seus colaboradores reforça a ideia de que o nosso planeta pode não ser único em oferecer as condições ideais para a vida. Cada novo candidato abre portas para perguntas fundamentais sobre a diversidade biológica no universo e alimenta o imaginário popular que, desde a Grécia Antiga, sonha com companheiros cósmicos.








