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Entenda a fissura corneana de Ana Maria Braga e como o ar‑condicionado pode afetar seus olhos

Na última quarta‑feira (16), a apresentadora Ana Maria Braga revelou ao público do programa Mais Você, da TV Globo, que sofreu uma fissura na córnea após dormir com o ar‑condicionado no modo quente ligado. O relato trouxe à tona dúvidas sobre os efeitos do ar‑condicionado na saúde ocular e despertou preocupação entre quem costuma usar o aparelho durante a noite. A apresentadora contou que acordou chorando de dor, o que a levou a buscar orientação médica imediatamente.

Como o ar‑condicionado interfere na camada lacrimal

Segundo a oftalmologista Myrna Serapião, diretora‑médica da rede Vision One, o calor do aparelho não é o vilão principal; o que realmente causa a lesão é a combinação de baixa umidade, fluxo de ar constante e aumento da evaporação da lágrima. Durante o sono, a produção de lágrima diminui naturalmente, e o ar seco intensifica a perda de umidade da superfície ocular. Essa situação pode transformar a película lacrimal em uma camada fina e instável, incapaz de proteger o epitélio corneano.

O ar‑condicionado, seja no modo frio ou quente, retira a umidade do ar ao circular. Quando a umidade relativa do ambiente cai abaixo de 30 %, a taxa de evaporação da lágrima pode dobrar, gerando desidratação rápida da córnea. Esse processo não exige horas de exposição; uma única noite pode ser suficiente para desencadear sintomas em indivíduos já vulneráveis.

Fatores de risco e predisposição individual

Pessoas que já apresentam olho seco, blefarite, pálpebras entreabertas ou que passaram por cirurgias como a blefaroplastia têm maior chance de sofrer fissuras epiteliais. Leonardo Marculino, oftalmologista especialista em córnea pelo Hospital Cema, explica que a blefaroplastia pode deixar as pálpebras menos capazes de fechar totalmente durante o sono, expondo a superfície ocular ao fluxo de ar direto.

A condição pré‑existente da superfície ocular é o principal determinante do risco. Pacientes com histórico de doenças oculares, uso prolongado de lentes de contato ou exposição frequente a ambientes com ar forçado devem redobrar a atenção ao usar o aparelho durante a noite.

Prevenção prática para quem não abre mão do ar‑condicionado

Manter a umidade do ambiente entre 40 % e 60 % é a medida preventiva mais eficaz. Umidificadores eletrônicos ou simples recipientes com água colocados próximos ao aparelho podem elevar a umidade, embora a eficácia varie conforme o tamanho do cômodo.

Além disso, é recomendável posicionar o ar‑condicionado de modo que o fluxo de ar não seja direcionado diretamente ao rosto. Ajustar a inclinação das lâminas ou usar defletores pode reduzir o impacto direto nos olhos.

  • Utilizar colírios lubrificantes ou gel ocular antes de dormir;
  • Aplicar pomada oftálmica de ação prolongada ao fechar as pálpebras;
  • Evitar uso prolongado de lentes de contato durante a noite;
  • Realizar pausas regulares para piscar conscientemente ao usar o ar‑condicionado durante o dia.

Para quem tem tendência ao olho seco, a combinação de umidificador e lubrificante ocular costuma ser suficiente para prevenir a fissura da córnea. A consistência no uso desses recursos pode evitar episódios dolorosos como o relatado por Ana Maria Braga.

Quando buscar atendimento oftalmológico

Os primeiros sinais de lesão corneana incluem dor aguda, sensação de areia, vermelhidão, lacrimejamento excessivo e visão embaçada. Caso esses sintomas persistam por mais de 24 horas, a consulta com um oftalmologista é imprescindível.

Em casos de fissuras superficiais, o tratamento costuma envolver proteção da córnea com colírios antibióticos, anti‑inflamatórios e, em situações mais graves, o uso de lentes de contato terapêuticas que promovem a cicatrização. Em situações recorrentes, procedimentos cirúrgicos como a queratectomia lamelar podem ser considerados.

A córnea possui uma das maiores concentrações de nervos do corpo humano, o que explica a intensidade da dor mesmo em lesões pequenas. Por isso, a avaliação precoce pode evitar complicações como cicatrizes permanentes ou perda de visão.

Especialistas reforçam que a prevenção é sempre a melhor estratégia. Manter a hidratação ocular, controlar a umidade do ambiente e estar atento a sinais de desconforto são hábitos que reduzem drasticamente o risco de fissuras corneanas.

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