O Projeto de Lei 1876/26 propõe a inclusão automática de aposentados e pensionistas do RGPS que recebem até um salário mínimo na Tarifa Social de Energia Elétrica. A iniciativa está em tramitação na Câmara dos Deputados em 2026 e visa eliminar burocracias que impedem o acesso ao desconto. A medida será aplicada em todo o território nacional, beneficiando milhares de famílias vulneráveis.
Como funciona a nova proposta
Segundo o texto, o benefício será concedido sem a necessidade de inscrição prévia no CadÚnico. O aposentado ou pensionista deverá ser titular da conta de luz ou integrar o núcleo familiar responsável pela fatura. Além disso, o consumo de energia deve respeitar os limites estabelecidos pela regulamentação do setor elétrico.
Para garantir a correta aplicação, o projeto exige a integração dos sistemas do INSS com as bases de dados das distribuidoras de energia. Essa conexão permitirá a identificação automática dos beneficiários, preservando a privacidade dos dados pessoais. O processo será monitorado por órgãos reguladores para evitar fraudes.
Principais requisitos para o benefício
- Rendimento mensal igual ou inferior a um salário mínimo;
- Ser titular da conta de energia ou fazer parte do núcleo familiar responsável;
- Atender aos limites de consumo definidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL);
- Não ser necessário cadastro prévio no CadÚnico.
Esses critérios foram definidos para simplificar o acesso e ampliar a cobertura. A proposta também elimina a etapa burocrática de comprovação de renda, que costuma ser um obstáculo para quem tem menor escolaridade ou dificuldade de locomoção.
Impacto econômico e social
O deputado Pompeo de Mattos (PDT‑RS) destaca que a vulnerabilidade econômica dos aposentados de baixa renda é conhecida pelo poder público. Ele argumenta que, se o Estado já possui os dados de renda, não há razão para impor barreiras adicionais. O benefício pode representar uma economia significativa nas despesas mensais das famílias, contribuindo para a redução da pobreza energética.
Especialistas apontam que a medida pode gerar um efeito multiplicador na economia local. Ao destinar mais recursos ao consumo de bens essenciais, as famílias podem melhorar sua qualidade de vida e estimular o comércio nas comunidades. Além disso, a diminuição de inadimplência nas contas de luz reduz custos operacionais das concessionárias.
Do ponto de vista ambiental, a tarifa social incentiva o uso consciente de energia. Quando os consumidores têm acesso a tarifas mais baixas, há maior predisposição para adotar práticas de economia, como a substituição de lâmpadas incandescentes por LEDs.
Próximas etapas legislativas
O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Minas e Energia; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Cada comissão emitirá pareceres que influenciarão a votação final.
Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado na Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado Federal. Caso seja sancionado pelo Presidente da República, a integração dos sistemas será implementada em até dois anos, segundo estimativas do Ministério de Minas e Energia.
Organizações da sociedade civil monitoram o processo e cobram transparência na implementação. Elas defendem que a integração de dados seja feita com rigor técnico, evitando vazamentos e garantindo que apenas os elegíveis recebam o benefício.
Enquanto isso, os aposentados e pensionistas podem acompanhar a tramitação pelo portal da Câmara e participar de audiências públicas. A participação cidadã é vista como essencial para aperfeiçoar o texto e assegurar que a política atenda às necessidades reais da população.








