A Polícia Militar de São Paulo perdeu a candidata Edjane Lima ao governo do estado após o TRE indeferir a chapa nesta sexta‑feira, 18 de setembro, em São Paulo. A decisão encerra a disputa do partido Agir na corrida para o Executivo estadual.
Desistência oficial da candidatura
O Agir de São Paulo comunicou que, diante da impossibilidade de arcar com os custos da campanha, optou por desistir da candidatura. A justificativa oficial aponta falta de recursos financeiros como motivo principal.
Edjane Lima, entretanto, nega ter abandonado a corrida e afirma que manteve sua decisão de concorrer. “Não renunciei, tenho princípios e valores”, declarou a policial em entrevista.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) indeferiu a chapa após a vice‑presidente da candidatura apresentar pedido de renúncia e a documentação exigida ser considerada incompleta. A decisão foi publicada na tarde de 18 de setembro.
Motivos financeiros e políticos
Segundo informações prestadas à Justiça Eleitoral, o Agir de São Paulo não recebeu repasses de verbas para a campanha de Edjane. O diretório nacional teria direcionado recursos para as disputas eleitorais no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
A campanha divulgou nota explicando que nenhum valor do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fefec) foi utilizado. O partido decidiu concentrar o investimento em campanhas majoritárias em outros estados.
Em entrevista, o Agir ressaltou que, embora a pesquisa Datafolha de 11 de setembro mostrasse 3% de intenção de voto, a vitória era considerada inviável sem apoio financeiro. A falta de financiamento foi apontada como o fator decisivo para a desistência.
- Ausência de repasses do diretório nacional;
- Prioridade de recursos para RJ e MG;
- Impossibilidade de cobrir custos de propaganda e logística.
A assessoria de Edjane tentou contato com o diretório nacional, mas não obteve resposta até o momento da publicação.
Impacto nas pesquisas e nas estratégias
A vice‑presidente da chapa, professora Nayr Duarte, renunciou ao cargo para concorrer à Assembleia Legislativa. A mesma estratégia já havia sido adotada pela primeira vice, Renata Bolsonaro, que agora disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados.
O diretório estadual propôs que Edjane migrasse para a candidatura de deputada federal, enquanto Nayr concorreria a deputada estadual. Apenas Nayr aceitou a proposta, renunciando imediatamente para que sua candidatura fosse regularizada.
Edjane recusou a troca, mantendo sua candidatura de forma independente, sem o apoio da direção estadual e nacional. Essa postura reforçou a decisão do TRE de indeferir a chapa.
A homologação da renúncia de Nayr ocorreu na segunda‑feira, 14 de setembro, e foi julgada pelo TRE na sexta‑feira, 18 de setembro. De acordo com a legislação eleitoral, novas substituições só são permitidas até 20 dias antes da eleição, prazo já expirado.
Além da renúncia, o Ministério Público Federal requereu o indeferimento da candidatura por falta de dois documentos obrigatórios: a prova de desincompatibilização da Polícia Militar e a certidão criminal para fins eleitorais. O TRE considerou a documentação apresentada insuficiente.
Os documentos exigidos são:
- Comprovante de desincompatibilização da corporação policial;
- Certidão criminal atualizada para fins eleitorais.
Edjane Lima de Sousa, 49 anos, nasceu em Surubim, Pernambuco, e mudou-se para São Paulo aos dois anos de idade com a família. Ela mora em Poá, na região metropolitana de São Paulo, e atua como policial militar.
Em 2020, tentou a candidatura à vice‑prefeitura de São Paulo, mas acabou concorrendo a vereadora pelo PTB. Em 2022, foi candidata a deputada federal pelo PROS, e em 2024, disputou a vaga de vereadora pelo PL em Poá.
Atualmente, Edjane integra o 32º Batalhão da Polícia Militar, com base em Suzano, responsável também pelo patrulhamento de Poá e Ferraz de Vasconcelos. Sua experiência no campo da segurança tem sido destaque nas entrevistas.
Mesmo com o indeferimento, a ex‑candidata mantém presença ativa nas redes sociais, defendendo a valorização dos policiais e a necessidade de políticas de segurança mais efetivas. Observadores apontam que sua trajetória pode abrir caminho para futuras candidaturas.
O caso ilustra como questões financeiras, procedimentos burocráticos e estratégias partidárias podem convergir para mudar o cenário eleitoral. A decisão do TRE encerra a participação do Agir na disputa pelo governo de São Paulo nas eleições de 2026.








