A Embrapa lançou, em 2024, um guia gratuito que ensina como cultivar peras em diferentes regiões do Brasil. O material, parte da coleção “500 Perguntas, 500 Respostas”, traz recomendações práticas para produtores iniciantes e experientes. Ele está disponível online e pode ser baixado sem custo.
Escolha das variedades e polinização
Uma das primeiras decisões ao montar um pomar de peras é selecionar as variedades que melhor se adaptam ao clima local. A Embrapa indica combinações entre variedades produtoras e polinizadoras que aumentam a produtividade e garantem boa qualidade da fruta.
Na página 49 da publicação, há uma tabela detalhada que relaciona cada cultivar com a sua parceira de polinização ideal. Por exemplo, a variedade ‘Williams’ costuma ser polinizada eficientemente pela ‘Bosc’, enquanto a ‘Packham’s Triumph’ responde bem à presença da ‘Clapp’s Favorite’.
Essas combinações são importantes porque as peras são parcialmente autoincompatíveis; sem um pólen adequado, a frutificação pode ser reduzida em até 40 %.
- Identifique a zona de risco climático da sua região.
- Escolha duas ou três variedades produtoras.
- Inclua ao menos uma variedade polinizadora compatível.
- Plante-as a uma distância de 15 a 20 m para facilitar a circulação de abelhas.
Além da compatibilidade genética, é recomendável observar o ciclo de floração de cada cultivar. Variedades que florescem simultaneamente aumentam as chances de cruzamento natural.
Para quem tem espaço limitado, a estratégia de intercalar mudas de diferentes cultivares pode otimizar o uso da área e ainda melhorar a resistência a pragas.
Manejo cultural: poda, adubação e irrigação
A poda correta é fundamental para equilibrar o vigor da planta e a produção de frutos. A Embrapa sugere duas podas principais: a de formação, nos primeiros três a quatro anos, e a de produção, realizada anualmente após a colheita.
Na poda de formação, removem‑se ramos centrais fracos e incentivam‑se galhos laterais que gerarão ramificações produtivas. Já a poda de produção visa eliminar madeira velha, melhorar a ventilação e permitir a entrada de luz.
Quanto à adubação, o guia recomenda análise de solo antes de qualquer aplicação. Em geral, um aporte de nitrogênio (N) entre 80 e 120 kg ha⁻¹, fósforo (P₂O₅) 40 kg ha⁻¹ e potássio (K₂O) 150 kg ha⁻¹ são suficientes para solos de média fertilidade.
É importante dividir a aplicação de nitrogênio em duas etapas: uma no início da primavera, antes do florescimento, e outra no verão, para sustentar o desenvolvimento dos frutos.
- Realize a análise de solo a cada três anos.
- Corrija a acidez com calcário, se necessário.
- Use fertilizantes de liberação lenta para evitar perdas por lixiviação.
A irrigação deve ser ajustada ao estágio fenológico da planta. Durante a floração e o crescimento precoce, a demanda hídrica é menor, mas aumenta significativamente na fase de formação dos frutos.
Um regime de irrigação por gotejamento, com aplicação de 5 mm de água por dia, costuma ser suficiente para manter a umidade do solo sem provocar encharcamento.
O monitoramento de umidade com sensores de tensiômetro ajuda a evitar desperdício e a prevenir doenças de raiz.
Controle de doenças e cuidados essenciais
Um dos maiores desafios no cultivo de peras são as doenças fúngicas, como a podridão parda e a mancha escura nas folhas. A presença de manchas escuras nos frutos pode indicar infecção por Botrytis cinerea, que requer intervenções rápidas.
Para prevenir, a Embrapa recomenda a prática de raleio, removendo frutos e ramos doentes logo após a colheita. Essa medida reduz a fonte de inóculo para a próxima safra.
Além do raleio, a aplicação preventiva de fungicidas à base de cobre ou de produtos sistêmicos, conforme calendário recomendado, é eficaz contra a maioria dos patógenos.
- Inspecione o pomar semanalmente.
- Remova folhas amarelas ou necrosadas.
- Aplique fungicida ao primeiro sinal de manchas.
- Evite o excesso de adubação nitrogenada, que favorece o desenvolvimento de doenças.
O manejo integrado de pragas (MIP) também inclui o monitoramento de insetos como a mosca da fruta. Armadilhas de feromônio ajudam a determinar o nível de infestação e a necessidade de controle químico.
Em regiões com alta umidade, a ventilação natural do pomar, promovida pela poda correta, diminui a incidência de doenças foliares.
Por fim, a colheita no ponto ideal de maturação garante melhor qualidade da fruta e reduz perdas pós‑colheita. As peras devem ser colhidas quando a casca cede levemente à pressão e o aroma está bem desenvolvido.
Seguindo essas orientações da Embrapa, produtores de todos os portes podem obter rendimentos superiores, frutas de excelente qualidade e um pomar mais sustentável.








