Na última sexta‑feira, 12 de junho, uma feira de ciências realizada no Colégio‑Curso Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, virou foco de investigação policial após o compartilhamento de uma lanceta entre estudantes e visitantes. O incidente ocorreu na Unidade Recreio II e mobilizou a Polícia Civil, a Secretaria Municipal de Saúde e a própria comunidade escolar.
Como se deu o uso da lanceta durante a feira
A aluna responsável pelo estande trouxe um lancetador e uma caixa de lancetas para demonstrar o funcionamento de um teste de glicemia, parte de um projeto sobre diabetes. A orientação dos professores era que o material fosse apenas exibido, sem que fossem realizadas punções em pessoas.
Entretanto, segundo relatos da direção da escola, a estudante acabou utilizando a lanceta para medir a glicemia de visitantes que se aproximaram do ponto de demonstração. Em alguns casos, a mesma agulha foi empregada em até três pessoas diferentes, o que configurou um risco potencial de transmissão de doenças infecciosas.
O dispositivo em questão trata‑se de uma lanceta descartável, projetada para perfurar o dedo e coletar uma gota de sangue para a medição de glicose. Embora seja de uso único, a prática de reutilização viola protocolos de biossegurança e pode expor os usuários a agentes patogênicos como hepatite e HIV.
Reações das autoridades e medidas adotadas
A Secretaria Municipal de Saúde informou que, após a constatação do incidente, 27 pessoas foram encaminhadas ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, ou a hospitais particulares para avaliação e cuidados iniciais. Todas receberam acompanhamento nas unidades de atenção primária.
Para garantir transparência, a escola acionou a Secretaria de Saúde ainda no sábado e, seguindo as recomendações, enviou comunicados às famílias dos envolvidos, orientando a procura de atendimento médico dentro de 72 horas. Foram enviados cinco avisos por aplicativo, e‑mail e WhatsApp entre sábado e domingo.
Além do suporte médico, a instituição disponibilizou acompanhamento psicológico a dez alunos que relataram ter participado da atividade. Uma infectologista pediátrica foi incorporada à equipe de plantão da escola a partir de quinta‑feira, 17 de junho, atendendo alunos e responsáveis mediante agendamento.
- Procedimentos de contenção: recolhimento imediato do lancetador e das lancetas.
- Comunicação: notificação às famílias e orientação para busca de atendimento.
- Acompanhamento: monitoramento clínico e psicológico dos participantes.
A 42ª Delegacia de Polícia (DP) do Recreio dos Bandeirantes está conduzindo a investigação, avaliando possíveis infrações sanitárias e responsabilizações legais.
Impactos na comunidade escolar e lições aprendidas
O episódio gerou preocupação entre pais, professores e estudantes, que passaram a questionar os protocolos de segurança em atividades práticas. A direção do Colégio‑Curso Tamandaré reforçou que a atividade foi imediatamente interrompida ao perceber a prática inadequada e que o material foi recolhido para evitar novos riscos.
Em resposta, a escola anunciou a revisão de todas as orientações de segurança para projetos experimentais, incluindo a exigência de supervisão direta de professores em demonstrações que envolvam materiais biológicos ou potencialmente invasivos.
Especialistas em saúde pública ressaltam que a reutilização de dispositivos descartáveis pode ser um vetor de transmissão de infecções, sobretudo em ambientes com grande circulação de pessoas, como feiras escolares. Eles recomendam a adoção de kits educativos que enfatizem a importância do descarte correto e da higienização.
Para a comunidade do Recreio dos Bandeirantes, o caso serve como alerta sobre a necessidade de vigilância constante e de protocolos claros em eventos educacionais. A colaboração entre escola, autoridades de saúde e polícia demonstra a importância de respostas rápidas e coordenadas diante de situações que envolvem risco à saúde pública.








