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Anvisa veta caneta de tirzepatida T36 e amplia restrição a emagrecedores paraguaios

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta quarta‑feira (16) a importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso da caneta emagrecedora paraguaia T36. A medida foi anunciada em Brasília e afeta diretamente consumidores que adquiriam o produto por canais digitais.

O que é a caneta T36 e por que ela chamou atenção

A T36 é comercializada como uma versão da tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, produzido pela Eli Lilly e atualmente o único com essa substância autorizado no Brasil. Apesar da semelhança, a caneta não possui registro sanitário nacional, o que a coloca fora da legalidade.

Fabricada pelo laboratório Catedral, a mesma empresa responsável pela tirzepatida paraguaia Tirzedral, a T36 chegou ao mercado brasileiro por meio de grupos de venda no WhatsApp a partir de junho deste ano. Até o anúncio da Anvisa, a caneta não constava nas listas de produtos proibidos, gerando uma brecha que facilitava a compra individual.

De acordo com o advogado André Schleich, especialista em processos envolvendo tirzepatidas paraguaias, a T36 não representa um medicamento novo, mas apenas uma nova embalagem da já conhecida Tirzedral. “É basicamente o mesmo medicamento, só mudaram a roupagem”, afirmou.

Riscos associados à tirzepatida paraguaia

Estudos realizados pela Unicamp, com técnicas avançadas como cromatografia líquida e espectrometria de massas, confirmaram que as amostras paraguaias contêm o mesmo princípio ativo do Mounjaro. Contudo, a presença da molécula não garante segurança ou eficácia.

Especialistas alertam que a análise não avaliou impurezas, contaminantes ou a qualidade da produção, fatores críticos para a saúde do usuário. A Anvisa enfatiza que a equivalência terapêutica exige avaliação de farmacocinética, estabilidade, condições de fabricação e transporte.

  • Possibilidade de reações adversas desconhecidas;
  • Falta de controle de qualidade e rastreabilidade;
  • Risco de doses inadequadas, já que o frasco contém entre 2,5 mg e 15 mg por aplicação;
  • Ausência de estudos clínicos que comprovem segurança em longo prazo.

Um documento técnico da Dinavisa, autoridade sanitária do Paraguai, relata um estudo de carcinogenicidade em ratos que apontou aumento de tumores na tireoide, mas não divulga detalhes sobre a condução ou a instituição responsável, dificultando a verificação independente.

Decisão da Anvisa e consequências para o mercado

Com a publicação da nova resolução, a T36 foi incluída nas medidas que já abrangiam outros produtos como TG, Lipoless, Lipoland, Gluconex e Tirzec. A agência reforçou que a proibição se baseia na falta de registro sanitário e na necessidade de proteger a saúde pública.

A Anvisa já havia respondido a questionamentos da Folha de S. Paulo, afirmando que mantém monitoramento constante para identificar situações que justifiquem ações de fiscalização. A medida contra a T36 demonstra a efetividade desse monitoramento.

Para os consumidores que já adquiriram a caneta, a recomendação oficial é interromper o uso imediatamente e buscar orientação médica. A agência alerta que o uso de medicamentos sem avaliação regulatória pode agravar condições de saúde, sobretudo em pacientes com diabetes tipo 2 ou obesidade.

O que dizem os especialistas e o futuro das tirzepatidas no Brasil

Profissionais da área de endocrinologia ressaltam que, embora a tirzepatida seja promissora no controle glicêmico e na perda de peso, a sua aplicação deve ser feita sob prescrição e acompanhamento médico. “A automedicação com produtos não registrados pode gerar efeitos colaterais graves e dificultar o diagnóstico de complicações”, afirma a Dra. Mariana Silva, endocrinologista.

O debate sobre a importação de medicamentos de países vizinhos ganha força, principalmente diante da alta demanda por tratamentos inovadores e da burocracia para registro de novos fármacos no Brasil. Alguns especialistas defendem a criação de vias aceleradas de aprovação, desde que acompanhadas de rigor científico.

Enquanto isso, a Anvisa continua a analisar outros casos de tirzepatidas paraguaias que circulam em redes sociais e marketplaces. A expectativa é que novas proibições sejam anunciadas nos próximos meses, reforçando a política de proteção ao consumidor.

Em resumo, a proibição da caneta T36 evidencia a importância de respeitar as normas sanitárias e de buscar informações confiáveis antes de iniciar qualquer tratamento. O alerta da Anvisa serve como lembrete de que a segurança do paciente deve ser prioridade em todas as etapas da cadeia farmacêutica.

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