Uma terceira pessoa morreu em Frankfurt após contrair malária, doença transmitida por mosquito, segundo autoridades de saúde divulgadas nesta quinta‑feira (17/09). O óbito ocorreu em Schwanheim, bairro que faz fronteira com o Aeroporto de Frankfurt, e está associado a um mosquito Anopheles que chegou ao país a bordo de um avião. O caso reforça a preocupação com a chamada “malária de aeroporto”, fenômeno raro, mas que vem se repetir na região.
O que desencadeou a terceira fatalidade
A vítima residia próximo ao terminal internacional, onde foram identificados dois novos casos de malária na mesma semana. Ela foi internada no hospital universitário da cidade, mas evoluiu para óbito apesar do tratamento intensivo. As autoridades confirmaram que o mosquito responsável era da espécie Anopheles darlingi, principal vetor da doença na América do Sul.
Como o mosquito chegou a território alemão
Investigações apontam que o inseto foi transportado em um voo que aterrissou no Aeroporto de Frankfurt, possivelmente dentro da bagagem ou nas áreas de carga. O inseto sobreviveu à viagem e, ao ser liberado, deslocou‑se até cerca de cinco quilômetros do ponto de desembarque, distância compatível com a capacidade de voo da espécie.
O Instituto Robert Koch (RKI) indica que mosquitos como o Anopheles podem percorrer entre cinco e dez quilômetros antes de se estabelecer. Esse alcance explica por que os casos foram registrados em Schwanheim, bairro situado a aproximadamente cinco quilômetros do terminal.
Medidas adotadas pelas autoridades
O Ministério da Saúde da Alemanha orientou médicos a incluir a malária como hipótese diagnóstica em pacientes com febre inexplicada, sobretudo nas áreas próximas ao aeroporto. Além disso, moradores e funcionários do aeroporto receberam recomendações para buscar assistência médica ao apresentar sintomas como calafrios, suor excessivo ou dor de cabeça.
O aeroporto de Frankfurt, um dos maiores hubs da Europa, enviou mosquitos capturados em armadilhas para um laboratório em Antuérpia, na Bélgica, para análise genética e de resistência a inseticidas. Os resultados ainda não foram divulgados, mas a medida demonstra a vigilância contínua contra vetores exóticos.
- Instalação de armadilhas de luz ultravioleta em áreas críticas.
- Desinfecção regular das aeronaves, conforme determinação das autoridades sanitárias.
- Campanhas de conscientização para viajantes e trabalhadores do setor de aviação.
- Distribuição de repelentes e instruções de uso para a população local.
Impacto e histórico de casos na Europa
Um estudo que analisou episódios de “malária de aeroporto” e transmissão por bagagens na Europa entre 1969 e 2024 identificou 145 casos, dos quais nove ocorreram na Alemanha. O último registro antes deste trimestre foi em 2023, também no Aeroporto de Frankfurt, indicando um padrão de risco associado ao intenso fluxo de passageiros internacionais.
Embora a transmissão entre humanos seja praticamente inexistente, a presença de mosquitos infectados em ambientes urbanos pode gerar surtos isolados, sobretudo quando o diagnóstico é tardio. Por isso, a vigilância epidemiológica e a rápida resposta das autoridades são essenciais para evitar novas fatalidades.
Orientações para a população
Profissionais de saúde recomendam que pessoas que viajam para áreas endêmicas de malária utilizem medicamentos profiláticos e adotem medidas de proteção contra picadas, como roupas de manga longa e repelentes à base de DEET. Caso já estejam em território alemão, a atenção deve se concentrar em reconhecer sinais precoces da doença.
Os sintomas típicos incluem febre alta, calafrios, suores noturnos, dor de cabeça e fadiga. Em casos graves, a doença pode evoluir para coma e levar à morte, sobretudo em grupos vulneráveis como crianças, idosos e indivíduos imunocomprometidos.
Próximos passos e expectativas
As autoridades aguardam os resultados das análises laboratoriais para confirmar a origem genética do mosquito e avaliar a necessidade de medidas adicionais de controle. Enquanto isso, a cooperação entre aeroportos, companhias aéreas e órgãos de saúde pública permanece fundamental.
O foco agora está em reforçar a vigilância nos pontos de entrada de passageiros, melhorar a detecção precoce de casos suspeitos e garantir que protocolos de desinfecção sejam cumpridos rigorosamente. A comunidade científica também segue monitorando a adaptação de mosquitos a climas mais frios, fenômeno que pode ampliar o risco de transmissão em regiões tradicionalmente livres da doença.








