Entre 10 de agosto e 11 de setembro, a Prefeitura de Guarulhos realizou uma campanha educativa voltada à prevenção da dengue, envolvendo mais de seis mil estudantes em diferentes instituições da cidade. O programa foi desenvolvido nas áreas identificadas como prioritárias pelo monitoramento do Aedes aegypti.
Estratégia de ação e seleção das escolas
A escolha das unidades escolares baseou‑se nas Avaliações de Densidade Larvária realizadas nos meses de maio e julho, que apontaram os bairros com maior risco de transmissão.
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) consolidou os territórios críticos e repassou a lista para a Secretaria de Educação, que definiu as 16 escolas e instituições participantes.
- EPG Castro Alves
- EPG Vinicius de Moraes
- EPG Amélia Duarte da Silva
- EPG Batuíra II
- EPG Otoya Sato
- EPG Perseu Abramo
- EPG Zumbi dos Palmares
- EPG Mariazinha Rezende Fusari
- Instituto Cidadania Bambi I
- Acasec Jardim Testai II
- Raios de Sol Brilhante
- Associação Beneficente e Comunitária (ABIS)
- Tia Carmela
- Instituição Allan Kardec Alice Pereira
- Instituto de Assistência Social Jesus Menino II
- Associação de Moradores para Desenvolvimento do Água Azul (Amaa IV)
Essas instituições foram distribuídas em quatro regiões distintas, permitindo que a ação alcançasse tanto áreas urbanas densas quanto bairros em expansão.
O planejamento considerou ainda a presença de escolas com diferentes níveis de ensino, garantindo que a mensagem fosse adaptada à faixa etária de cada público.
Metodologias aplicadas nas diferentes faixas etárias
Na educação infantil, a abordagem lúdica foi central, com a apresentação do espetáculo “Belinha contra a Dengue”, que combina música, teatro e ilustrações coloridas.
O enredo mostrou a personagem Belinha identificando criadouros de mosquito em ambientes domésticos e ensinando hábitos simples, como tampar caixas‑d’água e eliminar água parada.
Além da dengue, foram incluídas informações básicas sobre zika e chikungunya, ressaltando que o mesmo mosquito pode transmitir essas doenças.
Para tornar o conteúdo ainda mais acessível, os professores distribuíram folhetos ilustrados e organizaram atividades de colagem que reforçavam a mensagem de prevenção.
No ensino fundamental, a estratégia mudou para estações interativas que permitiam aos alunos experimentar diferentes papéis.
- Estação 1: ciclo de vida do Aedes aegypti, com modelos em argila.
- Estação 2: jogo “certo ou errado” sobre práticas domésticas.
- Estação 3: maquete de uma casa típica de Guarulhos, destacando pontos de acúmulo.
Os estudantes foram incentivados a discutir em grupo, identificar comportamentos de risco e propor soluções práticas para suas casas.
A equipe do CCZ, composta por 13 profissionais, acompanhou cada estação, esclarecendo dúvidas e reforçando a importância da ação coletiva.
Em todas as atividades, foram utilizados recursos visuais como infográficos, cartazes e vídeos curtos, que facilitaram a compreensão dos conceitos científicos.
Os educadores também receberam um manual de boas práticas, elaborado pelo CCZ, para que pudessem reproduzir as ações em futuras turmas.
Impactos esperados e próximos passos
Guarulhos registra atualmente 354 casos confirmados de dengue, número que as autoridades buscam reduzir significativamente com a mobilização escolar.
Ao transformar alunos e professores em multiplicadores de conhecimento, a campanha visa que as informações cheguem a milhares de lares.
Estima‑se que cada estudante compartilhe a mensagem com, em média, quatro familiares, ampliando o alcance da prevenção para mais de 24 mil pessoas.
Além disso, a participação ativa dos jovens nas inspeções de criadouros pode gerar um aumento de 15% nas denúncias de focos de mosquito nas áreas atendidas.
O acompanhamento será feito por meio de novas Avaliações de Densidade Larvária, programadas para os meses de novembro e janeiro.
Os resultados dessas avaliações serão comparados com os dados anteriores, permitindo medir a eficácia da intervenção educativa.
Caso os indicadores apontem redução nos índices de infestação, a estratégia poderá ser replicada em outras cidades do interior de São Paulo.
O sucesso da iniciativa também depende da continuidade das ações de controle químico e mecânico realizadas pelos agentes de endemia.
Por isso, a Secretaria de Saúde reforçou o compromisso de manter a fiscalização de água parada em condomínios, parques e áreas públicas.
Em paralelo, a Prefeitura lançou uma campanha digital nas redes sociais, utilizando vídeos curtos e desafios de limpeza doméstica, que complementam o trabalho nas escolas.
Essas peças digitais contam com a participação de influenciadores locais, que ajudam a difundir a mensagem para um público ainda maior.
O investimento total da prefeitura nesta fase educativa foi de aproximadamente R$ 1,2 milhão, valor que inclui produção de materiais, remuneração de profissionais e logística de transporte.
Os recursos foram provenientes do Fundo Municipal de Saúde e de convênios com o Ministério da Saúde, reforçando a importância da cooperação intergovernamental.
Por fim, a iniciativa destaca a necessidade de uma cultura permanente de prevenção, em que a comunidade assume responsabilidade ativa na eliminação de criadouros.
Com a participação de crianças, adolescentes e adultos, Guarulhos avança na construção de um ambiente urbano mais saudável e resiliente contra doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.








