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Anistia Internacional denuncia assassinatos, tortura e estupros cometidos por forças iranianas durante protestos de 2022

Um relatório divulgado nesta quarta‑feira, 16 de setembro de 2026, aponta que as forças de segurança do Irã coordenaram assassinatos, tortura, estupros e outras formas de violência sexual ao reprimir os protestos liderados por mulheres em 2022. O documento, elaborado pela Anistia Internacional, detalha uma cadeia de comando que envolvia autoridades de diferentes níveis do Estado iraniano.

Contexto dos protestos e a morte de Mahsa Amini

Em setembro de 2022, a jovem curda Mahsa Amini morreu sob custódia da polícia da moralidade, desencadeando uma onda de manifestações em todo o Irã. As protestas, que adotaram o slogan “Mulher, Vida, Liberdade”, foram marcadas por marchas, ocupações de praças e manifestações nas redes sociais.

O governo respondeu com medidas de repressão que, segundo testemunhas, incluíram uso excessivo da força, detenções arbitrárias e intimidação de ativistas. A reação violenta se intensificou entre setembro e dezembro de 2022, período em que o número de confrontos entre manifestantes e forças de segurança atingiu seu pico.

Durante esse período, diversas cidades, como Teerã, Isfahan e Mashhad, registraram bloqueios de ruas, queima de veículos e confrontos armados. A população civil, especialmente mulheres, foi alvo de abusos sistemáticos, o que alimentou ainda mais a ira popular.

Resultados do relatório da Anistia Internacional

O estudo, que levou quatro anos para ser concluído e conta com mais de mil páginas, documenta 377 mortes relacionadas aos protestos, entre as quais 56 crianças. A maioria das vítimas foi morta por forças de segurança durante operações de dispersão.

Além das mortes, a Anistia identificou 45 casos de estupro e outras formas de violência sexual praticados por integrantes das forças de segurança. As vítimas incluíram mulheres, homens, meninas e meninos, que sofreram abusos como estupro com objetos, revistas invasivas e retirada forçada de roupas.

O relatório também aponta que 87 autoridades iranianas devem ser investigadas por possíveis crimes contra a humanidade. Entre os nomes citados estão o então líder supremo Ali Khamenei, altos oficiais das Forças Armadas e representantes do Ministério do Interior.

Os documentos analisados revelam ordens internas que instruíam os agentes a responder de forma “impiedosa” e a causar mortes quando necessário. Um memorando vazado determinava que a resposta fosse “firme e severa”, indicando um plano deliberado de repressão.

  • Assassinatos: 377 mortes documentadas, incluindo 56 crianças.
  • Tortura: relatos de espancamentos, choques elétricos e confinamento em condições degradantes.
  • Violência sexual: 45 casos de estupro, além de abusos físicos e psicológicos.
  • Desaparecimentos forçados: dezenas de manifestantes desaparecidos sem explicação oficial.
  • Prisões arbitrárias: detenções de ativistas, jornalistas e advogados sem garantias processuais.

Repercussões e pedidos de justiça internacional

A secretária‑geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, ressaltou que o relatório evidencia “diversas camadas de comando e coordenação” por trás da repressão. Ela solicitou que a ONU crie um mecanismo internacional de justiça para investigar e responsabilizar os responsáveis.

Segundo a organização, a impunidade dos crimes cometidos em 2022 contribuiu para a manutenção da estrutura repressiva no país. Essa falta de responsabilização foi apontada como fator que alimentou a escalada da violência nos protestos antigovernamentais de janeiro de 2026.

Os mesmos oficiais e unidades de segurança que atuaram em 2022 foram identificados como participantes das operações de 2026, indicando uma continuidade de práticas abusivas. A Anistia alerta que, sem investigação e punição, o Irã corre o risco de repetir episódios de violência em larga escala.

Desdobramentos futuros e risco de nova repressão

O relatório chega quatro anos após a morte de Mahsa Amini, mas as demandas por justiça permanecem. Organizações de direitos humanos ao redor do mundo têm pressionado governos e organismos internacionais a impor sanções contra os responsáveis.

Além das sanções, a Anistia recomenda a criação de um tribunal especial da ONU para julgar crimes contra a humanidade cometidos no Irã. Essa medida, segundo a entidade, poderia servir de precedente para outros casos de repressão estatal.

Enquanto isso, a sociedade civil iraniana continua a buscar formas de resistência, utilizando plataformas digitais e redes de apoio para denunciar abusos. O movimento “Mulher, Vida, Liberdade” ainda ecoa nas ruas e nas redes, mantendo viva a memória de Mahsa Amini.

Em resumo, o relatório da Anistia Internacional não apenas documenta os horrores de 2022, mas também lança um alerta sobre a necessidade de ação global para impedir que tais crimes se repitam. A comunidade internacional tem agora a oportunidade de responder de forma firme e coordenada.

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