Uma pesquisa da Ipsos-Ipec divulgada nesta quarta-feira (16) revelou que 43% dos brasileiros avaliam a atual gestão como ruim ou péssima. O levantamento, realizado entre 9 e 13 de setembro, aponta um aumento de cinco pontos percentuais em relação ao estudo de junho. Os dados foram coletados em 130 municípios, com 2.000 eleitores entrevistados.
Cenário de desaprovação crescente
O índice de avaliação negativa chegou ao pior patamar desde junho de 2025, indicando que a percepção da população sobre o governo está em declínio. Enquanto 33% consideram a gestão boa ou ótima, 23% a classificam como regular, e apenas 2% não souberam ou não responderam. Esse cenário reflete um desgaste que vem se acumulando ao longo dos últimos meses.
Em termos de aprovação da condução do país, 53% dos entrevistados desaprovam a forma como Lula está governando, enquanto 42% aprovam e 5% permanecem indecisos. Esses números superam as taxas de desaprovação registradas em março e junho de 2025, sinalizando uma tendência de aumento da insatisfação.
A confiança no presidente também recuou: 57% dos participantes afirmaram não confiar em Lula, ao passo que 40% mantêm alguma confiança e 3% preferiram não opinar. Essa perda de confiança pode influenciar diretamente o comportamento eleitoral nas próximas semanas.
Perfis demográficos da insatisfação
A avaliação negativa concentra‑se em grupos específicos da população. Jovens entre 25 e 34 anos, evangélicos, homens, pessoas com ensino superior e renda familiar acima de cinco salários mínimos demonstram maior descontentamento. As regiões Sul, Sudeste, Norte e Centro‑Oeste também apresentam índices mais altos de desaprovação.
Por outro lado, a avaliação positiva é predominante entre mulheres, idosos com mais de 60 anos, pretos e pardos, indivíduos com menor nível de escolaridade e residentes no Nordeste. Essa divisão demográfica evidencia como fatores socioeconômicos e culturais influenciam a percepção sobre o governo.
- Jovens (25‑34 anos): maior taxa de avaliação ruim.
- Evangelismo: forte correlação com desaprovação.
- Renda acima de 5 salários mínimos: tendência a avaliar negativamente.
- Regiões Sul, Sudeste, Norte e Centro‑Oeste: índices superiores de descontentamento.
Impactos na percepção econômica e confiança no presidente
A pesquisa também revelou que 45% dos brasileiros acreditam que a situação econômica está pior do que há seis meses, um aumento de 4 pontos percentuais em relação a junho. Por outro lado, 29% consideram que a economia permanece igual e 23% percebem melhora.
Quanto ao futuro econômico, 42% esperam uma melhora nos próximos seis meses, 25% acreditam que a situação vai piorar e 24% preveem estabilidade. Essas expectativas podem influenciar o voto, especialmente entre eleitores mais sensíveis a questões de renda e emprego.
A falta de confiança no presidente pode ser um reflexo direto da percepção econômica negativa. Quando a população sente que a situação financeira está se deteriorando, tende a transferir esse descontentamento para a figura do líder nacional.
Detalhes metodológicos da pesquisa
A pesquisa foi conduzida entre os dias 9 e 13 de setembro, envolvendo 2.000 eleitores distribuídos em 130 municípios de todo o país. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, o que garante a robustez dos resultados.
Os entrevistados foram selecionados por amostragem aleatória estratificada, garantindo representatividade por região, faixa etária, gênero e nível de renda. Essa abordagem metodológica permite que os números reflitam, de forma confiável, a opinião da população adulta brasileira.
Os resultados apontam para um cenário de crescente descontentamento que pode ter repercussões nas próximas eleições. Observadores políticos destacam que a combinação de desaprovação da gestão, baixa confiança no presidente e percepção econômica negativa cria um ambiente volátil para o governo.








