Na manhã de 26 de agosto de 2024, enchentes devastadoras atingiram o Nepal, provocando o desaparecimento de milhares de pessoas. Até 16 de setembro, a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA) informou que o número de desaparecidos chegou a 6.150. O desastre ocorreu nas regiões montanhosas próximas à fronteira com o Tibete, na China.
Impacto humano e números atualizados
A atualização feita nesta quarta‑feira mostrou um aumento de quase mil casos em relação ao balanço divulgado no dia anterior. A porta‑voz da NDRRMA, Shanti Mahat, explicou que as informações foram coletadas nos escritórios distritais e validadas antes de serem publicadas.
Os registros oficiais apontam para 1.403 corpos recuperados no território nepalês, dos quais apenas 105 foram identificados até o momento. No lado chinês, a imprensa estatal informou 43 mortes e 519 desaparecidos.
Entre os desaparecidos estão centenas de turistas estrangeiros que praticavam trekking nas trilhas do Himalaia, além de peregrinos hindus que seguiam rumo ao Monte Kailash, no Tibete.
- Desaparecidos no Nepal: 6.150
- Mortos no Nepal: 1.446
- Corpos identificados: 105
- Desaparecidos na China: 519
- Mortos na China: 43
Causas climáticas e a avalanche
A tragédia tem origem em uma avalanche desencadeada pelo colapso de uma geleira do Himalaia, na fronteira entre Nepal e Tibete. O evento foi intensificado por um período de calor excepcional registrado entre 21 e 26 de agosto.
Segundo o cientista‑chefe Robert Rohde, da Berkeley Earth, a temperatura média na região chegou a quase 5 °C, superando em 1,8 °C a média histórica de meados do século XX. Esse aumento representa o quarto verão mais quente já registrado desde 1970.
Rohde alerta que, sem a influência das mudanças climáticas, um padrão de temperatura semelhante seria esperado apenas uma vez a cada milhares de anos, indicando forte correlação entre o aquecimento global e a instabilidade das geleiras.
Os dados foram corroborados por modelos climáticos ERA5, do observatório europeu Copernicus, e por medições de 14 estações meteorológicas instaladas em áreas de grande altitude.
Desafios de reconstrução e apoio internacional
O governo nepales revelou que os custos estimados para a reconstrução totalizarão cerca de US$ 4,78 bilhões (R$ 24,4 bilhões). Deste valor, US$ 57,7 milhões (R$ 295 milhões) serão destinados a ações de curto prazo nos próximos seis meses, enquanto US$ 4,71 bilhões (R$ 24 bilhões) cobrirão a recuperação a longo prazo.
Para acelerar a entrega de suprimentos, o Nepal está recorrendo a drones que transportam ajuda humanitária às áreas mais isoladas e atingidas pelas inundações.
O primeiro‑ministro Balendra Shah está programado para viajar ao exterior pela primeira vez como chefe de governo, levando a situação do Nepal à Assembleia Geral da ONU. Em discursos anteriores, Shah pediu que a comunidade internacional reconheça e apoie os países vulneráveis às mudanças climáticas.
Especialistas ressaltam que, apesar de representar apenas uma fração mínima das emissões globais, o Nepal sofre impactos desproporcionais, evidenciando a necessidade de um financiamento climático mais justo.
Organizações não‑governamentais, agências da ONU e países parceiros já anunciaram contribuições, mas as autoridades enfatizam que o apoio deve ser contínuo para garantir a adaptação de um território montanhoso em rápida transformação.
Enquanto as buscas por desaparecidos continuam, a população local enfrenta desafios diários, como falta de água potável, risco de novas deslizamentos e a necessidade urgente de moradias temporárias.
O cenário no Nepal destaca a urgência de políticas globais que reduzam as emissões, reforcem a resiliência das comunidades e invistam em tecnologias de monitoramento precoce para prevenir desastres futuros.








