Em entrevista concedida à revista VEJA, nesta quarta‑feira, 16 de julho, o candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, explicou sua interpretação sobre as causas dos feminicídios no Brasil. Ele destacou que, na sua visão, os assassinatos de mulheres estão ligados sobretudo a relacionamentos violentos, e não a um ódio genérico pela condição feminina.
Visão do candidato sobre o feminicídio
Renan Santos afirmou que não acredita que o motivo principal dos homicídios de mulheres seja o simples fato de serem mulheres. Para ele, a maioria dos casos está inserida em contextos de abuso doméstico, onde o agressor tem um histórico de violência contra a parceira.
Ele explicou que, nesses cenários, o homem costuma matar a esposa, namorada ou companheira depois de um período de controle, ameaças e agressões físicas ou psicológicas. “Eu não acho que ele assassina falando ‘eu odeio ela porque ela é mulher’”, declarou o candidato.
Ao ser questionado se reconhecia a existência de feminicídio, Renan respondeu que aceita a ocorrência desses crimes, mas insiste que a motivação predominante é a dinâmica de poder dentro da relação abusiva, e não um preconceito de gênero isolado.
Posicionamento frente às políticas de identidade
Durante a mesma entrevista, o candidato manifestou forte oposição ao que chamou de “políticas identitárias”. Ele argumenta que cotas, ações afirmativas e programas de reparação social segmentados por gênero ou raça criam divisão e alimentam disputas políticas.
Renan defende que as políticas públicas devem ser universais, beneficiando toda a população sem distinções. Segundo ele, medidas abrangentes podem, inclusive, melhorar a situação de mulheres negras e de baixa renda, sem precisar rotulá‑las como destinatárias exclusivas.
Ele enumerou as iniciativas que pretende eliminar caso seja eleito:
- Cotas raciais e de gênero em universidades e concursos públicos;
- Programas de reparação social direcionados a grupos específicos;
- Leis que criam benefícios exclusivos para mulheres ou negros.
“Quando eu crio uma política específica, eu estou tratando apenas a mesa das crianças para os caras brincarem com esses temas”, afirmou, reforçando a ideia de que a intervenção estatal deve ser neutra e baseada em necessidades gerais.
Propostas de combate à violência contra a mulher
Apesar da crítica às políticas segmentadas, Renan reconhece a gravidade da violência contra a mulher e propõe um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da capacidade do Estado de identificar e punir agressores.
Ele destaca que a solução não está em criar leis que, segundo ele, podem gerar censura ou decisões discricionárias. O candidato se posicionou contra o projeto que criminaliza a misoginia, argumentando que a medida poderia abrir precedentes para censura nas redes sociais e dar poderes excessivos ao Ministério Público.
Para enfrentar a violência, Renan propõe metas de redução de homicídios femininos a serem cumpridas por municípios e estados, inseridas em uma Lei de Responsabilidade Gerencial. Ele também sugere a ampliação de delegacias especializadas e a criação de programas de monitoramento de agressores reincidentes.
Além disso, ele listou ações concretas que pretende implementar:
- Investimento em tecnologia de rastreamento de ameaças online;
- Capacitação de policiais e juízes para lidar com casos de violência doméstica;
- Campanhas de conscientização sobre os sinais de abuso nas comunidades.
Renan enfatiza que a combinação de políticas universais e medidas de segurança específicas pode reduzir a taxa de feminicídios sem recorrer a legislação que, em sua opinião, poderia limitar a liberdade de expressão.
Controvérsias e declarações anteriores
Durante a sabatina, o candidato foi confrontado sobre uma entrevista anterior na qual teria se autodenominado “machista”. Ele explicou que a frase foi proferida em tom de provocação, com o objetivo de abrir debate sobre a importância da presença paterna na educação dos filhos.
Renan argumenta que a ausência de figuras masculinas nas famílias, sobretudo nas camadas mais pobres da população, contribui para a criminalidade juvenil e para a fragilidade do núcleo familiar. Ele defende a valorização do “bom pai”, do “bom tio” e do “bom avô” como pilares de estabilidade social.
Ele também criticou as disputas entre movimentos feministas e grupos masculinos nas redes sociais, afirmando que essas brigas desviam a atenção dos problemas estruturais que afetam as famílias vulneráveis.
Ao final da entrevista, Renan reiterou que suas declarações sempre foram feitas dentro de um contexto de provocação para estimular a reflexão pública, e que seu compromisso é com políticas que promovam a segurança e a igualdade de oportunidades para todos, independentemente de gênero ou raça.








