Um novo sistema de radar capaz de medir a velocidade média dos veículos será colocado em teste a partir de setembro, abrangendo oito estados brasileiros. O experimento, autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), não prevê a emissão de multas nem a geração de infrações durante sua fase piloto. Os trechos selecionados nas rodovias federais deverão ser sinalizados para que os motoristas saibam que estão participando do estudo.
Como o radar de velocidade média opera
Diferente dos radares fixos tradicionais, que capturam a velocidade em um único ponto, o radar de velocidade média utiliza duas ou mais antenas instaladas em locais distintos. Cada antena registra o instante em que o veículo passa, permitindo calcular o tempo gasto para percorrer a distância entre elas.
Com base no tempo registrado e na distância conhecida, o equipamento determina a velocidade média do veículo ao longo do trecho monitorado. Essa metodologia reduz a possibilidade de penalizar motoristas que, por exemplo, fream momentaneamente em um ponto de fiscalização, mas mantêm velocidade segura ao longo da via.
Durante a fase de testes, o sistema funciona exclusivamente como ferramenta educativa. As autoridades de trânsito utilizam o radar para observar o comportamento dos condutores e coletar dados que possam embasar futuras políticas de segurança viária.
Estados participantes e trechos em teste
O programa de testes envolve oito estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal. Cada um desses entes federativos selecionou trechos estratégicos de rodovias federais, onde a incidência de acidentes é historicamente elevada.
Os trechos escolhidos incluem:
- BR‑050, trecho de 11 km em Uberaba (MG), conhecido por seu alto índice de mortalidade em acidentes.
- Rodovia Presidente Dutra (BR‑116), trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro, com grande fluxo de veículos de carga.
- BR‑277, trecho que corta o interior do Paraná, com curvas perigosas e alta taxa de colisões.
- BR‑040, segmento que liga Brasília ao interior de Minas Gerais, com histórico de ultrapassagens arriscadas.
Além desses, a concessionária Eco Rodovias está testando o equipamento na BR‑050, enquanto a Prefeitura de São Paulo realizou experimentos em quatro avenidas urbanas, como a Avenida Jacu Pêssego e a Marginal Tietê.
Em todas as localidades, a sinalização informativa inclui placas de aviso e mensagens de rádio, reforçando o caráter preventivo da iniciativa.
Resultados preliminares e perspectivas futuras
Os primeiros números divulgados pela Eco Rodovias apontam uma queda de 22,5% no número de flagrantes em Uberaba, comparando o período de 15 dias antes e 15 dias depois da realização de blitz educativa junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF). Esse resultado sugere que a simples presença do radar, ainda que não sancionadora, pode incentivar a adoção de velocidades mais adequadas.
Em São Paulo, foram emitidas 852 mil notificações ao longo de seis meses de testes, sem que nenhuma delas resultasse em multa. O objetivo foi registrar a velocidade dos veículos e fornecer feedback imediato aos motoristas, estimulando a autorregulação.
Os dados coletados também permitem analisar padrões de tráfego, identificar horários de pico com maior risco e mapear áreas onde intervenções de engenharia, como sinalização adicional ou rebaixamento de velocidade, seriam mais eficazes.
O período de experimentação está previsto para durar 180 dias, com possibilidade de prorrogação caso a ANTT considere necessário. Ao final, um relatório técnico será elaborado, contendo recomendações para a implementação permanente do radar de velocidade média em rodovias federais concedidas.
Especialistas em segurança viária apontam que a adoção em larga escala desse tipo de tecnologia pode representar um avanço significativo na redução de acidentes graves. Ao medir a velocidade ao longo de trechos extensos, o radar desestimula práticas como aceleração brusca e frenagem tardia, que são fatores críticos em colisões.
Entretanto, críticos ressaltam a importância de garantir transparência nos processos de coleta e uso dos dados, bem como de manter a sinalização clara para que os motoristas compreendam que o objetivo principal é educativo, e não punitivo.
O debate sobre a efetividade do radar de velocidade média deve considerar também a integração com outras ferramentas de monitoramento, como câmeras de reconhecimento de placas e sistemas de alerta em tempo real, que podem potencializar os benefícios de segurança.
Com a conclusão dos testes, a expectativa é que a ANTT avalie a viabilidade de expandir o uso da tecnologia para outras rodovias, inclusive em regiões com menor densidade de tráfego, onde a presença de radares fixos costuma ser limitada.
Enquanto isso, motoristas que trafegam pelos trechos selecionados são incentivados a respeitar os limites de velocidade estabelecidos, lembrando que a segurança nas estradas depende da colaboração de todos os usuários.








