O Parlamento de Kosovo reencontrou Albin Kurti no cargo de primeiro‑ministro neste domingo, 13 de setembro de 2024, após a vitória de seu partido nas eleições de junho. A sessão ocorreu em Pristina, capital do país, e contou com 62 votos favoráveis em um parlamento de 120 cadeiras.
Reeleição de Kurti e primeiras declarações
Kurti iniciou seu discurso ressaltando que o novo mandato terá como pilares a segurança nacional e a melhoria das condições de vida da população. Ele enfatizou que a sucessão de eleições recentes tem prejudicado a eficácia do governo, apontando para a necessidade de estabilizar as instituições.
Em seguida, o líder do Vetor de Mudança – partido que liderou a lista vencedora – destacou que a prioridade será reforçar as forças de segurança e acelerar projetos de infraestrutura que foram postergados nos últimos anos. A proposta inclui a modernização das estradas rurais e a ampliação do acesso à internet em áreas periféricas.
A votação para a escolha do presidente ainda não tem data definida, o que mantém o clima de incerteza. Kurti afirmou que a falta de um chefe de Estado pode comprometer a assinatura de acordos internacionais críticos para o desenvolvimento econômico.
Impasse na escolha do presidente e risco de nova eleição
Para eleger o presidente, a Constituição de Kosovo exige a aprovação de dois terços dos parlamentares, ou seja, 80 votos. Até o momento, o acordo preliminar entre o governo de Kurti e a Liga Democrática de Kosovo (LDK) prevê o apoio ao professor de Direito Bekim Sejdiu.
No entanto, seis deputados da própria LDK romperam com a decisão da liderança, alegando divergências sobre a independência do candidato. Essa ruptura gerou um bloqueio que impede a obtenção dos 80 votos necessários.
Se o Parlamento não conseguir eleger um presidente até o final do mandato, a Constituição determina a realização de uma nova eleição antecipada, que seria a quarta em apenas dois anos. Esse cenário poderia aprofundar ainda mais a instabilidade política e econômica.
- 62 votos para Kurti como primeiro‑ministro.
- Necessidade de 80 votos para eleger o presidente.
- Risco de quarta eleição antecipada em dois anos.
O Partido Democrático de Kosovo (PDK) e a Aliança optaram por boicotar a sessão, alegando irregularidades na formação do Parlamento. Eles anunciaram que irão recorrer à Corte Constitucional para contestar possíveis violações da lei eleitoral.
A própria LDK, apesar de ter negociado o apoio a Sejdiu, também se absteve de votar na reeleição de Kurti, demonstrando a profundidade das fissuras internas.
Impactos da instabilidade nas relações com a União Europeia
Kosovo, um dos países mais pobres da Europa, mantém como meta a adesão à União Europeia. As instituições de Bruxelas têm reiterado que a estabilidade política e a capacidade de implementar reformas são pré‑requisitos para avançar no processo de integração.
A contínua crise tem atrasado reformas fundamentais, como a modernização do sistema judicial e a luta contra a corrupção. Sem essas mudanças, Kosovo tem encontrado dificuldades para acessar fundos de desenvolvimento da UE.
Especialistas apontam que a falta de um presidente reconhecido pode dificultar a assinatura de acordos de cooperação que são essenciais para a obtenção de recursos financeiros e técnicos. Isso, por sua vez, compromete projetos de energia renovável e de infraestrutura de transporte que poderiam gerar milhares de empregos.
Além disso, a instabilidade política tem alimentado narrativas de grupos nacionalistas que se opõem à integração europeia, criando um ambiente de polarização que pode ser explorado por atores externos.
Para reverter esse quadro, Kurti prometeu acelerar o diálogo com a UE, apresentando um plano de ação que inclui a criação de um comitê de monitoramento de reformas, a revisão de leis de transparência e a promoção de iniciativas de desenvolvimento local.
O futuro político de Kosovo ainda depende da capacidade dos partidos de encontrar um consenso sobre a presidência e de demonstrar à comunidade internacional que o país está pronto para cumprir os critérios de adesão europeia.








