Neste sábado, 12 de setembro, líderes do bloco BRICS se reuniram em Nova Délhi, capital da Índia, para tratar de conflitos internacionais e definir prioridades econômicas. O encontro foi comandado pelo primeiro‑ministro indiano Narendra Modi e contou com a presença de Vladimir Putin, Xi Jinping e do presidente iraniano Masoud Pezeshkian. A cúpula acontece em meio a guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além de tensões crescentes entre Estados Unidos e China.
Conflitos internacionais e tensões geopolíticas
O cenário global está marcado por duas grandes guerras que afetam diretamente os membros do BRICS. A invasão russa da Ucrânia e o conflito entre Israel e grupos palestinos no Oriente Médio criam divergências de posicionamento entre os países participantes. Enquanto a Rússia defende sua ação na Ucrânia, a Índia tenta equilibrar sua relação com Moscou e, ao mesmo tempo, preservar laços comerciais com o Ocidente.
O Irã, recém‑integrado ao bloco, traz à mesa questões sensíveis do Oriente Médio. A presença de Masoud Pezeshkian intensifica o debate sobre sanções, acordos nucleares e a influência dos EUA na região. Em maio, os ministros das Relações Exteriores do BRICS não conseguiram aprovar uma declaração conjunta sobre a guerra no Irã, revelando a complexidade de alinhar posições tão distintas.
Agenda econômica e cooperação financeira
Além dos conflitos, a cúpula dedica grande parte de seu tempo a temas econômicos. Os líderes pretendem avançar em áreas como comércio, investimentos, energia, segurança alimentar, tecnologia e cadeias de suprimentos. O objetivo central é transformar o bloco em um motor de desenvolvimento para países emergentes.
- Ampliação do comércio intra‑BRICS usando moedas nacionais;
- Criação de mecanismos de financiamento alternativos ao FMI e ao Banco Mundial;
- Fortalecimento de projetos de energia limpa e de segurança alimentar;
- Incentivo à cooperação tecnológica e à digitalização de serviços financeiros.
Um ponto crucial da agenda é a redução da dependência do dólar nas transações entre os membros. Os países defendem a maior utilização de moedas locais e a criação de alternativas às instituições financeiras dominadas pelos países ocidentais. Essa estratégia visa aumentar a soberania econômica dos membros e reduzir a vulnerabilidade a sanções externas.
Desafios internos e perspectivas futuras
O BRICS, criado em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China, passou a incluir a África do Sul em 2010 e, recentemente, expandiu-se para onze países. Essa expansão traz diversidade, mas também aumenta a dificuldade de alcançar consensos. A divergência entre as políticas externas da China, da Rússia e da Índia demonstra o desafio de formular uma posição única frente aos EUA.
Para a Índia, a cúpula representa uma oportunidade de afirmar sua diplomacia multilateral. Narendra Modi busca manter relações próximas com Moscou e Teerã, enquanto simultaneamente aprofunda parcerias econômicas e tecnológicas com Washington e países europeus. Essa postura equilibrada reflete a estratégia de Nova Délhi de se posicionar como ponte entre blocos opostos.
Segurança e logística da cúpula
A organização do evento exigiu mobilização massiva de segurança. Milhares de policiais e membros de forças paramilitares foram destacados nas ruas de Nova Délhi para garantir a tranquilidade dos delegados. A capital adotou restrições de trânsito e desvios temporários para facilitar a circulação dos líderes e evitar protestos.
Antes da abertura oficial, Modi realizou encontros bilaterais com Putin e Pezeshkian, demonstrando a importância de acordos pontuais dentro do grande fórum. Essas conversas individuais são vistas como oportunidades para alinhar interesses específicos e preparar o terreno para a declaração conjunta que o bloco pretende publicar ao final da cúpula.
A expectativa é que, ao concluir a reunião, os países do BRICS consigam assinar um documento que reflita um consenso mínimo sobre segurança internacional, cooperação econômica e redução da influência do dólar. O sucesso ou fracasso da cúpula terá repercussões significativas para a ordem mundial, especialmente em um momento em que a rivalidade entre grandes potências está em alta.








